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Rihanna - ANTI | Crítica

Fora da zona de conforto, cantora continua pop, mas nem tanto

Tiago Aramayo
19.02.2016
16h53
Atualizada em
29.06.2018
02h45
Atualizada em 29.06.2018 às 02h45

Como o próprio nome sugere, o oitavo projeto de Rihanna, ANTI, é a antítese do que se esperava da cantora, que vinha lançando um álbum por ano até 2012, sempre em parceria com grandes DJs e produtores de música pop. A onda do inesperado, diferente e autoral já surpreendeu fãs de Lady Gaga, Beyoncé, Madonna e tantas outras divas que abandonaram, mesmo que temporariamente, os singles puramente comerciais. E parece que Rihanna alcançou o patamar em que pode dizer não à gravadora, fazer o que quiser e mudar completamente o rumo da carreira.

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Isso fica nítido no disco disponibilizado gratuitamente, por um curtíssimo período, no serviço de streaming Tidal, que, após quatro anos de espera, apresenta aos fãs treze faixas capazes de desencadear sentimentos como surpresa, decepção e excitação.

Assim, abrindo o álbum, a faixa "Consideration", chega como um lembrete sobre quem é Rihanna. A batida e os vocais desleixados típicos da cantora de Barbados trazem muito de suas raízes de volta, lembrando o marcante “rum-pum-pum-pum” de "Man Down" e a pegada trap rap que ela vem desenvolvendo nos últimos singles.

Em seguida, temos o primeiro interlúdio chamado "James Joint", que também funciona como uma grande ação de marketing, sempre tão escancarado em sua carreira. A música de apenas um minuto e 12 segundos faz apologia à maconha e foi liberada na internet no ano passado, na mesma época em que a cantora anunciou sua própria marca de cannabis.

"Kiss It Better" aparece na terceira faixa mantendo o soft sound do interlúdio e sem força para se tornar um single. Na sequência, temos a primeira parceria do álbum em "Work", com o rapper Drake, em um poderoso dueto com um grudento refrão (“work, work, work, work, work”).

Em "Desperado", Rihanna apresenta uma espécie de faroeste do gueto. A canção parece um pouco deslocada por não apresentar semelhanças com as outras faixas do álbum e tampouco possui potencial para emplacar um grande hit.

Chegando à metade do álbum ainda sem um single poderoso, o segundo dueto, a faixa "Woo", entra em cena com o rapper Travis Scott, cuja participação nos vocais se restringe a “woos” e “yeahs”, apesar de ser um dos produtores da canção. A melodia de apenas três notas parece não evoluir e chega a cansar após o primeiro minuto.

Já em "Needed Me", temos um relance da Rihanna que veio se desenvolvendo e se distanciando lentamente do pop e se aproximando cada vez mais do rap e do hip hop. A letra cheia de palavrões trata de sexo e drogas, tema recorrente nas músicas da bad girl. Possui uma batida lenta e sensual e poderia até mesmo se tornar uma música de trabalho no futuro.

Ainda nas melodias sensuais, "Yeah I Said It" é o segundo interlúdio do álbum e tem como um dos produtores Timbaland, que já trabalhou com Rihanna em Rehab e em um remix oficial de Stay. E é esta faixa que nos leva ao último e melhor segmento do álbum, que inicia com a deliciosa "Same Ol Mistakes", cover fiel do Tame Impala, produzida pelo próprio líder da banda, Kevin Parker.

"Never Ending" dá sequência ao álbum com uma melodia mais compassada e diferente do que estamos acostumados a ouvir de Rihanna, mesmo nas músicas lentas. É nítida a mão da cantora Dido na composição da música, que traz essa nova roupagem para o oitavo álbum de RiRi.

Já em "Love On The Brain", a cantora chuta o balde e surpreende com um estilo completamente diferente. A música poderia muito bem ter sido feita para Beyoncé na trilha sonora do filme Cadillac Records, além de a introdução da canção ter sido duramente comparada a "Superpower", também de Beyoncé, na internet. Comparações à parte, é ótimo ver Rihanna saindo de sua zona de conforto, ousando nos vocais e mostrando uma nova faceta nesta que é provavelmente a melhor canção do CD.

Antes de encerrar o álbum, o terceiro e último interlúdio, "Higher", prolonga por mais dois minutos a pegada blues/soul que a música anterior havia apresentado e nos leva ao encerramento do disco com a balada "Close To You", uma canção muito lenta e triste para fazer chorar os corações partidos.

Se você, como eu, esperava ao menos três grandes hits das pistas, como "Diamonds" ou "We Found Love", considere esperar um pouco mais ou contente-se com o single não incluído no álbum, "Bitch Better Have My Money".

 

Nota do Crítico
Bom

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