P!nk - Beautiful Trauma | Crítica

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Crítica

P!nk - Beautiful Trauma | Crítica

P!nk faz ótimo álbum com o melhor da música pop

Julia Sabbaga
16.10.2017
13h28
Atualizada em
16.10.2017
14h03
Atualizada em 16.10.2017 às 14h03

Potente vocalista e dona do começo dos anos 2000, a carreira da P!nk já saiu e voltou aos holofotes diversas vezes. Mestre em se refazer relevante, a vocalista lançou seu sétimo álbum Beatiful Trauma este mês, e se renovou em todos os aspectos: sonoridade, letra, produção e conteúdo. O que não muda, felizmente, é o poder vocal de Alecia Beth Moore.

O mais interessante de Beautiful Trauma é ver P!nk caminhando na mesma linha que as outras popstars, se colocando politicamente e cantando músicas de luta contra preconceitos e busca de felicidade. O movimento não é novidade na era atual, mas a cantora consegue gritar a revolução com um poder que poucas têm. Além do mais, sua voz traz uma significância histórica por acompanhar a geração desde o início dos anos 2000, e retornar cinco anos após seu último álbum, The Truth About Love, aos 38 anos, ainda como a poderosa figura feminina que sempre foi. Em entrevista à NY Times, a vocalista falou sobre o medo de lançar músicas até hoje: “Eles me avisaram, ‘fique preparada, as rádios não tocam vocalistas com mais de 35 anos”.

Em Beautiful Trauma, P!nk trouxe uma série de produtores de alto escalão, desde Greg Kurstin (que produziu todos os maiores álbuns recentes, de Adele a Foo Fighters), Jack Antonoff (responsável pela explosão “Look What You Made Me Do”, da Taylor Swift), Max Martin (nome marcado nos primeiros hits de Britney Spears e diversos trabalhos de Katy Perry) a Shellback (figuinha carimbada nos maiores hits das popstars, além de Justin Timberlake e Maroon 5). O time fez um belo trabalho, porque o disco inteiro soa bem e traz os elementos mais irresistíveis do mundo pop; vocais poderosos, belos coros e batidas pegajosas. Para completar a série de convidados, a compositora se uniu ao Eminem para a carismática “Revenge”, segunda faixa do álbum.

O single principal do disco, “What About Us”, é a faixa mais forte do trabalho. Como um hino político, P!nk questiona o futuro da juventude e chama jovens à luta: “É o começo de nós, estamos acordando, venha, vocês estão prontos? Eu estarei pronta”. A chamada messiânica faz sentido para uma das divas do pop das antigas, e encaixa perfeitamente com P!nk amadurecida.

O tema político permeia todo o álbum; apesar de ser deixado de lado em baladas mais dançantes como a contagiante “Secrets” e sua ótima sequência, “Better Life”, P!nk retoma o assunto em outro destaque, “I Am Here”, um corajoso hino pop que conta com um belo coro, que é um dos pontos altos do disco. Logo depois, P!nk canta maravilhosamente em “Wild Hearts Can’t Be Broken”: “Não há corda suficiente para me amarrar, não há fita adesiva suficiente para fechar esta boca, as pedras que você joga podem me fazer sangrar, mas eu não vou parar até estarmos livres”.

Ainda bem que a maturidade não impediu que P!nk continuasse compondo e lançando sua música. A passagem do tempo só agiu em seu favor. Beautiful Trauma é um belo álbum do melhor que o pop pode ser: pegajoso, positivo e relevante. 

Ouça Beautiful Trauma abaixo:

Nota do Crítico
Ótimo