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Crítica

The Chainsmokers - Memories... Do Not Open | Crítica

Duo norte-americano apresenta pop radiofônico, de pouca personalidade, mas perfeito para todos os públicos

Jacídio Junior
11.04.2017
18h53
Atualizada em
11.04.2017
19h58
Atualizada em 11.04.2017 às 19h58

Quando você escuta que uma dupla de produtores de música eletrônica, conhecida por tocar em grandes festivais de EDM vai lançar um disco, não há como esperar algo diferente do que se apresenta no palco, certo? The Chainsmokers, apesar de mostrar algumas das faixas presentes em Memories... Do Not Open com frequência, não deixa de causar um estranhamento, já que o primeiro álbum dos rapazes é basicamente uma aposta certeira em faixas para tocar nas rádios de todo o mundo.

The Chainsmokers novo disco Memories... Do Not Open

Logo, a diferença entre o que Andrew Taggart e Alex Pall tocam no palco e o que eles apresentam em seu primeiro disco é latente, fugindo completamente do que está em alta na cena mais popular da música eletrônica, com batidas rápidas e construções sonoras não muito eloquentes.

Com vontade de mostrar que realmente sabem o que estão fazendo, os norte-americanos abrem o disco com a calma "The One" e seguem por essa trilha por todo o álbum, sem nenhuma surpresa. E isso não é ruim, donos de alguns dos novos recordes de execução nos players de streaming, eles entregam o que o público quer e conseguem deixar suas ideias interessantes ao fugir do estilo clássico que predomina nos mainstages de EDM ao redor do mundo, mas não tão interessante assim.

"Break Up Every Night", tem uma pegada alegre e poderia ter sido criada por uma infinidade de artistas pop, não necessariamente produtores de e-music. "Bloodstream" tem um trabalho vocal interessante, com tudo que uma faixa chiclete precisa ter. "Don´t Say" abre o caminho das parcerias com Emily Warren e se mantém muito bem preparada na receita de um clima calmo que é alternado com guitarras e algumas nuances eletrônicas. A faixa seguinte pode ter sido uma das grandes façanhas do duo, parceria com o Coldplay. "Something Just Like This" sem dúvida abriu ainda mais portas para a dupla alcançar um público que ainda não os conhecia.

"It Won´t Kill Ya" é uma boa surpresa, fugindo levemente de todo conceito que foi criado anteriormente e alternando elementos eletrônicos um pouco mais pesados, mas sem perder o apelo radiofônico, dá um pouco de tempero ao todo do disco. Um detalhe interessante sobre a dupla, é justamente o fato de  Andrew Taggart colaborar como vocalista em algumas canções e no caso de "Paris" ele consegue, novamente, uma excelente harmonia com a voz feminina de Emily Warren e garante mais um momento inspirado para o projeto, daqueles que você começa a cantar instantaneamente. A partir daí o disco não perde força, mas também não mostra nada que vá além do esperado, não inova com nuances e nem mesmo elementos eletrônicos que demonstrem um pouco mais de pesquisa sonora para compor a atmosfera sonora das músicas.

Por fim, é como se tivessem encontrado diversas fórmulas de músicas pop feitas nos últimos anos e conseguido utilizar todas de uma maneira muito particular, mas sem que uma personalidade consiga ficar realmente visível no trabalho.

As músicas não permitem que nuances sejam exploradas, principalmente pela curta duração, ideal para tocar nas rádios isso, com certeza, garante muitos bons singles em potencial o que deve destaque para a dupla por algum tempo. No entanto, ao menos no frescor do lançamento, o projeto não parece algo durável, justamente por ficar na linha que agrada, mas não marca.

É possível sentir algumas peculiaridades na sonoridade dos norte-americanos, mas não existe uma expansão do que é apresentado. De qualquer forma, só o tempo vai poder dizer se eles vão passar pelo impacto do hype e se provar produtores com qualidades que vão além de músicas radiofônicas. Ouça o disco na íntegra.

Nota do Crítico
Regular