Música

Crítica

Weezer - Pacific Daydream | Crítica

Mesmo com deslizes, Pacific Daydream acerta em harmonizar o velho e o novo

Julia Sabbaga
27.10.2017
15h20

O novo álbum do Weezer, segundo seu líder Rivers Cuomo, nasceu de modo muito orgânico. Depois de lançar o chamado “álbum branco” no ano passado, e ter agradado críticas com a volta as raízes, o plano era lançar o oposto, o “álbum preto”, que Cuomo descreveu como um "Beach Boys sombrio". O processo de composição, no entanto, acabou dando origem a diversas músicas em um estilo diferente, que o vocalista organizou como um outro álbum, lançado antes: o Pacific Daydream. É intrigante imaginar o que a banda entregará no “álbum preto”, porque o rótulo de Beach Boys sombrio chega a se aproximar bastante da sonoridade do lançamento deste ano.

O Weezer já está acostumado com críticas. Em uma carreira que tem mais de 20 anos, a banda da Califórnia já irritou a base de fãs de todos os jeitos possíveis. Eles já experimentaram com outros estilos, mudaram completamente, fizeram parceria com produtores inusitados e já, possivelmente forçadamente, retornaram ao seu som original. Com o lançamento de 2017, Pacific Daydream, a banda poderia seguir vários caminhos: voltar ao som do início de carreira, criar mais rock com eletrônico ou apostar em homenagens aos seus ídolos do Beach BoysPacific Daydream tem tudo isso. E apesar de soar confuso de vez em quando, transitando entre o moderno e o retrô, de vez em quando a banda acerta em cheio. Sua habilidade de criar refrões cativantes, usar guitarras distorcidas nos melhores momentos, e abusar das harmonias vocais está bem presente por todo álbum. Mas ocasionalmente ele desliza e se perde na busca de fazer tanta coisa ao mesmo tempo. 

O álbum abre com “Mexican Fender”, uma faixa cheia de guitarras e distorções que fica bem no meio termo entre o Weezer de 1994 e o criticado Weezer de 2009. Faz sentido que seja bem o intermediário, já que Cuomo busca a sonoridade antiga ao mesmo tempo em que traz Butch Walker, o mesmo produtor de Raditude, para Pacific Daydream. E apesar do refrão quase brega, “Mexican Fender” é uma boa abertura.

O disco melhora bastante da metade para o fim. As faixas iniciais, todas lançadas como singles, como “Feels Like Summer” e “Happy Hour”, são simpáticas, mas chegam a exagerar no eletrônico e parecer que o Weezer está buscando se encaixar na mesma categoria que o The Killers. Até poderia, mas eles têm um potencial diferente, e isso chama atenção nas músicas seguintes. A homenagem óbvia à banda favorita de Cuomo, “Beach Boys”, deixa a desejar: se é para dar o nome de “Beach Boys”, o Weezer conseguiria fazer uma homenagem melhor. E fez: o auge do disco, que se assemelha à banda de Brian Wilson com mais segurança e naturalidade, é “Weekend Woman”. Com o refrão grandioso e toques de eletrônico, surgiu uma bela música pop rock, com vocais que remetem Beach Boys com maestria. “Weekend Woman” simboliza o Pacific Daydream inteiro, e é sua melhor faixa.

Na segunda metade do álbum a banda apresenta a melancólica “QB Blitz”, onde Cuomo sofre com a solidão, e um segundo destaque, a romântica “Sweet Mary”, uma balada doce que traz a naturalidade do cantor com o vocal agudo, e é outro hit em potencial. Nas seguintes, “Get Right” e “La Mancha Screwjob”, o Weezer se baseia mais no rock eletrônico com ganchos mais óbvios e arranjos vocais modernos. Para fechar o disco, entregam outra à la Beach Boys, “Any Friend Of Diane’s”, com um violão diferente e estiloso.

De modo geral, o Weezer acertou em Pacific Daydream. O disco acabou no meio termo entre tributo à Beach Boys e pop eletrônico, e no meio entre o Weezer velho e Weezer novo, mas a mistura de tudo isso, quando acerta, acerta bem. 

Ouça Pacific Daydream:

Nota do Crítico
Bom