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De Beach Boys a Guns n’ Roses: a sinistra carreira musical de Charles Manson

Assassino faleceu aos 83 anos, cumprindo prisão perpétua

Julia Sabbaga
20.11.2017
15h11
Atualizada em
20.11.2017
18h09
Atualizada em 20.11.2017 às 18h09

Em 19 de novembro de 2017, o assassino Charles Manson faleceu aos 83 anos, de causas naturais. O líder do culto conhecido como “Família Manson”, responsável pelos assassinatos de 1969, é uma figura bizarra e inegavelmente intrigante. Seus atos horrendos definiram uma mudança drástica que fechou os anos 60, e traumatizou o espírito do paz e amor.

Obviamente lembrado pelos assassinatos de 69, e pela morte da atriz e esposa de Roman Polanski, Sharon Tate, Manson teve uma breve tentativa de carreira musical que poucos conhecem, mas chegou a impactar grandes bandas no mundo musical. Pouca gente sabe que Manson tem créditos até em álbum dos Beach Boys.

Manson aprendeu a tocar guitarra em uma de suas várias passagens pelas penitenciárias dos Estados Unidos, que começaram em 1951. Durante o ano de 61, Manson praticava guitarra na prisão e conheceu o produtor Phil Kaufman, que lhe deu a oportunidade de gravar um álbum mais tarde, quando os dois estariam em liberdade. Manson compôs e gravou o seu álbum de estreia, Lie: The Love and Terror Cult, em 1967. Nas gravações, Manson conheceu o fundador e baterista do Beach Boys, Dennis Wilson, que se interessou por uma gravação específica.

A quarta faixa do lado B de Lie: The Love and Terror Cult, “Cease To Exist”, é um blues romântico que passaria batido se fosse escrito por um compositor qualquer. Anos mais tarde, a letra escrita por Manson se tornaria arrepiante: “Garota bonita, garota bonita, deixe de existir. Venha e diga que me ama, desista do seu mundo”.

A faixa foi reinventada pelos Beach Boys e incluída no álbum de 69 da banda, 20/20, depois de ser lançada como b-side do single "Bluebirds over the Mountain". Com o nome de “Never Learn Not To Love”, a música ganhou um clima pop e mudanças leves na letra, mas o espírito da composição de Manson continua intacto.

A gravação de “Never Learn Not To Love” é a única composição de Charles Manson a ter sido lançada por outra banda antes dos assassinatos de 8 de agosto de 1969. Desde então, outros grupos usaram as gravações do assassino e lançaram versões alternativas de suas músicas.

Um dos maiores exemplos é o Guns N’ Roses. A banda de Los Angeles pegou outra faixa do álbum de estreia de Manson, “Look At Your Game, Girl” e fez sua própria versão (ouça aqui). O cover foi lançado no álbum de 93 da banda, The Spaghetti Incident?, como faixa bônus secreta, após a última música. A faixa, que conta apenas com Axl Rose e Dizzy Reed nas gravações, ficou escondida das primeiras críticas do álbum e causou controvérsias quando descoberta. A gravadora, Geffen Records, tentou controlar a polêmica anunciando a doação dos royalties da música para as famílias das vítimas de Charles Manson.

Marilyn Manson, claro, também não ficaria de fora. Além de prestar homenagem ao assassino pegando emprestado seu nome artístico, Manson incluiu versos de “Mechanichal Man” em sua música “My Monkey”, de seu álbum de estreia Portrait Of An American Family. Versos falados pelo próprio assassino estão presentes por toda faixa. O shock rocker também fez um cover de “Sick City”, também do álbum de estreia de Mason, mas lançou apenas em um podcast para os fãs em 2000.

The Lemonheads, Cabaret Voltaire, e até o ator Crispin Glover (conhecido por De Volta para o Futuro) foram outros que fizeram versões de Charles Manson em álbuns lançados. Devendra Banhart já fez covers da faixa “Home Is Where You’re Happy” em performances ao vivo.

Para quem ficou curioso, o álbum Lie: The Love and Terror Cult e diversas outras músicas da carreira de Manson estão disponíveis no Spotify. E pode ouvir sem consciência pesada, porque a lei da Califórnia proíbe que Manson ganhe dinheiro com royalties; os lucros de seu trabalho na música vão para fundos que auxiliam vítimas de ataques violentos. E se sonoramente o trabalho de Charles Manson é medíocre, ouvir as letras e a voz do psicopata é definitivamente uma experiência arrepiante. 

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