Vampire Weekend - Father of the Bride

Créditos da imagem: Divulgação

Música

Crítica

Vampire Weekend - Father of the Bride

Disco apresenta uma banda madura, trabalhando seus principais elementos, mas exige vontade do ouvinte para não ficar somente na bolha hipster

Jacídio Junior
03.05.2019
16h20
Atualizada em
03.05.2019
16h18
Atualizada em 03.05.2019 às 16h18

Um disco com 18 faixas, em 2019, soa muito mais como uma armadilha do que como um presente para os fãs. A necessidade de criar uma “playlist” que mantenha o ouvinte conectado por todo o tempo enquanto melhora o número de cliques nas plataformas de streaming, se tornou uma das estratégias mais desgastantes dos últimos tempos.

O novo disco do Vampire Weekend, Father of the Bride, não se mostra, em nenhum momento, com essa intenção. No mundo físico o projeto é um álbum duplo e só por isso já merece destaque, afinal de contas ele foi pensado para ser físico.

No entanto, todas essas faixas em conjunto com a necessidade/vontade de mostrar que o grupo poderia fazer mais dentro de um segmento musical como o Indie Rock, acaba - em diversos pontos - desgastando toda a pegada do projeto e, no final das contas, fica a sensação de que já sabemos quem vai ouvir esse disco, quando, onde e porquê.

Seguindo dentro desses parâmetros, não é novidade que o grupo de Nova York sempre apostou na criação de faixas que misturam elementos sonoros do continente africano, guitarras leves e vocais que de tão uniformes criam uma simetria quase matemática.

Porém, Father of the Bride apresenta algumas diferenças em relação aos projetos anteriores: A banda desde 2016 se tornou um trio, com a saída de Rostam Batmanglij, multiinstrumentista que era responsável pela função de principal produtor do grupo. Isso, em conjunto com as mudanças na vida pessoal do vocalista, Ezra Koenig (que formou uma família, compôs uma música para Beyoncé e produziu uma animação para Netflix, tudo no hiato de seis anos entre Modern Vampires of the City e o novo disco) parece ter reforçado a necessidade do grupo de se manter dentro do espectro musical que já trabalhava, mas com a inserção de novos temperos, que vieram com as participações especiais.

São três faixas com   (do trio Haim), mais duas com Steve Lacy (do The Internet), sem contar os novos produtores convidados para criar e desenvolver toda a atmosfera do disco que passa por elementos de Van Morrison, sonoridades que podem ser ligadas aos Beatles, entre outras propostas que, mesmo parecendo como uma necessidade de soar simples, com letras compreensíveis e não mais colagens impressionistas, como dito por Koenig, ainda carregam um subtexto de complexidade que algumas vezes soam interessantes e em outras apenas como exercícios ritmicos ou experimentações com influências musicais.

Assim, a primeira audição de Father of the Bride pode mostrar um disco pretensioso, mas à medida que as faixas vão sendo deglutidas, as pitadas de simplicidade funcionam e geram até empatia com músicas como “Married in a Gold Rush”, “Unbearably White” - e seu naipe de cordas -, e “2021” - com seus arranjos soft.

Por fim, o projeto ganha mais identidade à medida que se repete no player. O típico caso de um disco que precisa ser ouvido muitas vezes (não por ser difícil, mas por, na superfície, trazer uma atmosfera que gera afastamento) para que o esmero sonoro do grupo não seja confundido com a necessidade de somente soar como uma obra milimetricamente desenvolvida para integrar a discografia hipster moderna.

Nota do Crítico
Bom