Solid Rock

Música

Crítica

Solid Rock

Black Star Riders, Alice In Chains e Judas Priest reúnem gerações e empolgam o público

Felipe Cotta
11.11.2018
10h09
Atualizada em
11.11.2018
10h39
Atualizada em 11.11.2018 às 10h39

Festivais de rock são grandes oportunidades de ver, em uma única noite, grandes shows de bandas que já valeriam a pena se o show fosse apenas de uma delas. No caso do Solid Rock - evento que já passou por vários países e agora visita o Brasil - a chance é a de ver 3 gerações de bandas de rock de peso: o Black Star Riders, que é relativamente nova, fundada em 2012 com o conceito de ser um projeto paralelo do Thin Lizzy; o Alice In Chains, uma das pedras fundamentais do grunge lá nos anos 90 e que desde 2005 vive sua “nova” fase com o vocalista e guitarrista William DuVall; e por fim os veteranos do Judas Priest, com mais de 40 anos de estrada e os grandes donos da noite, celebrando seu legado e apresentando também algumas músicas de seu mais recente álbum "Firepower".

O mais legal de um festival como esse é ver - claro, além das bandas propriamente ditas - o amor e a devoção ao rock sendo passados de geração para geração. Dá gosto de ver fãs jovens do Judas com seus pais no meio da pista, compartilhando a paixão herdada deles e vivendo juntos um momento inesquecível. O público foi um show à parte e deu uma aula de emoção, entrega e respeito. As bandas devem ter se sentido realmente especiais, porque mesmo com a chuva e com um número de pagantes abaixo do esperado, quem estava lá estava totalmente entregue: seja na camiseta que há tempos esperava para sair do armário, seja no berro que saía do fundo da alma a cada refrão, seja nos pulos e bateções de cabeça que acompanhavam cada riff de guitarra. Se alguém ainda duvida que o rock une as pessoas, basta ir a um show desses e conferir por conta própria o fenômeno que, durante algumas horas, faz todo mundo esquecer diferenças e se abraçar numa grande manifestação de adoração a seus ídolos.

O Black Star Riders começou o espetáculo subindo ao palco exatamente às 18:15 da tarde. Ainda com o dia claro e com muitas pessoas chegando, a banda fez bonito em energizar quem já estava ansioso para pular e erguer os braços. Divulgando seu mais recente trabalho," Heavy Fire", Ricky Warwick e cia. deixaram o Allianz sem fôlego já na primeira hora de espetáculo. Apesar de tocar para um estádio ainda não tão cheio, foi contagiante a energia que emanava do palco e de sua garganta. When The Night Comes In, The Boys Are Back In Town (que enlouqueceu o público), All Hell Breaks Loose e Before The War foram algumas das pedradas que a galera matou no peito e cantou junto, transformando o show do Black Star Riders numa grande festa roqueira.

Depois foi a vez de Jerry Cantrell, William Duvall, Mike Inez e Sean Kinney encantarem as pessoas com sua aula de rock. Se os fãs ainda sentem saudades de Laney Staley - a eterna voz do Alice in Chains - o vocalista William Duvall transforma esse sentimento em homenagem ao saudoso ídolo e emociona os velhos seguidores com sua performance impecável. O cara é um monstro no palco. Sua voz, sua atitude, sua humildade, sua presença de palco, tudo é gigante. Ao lado de Cantrell, faz uma geração inteira reviver os dias de glória de uma de suas bandas preferidas. Não houve garganta que passasse ilesa aos clássicos Them Bones, Would, Dam That River, No Excuses, Man In The Box, Angry Chair e Down In a Hole. E para a felicidade da banda, a resposta do público aos sons novos foi igualmente calorosa: Never Fade, Check My Brain e The One You Know já soam como clássicas. E com justiça.

Para terminar a noite, as lendas vivas do Judas Priest entregaram tudo o que se esperava: a grandiosidade sonora, os hits, a atitude e - principalmente - o volume.

Mesmo antes de subir ao palco, o Judas já começou provocando o público baixando uma cortina gigantesca e soltando nos P.A.s do estádio nada mais nada menos do que War Pigs - do Black Sabbath - como introdução. O que parecia simplesmente a continuação da playlist do intervalo entre os shows já era, na verdade, o começo do espetáculo dos gigantes do metal.

War Pigs já emendou com Firepower - momento em que Rob Halford, Ian Hill, Scott Travis, Richie Faulkner e Andy Sneap (que substitui Glenn Tipton) sobem ao palco - e fez o Allianz Parque vir abaixo. A banda disparou na sequência os clássicos Running Wild, Grinder e Sinner. Foi o suficiente para domar o público e garantir que o resto da noite seria inesquecível. Halford tem a multidão nas mãos e conduz o show com a maestria que poucos frontmans do rock conseguem ter.

O show estava só começando e o Judas ainda disparou The Ripper, Lightning Strike, No Surrender, Turbo Lover e muitas outras. Quem estava lá já pode dizer que presenciou um momento histórico, já que o próprio Halford declarou recentemente que esta é provavelmente a última turnê do Judas.

Só este motivo já faria do Solid Rock um evento imperdível para quem é fã de rock pesado. Felizmente, as outras bandas e a energia do público também se mostraram grandes motivos para fazer valer a pena mais este festival aqui no país. Tirando a bebida de preço alto e a comida de qualidade baixa, foi um grande evento. Afinal, não é todo dia que se vê, juntos, Black Star Riders, Alice in Chains e Judas Priest. Certamente a paixão que levou pais e filhos ao Allianz Parque saiu de lá ainda mais forte e deixou aquela sensação de que o show passou rápido demais.

Nota do Crítico
Excelente!