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Música
Crítica

Santos Bravos reimagina identidade do grupo pop latino com o álbum DUAL

Disco de estreia do quinteto faz mistura esperta de gêneros e referências contemporâneas

Omelete
3 min de leitura
13.03.2026, às 00H00.
Santos Bravos (Reprodução/Instagram)

Créditos da imagem: Santos Bravos (Reprodução/Instagram)

A última vez que tivemos a estreia de um boy group latino com alguma relevância global, a pandemia de covid-19 ainda nem tinha acontecido. O CNCO ficou na ativa entre 2015 e 2023, mas o cenário mudou muito nesse meio tempo – acima de tudo, o k-pop foi de fenômeno emergente a realidade hegemônica inegável, mudando definitivamente a nossa concepção de grupo pop e emplacando múltiplos nomes entre os mais populares do mundo (não só o BTS e o BLACKPINK, mas também TWICE, NewJeans, Stray Kids e por aí vai). 

Nesse contexto, o Santos Bravos surge com o seu álbum de estreia, DUAL, como uma tentativa de atualizar o que o grupo pop latino pode ser. Formado pela divisão latina da HYBE (gravadora do BTS) através de um reality show transmitido pelo YouTube, o Santos se posiciona nesse primeiro disco como verdadeira esponja de influências contemporâneas. É uma atitude que ajuda, acima de tudo, na missão de reimaginar as possibilidades que um artista como eles tem no cenário de 2026.

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O conceito de DUAL é declarado logo no título: mostrar os dois lados de um mesmo grupo. Em um canto do ringue, Santos – melodias suaves e sintetizadores aéreos, complementadas por percussões sintetizadas que se aproximam do lado mais romântico do reggaeton. Do outro, Bravos – absorvendo batidas do funk brasileiro e lançando mão de uma produção mais áspera, eles querem seduzir o público afeito a um bad boy e se apresentar como experimentadores sônicos mais audaciosos.

Não é uma ideia estranha ao público do k-pop, que há mais de uma década vê o Red Velvet brincar da mesma forma com a dualidade do seu nome, e o ONF se dividir em duas “equipes” com energias diferentes. Exatamente como acontece com os seus colegas de indústria, no Santos Bravos essa ideia é em grande parte fachada para justificar um ecletismo mais amplo, que flui por toda a tracklist do DUAL, com bastante jogo de cintura.

“0%”, que foi a canção de apresentação do grupo após o fim do reality show, já impressiona com sua melodia circular e sua aproximação do ritmo latino que não aliena o público menos “temperado”. Mas ela já deságua em “MHM”, que se apóia em ganchos melódicos que são o puro suco do k-pop, por cima de uma percussão metalizada que parece evolução natural da faixa anterior, escancarando algo de batuque brasileiro que vai permear as canções seguintes.

O Santos, afinal, conta com um integrante natural do nosso país (Kauê Penna, conhecido por aqui por sua participação no The Voice Kids, é creditado como o “líder vocal” do grupo). E a vontade de fazer sucesso no Brasil fica clara com a faixa “VELOCIDADE”, na segunda metade do disco, quase inteiramente cantada em português e alimentada pela linha de percussão do axé e pelos recortes vocais do funk carioca. Diante de um Carnaval que teve como grande hit a sintetizadíssima “Jetski”, não é difícil imaginar essa aposta dando certo.

É claro que DUAL não foge de um quê burocrático em sua tentativa de explorar cada caminho para o Santos encontrar o seu lugar no cenário pop. A baladinha rock “Fe”, por exemplo, cumpre tabela como encerramento emocional e exibição vocal de um disco que teria ganhado mais sendo mais fiel às suas próprias influências – como faz, por exemplo, em “WOW”, que chuta o balde com o seu pré-refrão bossa nova, o seu coro à lá Debí Tirar Más Fotos, e seu riff de violãozinho indie. É a melhor do álbum.

Querer ser tudo que é corrente, e tudo que faz sentido para si, é a ideia mais pop do mundo. DUAL mostra um grupo latino que, como seus colegas sul-coreanos, pode voar alto caso abrace essa vontade.

Nota do Crítico

DUAL (2026)

Santos Bravos

2026
Produção: NOVODOR, Decz, Connor McDonough, Riley McDonough, Diplo, Johnny Goldstein, Boaz van de Beatz, “hitman” bang

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