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Crítica

The Jesus and Mary Chain - Damage and Joy | Crítica

Novo disco remonta sonoridade antiga e revive boa época do pop sob a perspectiva de seus criadores

Felipe Cotta
31.03.2017
12h19
Atualizada em
03.04.2017
16h10
Atualizada em 03.04.2017 às 16h10

O sétimo álbum de estúdio do The Jesus And Mary Chain demorou pra sair. Os irmãos Reid passaram os últimos 20 anos (ou quase isso) entrando e saindo de projetos paralelos, fazendo uma turnê aqui e ali mas quase nunca dentro de um estúdio.

Integrantes do Jesus and Mary Chain posam para foto de divulgação

Em 2015 eles voltaram a gravar e o resultado a gente ouve agora em Damage And Joy: uma coleção de inéditas e algumas regravações de músicas já feitas por eles em projetos solo, agora com roupagem e arranjos revitalizados. E o resultado é bem bom.

"Always Sad" e "The Two Of Us" têm a mesma pegada de Psychocandy, o clássico disco de 85 que definiu não só o som da banda mas todo um movimento à sua volta, semeando as origens do que se convencionou chamar de Britpop ou “shoegaze” poucos anos depois. Os timbres de guitarra são marcantes e o uso de bateria eletrônica e efeitos na voz completam a nostalgia. As melodias são excelentes e as regravações funcionam muito bem.

A voz de Isobel Campbell (ex-Belle & Sebastian) cai como uma luva na regravação de "Song For a Secret" e em outros momentos do disco onde parece que você entrou numa máquina do tempo. Dá pra perceber de onde tantas bandas indie beberam inspiração. Inclusive, falando em Belle & Sebastian, é curiosa a semelhança de "I Could Be Dreaming" (do primeiro disco deles, Tigermilk) com "The Two Of Us", uma das melhores faixas de Damage And Joy.

"Los Feliz" é uma balada competente. "All Things Pass", "War On Peace" e "Black and Blues" também fazem bonito e mostram que, mesmo depois de tanto tempo, a veia criativa do Jesus and Mary Chain ainda pulsa forte.

E, apesar do cuidado excessivo e proposital para que tudo soe como 20 ou 30 anos atrás, Damage And Joy é uma experiência mais do que positiva e um disco para ser celebrado. Que bom que ainda temos a chance de ouvir um álbum novo de uma banda tão importante. É só uma pena que a rivalidade entre os irmãos Reid cause intervalos tão grandes entre um lançamento e outro.

Se haverá outro álbum depois de Damage And Joy, só a conturbada relação entre eles vai dizer. Por isso, comemore. Não é - mesmo - todo dia que podemos reviver uma época gloriosa do pop com seus próprios criadores.

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Nota do Crítico
Bom