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Crítica

Red Hot Chili Peppers - I'm With You | Crítica

Sem John Frusciante, banda faz mais do mesmo groove bem-feito

Pedro Keiner
11.09.2011, às 00:00
Atualizada em 29.06.2018, às 02:44
Atualizada em 29.06.2018, às 02:44

Não à toa, a primeira referência que vem à mente quando o novo disco do Red Hot Chili Peppers começa a tocar é One Hot Minute, o álbum que sucedeu o lendário Blood Sugar Sex Magik (considerado por muitos o melhor trabalho da banda) e que também teve ausente o já consagrado guitarrista “titular” dos Peppers, John Frusciante. A primeira faixa de I’m With You (2011) soa claramente uma referência à “Warped”, a primeira faixa de One Hot Minute, e os timbres do começo não mentem.

Mas o que One Hot Minute tem de riffs incisivos e sonoridades experimentais, I’m With You tem em arranjos calcados num repertório pop bem sedimentado e explorado. “Monarchy of Roses”, comentanto um pouco mais essa primeira canção, se baseia numa levada disco que dá o tom genérico do álbum. Há também músicas com tônica latina, como "Did I Let You Know" e na última faixa, "Dance, Dance, Dance", canções mais líricas, como "Meet Me at the Corner", e mesmo os funk-rocks mais típicos na sonoridade do Chili Peppers.

Josh Klinghoffer, novo guitarrista e velho conhecido da banda (e amigo pessoal de Frusciante), entrou intensamente no processo de gravação do novo disco. Segundo declarações anteriores dos músicos, foram escritas mais de 70 canções, das quais foram selecionadas as 14 músicas do disco. É estranho constatar que o resultado final não soa fraco e, no entanto, não há nada de muito novo. Klinghoffer não se mostra um criador de riffs ou um solista com grande personalidade. Alguns timbres e ostinatos rítmico-melódicos soam bastante interessantes - aliás, muitos dos momentos musicais mais densos do disco são os interlúdios instrumentais -, porém muitas vezes parecem criações de John Frusciante diluídas em sonoridades pop.

O primeiro single, “The Adventures of Rain Dance Maggie”, é sem dúvida uma das canções mais fracas do disco, de refrão fraco e nenhum riff de impacto. Os pontos altos ficam por conta de “Brendan’s Death Song”, com um arranjo poderoso, “Ethiopia” com o riff de baixo em 7/8 (compassos irregulares não são típicos da banda, por isso a música se torna interessante) e “Even You, Brutus?”, que lembra de uma forma muito original a sonoridade dos artistas da gravadora Motown, com muitas modulações harmônicas.

I'm With You não mostra nada de muito original em relação ao histórico do grupo. No entanto, estes quase 30 anos de estrada (!), a maturidade e entrosamento musical entre seus integrantes e a produção do lendário Rick Rubin são fatores que fazem de I’m With You um disco que vale a pena ser escutado com mais calma.

Nota do Crítico
Bom

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