Música

Crítica

Planeta Terra Festival 2013 | Crítica

Shows de Blur, The Roots, Beck e fãs de Lana Del Rey são os destaques do festival

Thiago Romariz
10.11.2013
04h04
Atualizada em
29.06.2018
02h44
Atualizada em 29.06.2018 às 02h44

O Planeta Terra Festival mudou de lugar, mas manteve os padrões estabelecidos nos últimos anos. Assim como a edição passada, a escalação misturou bandas indies com nomes consagrados da cena pop. No sábado (9), em São Paulo, 27 mil pessoas se reuniram para assistir alguns ótimos shows, entre eles The Roots, Beck e a maior atração da noite, o Blur.

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Fotos: UOL/AgNews

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Além das apresentações, os fãs de Lana Del Rey também se destacaram. Com adornos de flores na cabeça, o grupo era o mais presente no Campo de Marte. O impacto, no entanto, se limitou aos seguidores da cantora, que fez o show mais morno do festival, apesar de se declarar e ficar perto da platéia durante muitos minutos.

Abertura brasileira, pouco público e The Roots

Como de costume, o evento foi aberto por bandas brasileiras. Hatchets, The Muddy Brothers e O Terno fizeram as primeiras apresentações. O último conjunto, inclusive, mostrou um dos sons mais interessantes da tarde de sábado, com uma mistura de rock, MPB e composições próprias cativantes. Em seguida, Clarice Falcão e BNegão subiram no palco para encerrar a parte tupiniquim do Planeta Terra.

Quando a etapa internacional teve início com Palma Violets, o Campo de Marte ainda estava com pouco público. Sobrava espaço e chegar até a grade era fácil - a situação se estenderia até o início da apresentação de Beck, que encerrou a programação do Palco Smirnoff. Com algum sol e pouco vento, o clima era ameno e ideal para um dia de música; a ordem dos conjuntos escolhidos pela organização também ajudou para ditar o ritmo.

Palma Violets mostrou um rock indie mais animado, porém com pouca presença para levar um show com mais de uma hora. Minutos depois os escoceses do Travis subiram no Palco Terra para estrear no Brasil após 17 anos de carreira. Com um legítimo entusiasmo e um repertório perfeito para o fim de tarde, a banda cativou não só os fãs, mas todos que decidiram ficar por ali. A escolha não era simples, porém, pois no outro palco estava acontecendo um dos melhores shows da noite: The Roots.

O grupo chegou ao país para ensinar o que é um hip hop de qualidade, desde a parte técnica à performance. Com uma gama de instrumentos e arranjos de dar inveja, a banda da Filadélfia comprovou porque é um dos mais importantes nomes deste segmento musical. O The Roots fez uma apresentação dançante, com muito swing e cheia de magnetismo - muitos que estavam por perto paravam para admirar a apresentação.

Beck vence Lana e o Blur encerra com chave de ouro

Em um festival com Blur e Beck é de se impressionar a superioridade númerica dos fãs de Lana Del Rey. O show da moça era o mais aguardado da noite, e assim que o show de Travis acabou não dava para chegar próximo do palco, tamanha era a presença dos seguidores da diva. Com um vestido branco e camuflada com inocência de uma Lolita, Lana cantou “Blue Jeans”, “Video Games” e “Cola”. Logo no começo ela desceu as escadas do palco para beijar e abraçar os fãs na grade. "Obrigado por me lembrar o motivo de eu cantar", declarou a cantora.

O “sensual sem ser vulgar” dela, no entanto, tem prazo de validade - três músicas, no máximo. A voz suave e afinada se mistura a uma boa presença de palco, mas sem o impacto necessário para atrair multidões. A imagem de diva jovem e sexy se limita ao rosto e vestuário - na parte musical não existe o mesmo êxito. A regulagem do som também não ajudava, pois inúmeras vezes o barulho do Palco Smirnoff ultrapassava seus limites e se misturava com o Terra. Ainda assim, durante uma hora e meia de apresentação Lana não conseguiu segurar muitos curiosos ou fãs do Blur, que em pouco tempo decidiram assistir a apresentação de Beck - uma ótima escolha.

De paletó justo, blusa de botão estampada e seu tradicional chapéu, Beck começou o show com "Devil's Haircut". Sua mistura de rock, blues e música eletrônica não poderia ter funcionado melhor para o encerramento do palco secundário do Planeta Terra. Conversador, o cantor arriscou passos de break, tocou gaita e fez cover de Michael Jackson, cantado em uníssono pela plateia. Sucessos como "Loser", "Modern Guilt" e "Where It's At" também fizeram parte do repertório.

Com pontualidade britânica, às 21h30 o Blur iniciou o último show do festival. Há 13 anos sem passar pelo país, Damon Albarn e Cia pareciam se divertir bastante com uma plateia ativa - muitos haviam deixado o local após Lana. O grupo ainda conta com uma química ímpar, sem contar com a qualidade musical dos integrantes. Albarn foi simpático com o público, sempre jogando água nos mais próximos, agradecendo o entusiasmo e incansável no microfone.

O show dos britânicos comprovou a importância que têm no cenário musical recente e fechou com chave de ouro o Planeta Terra. A troca de local favoreceu à movimentação das pessoas e facilitou o transporte - metrô era próximo e só fecharia horas depois do evento. Por outro lado, a localização dos palcos fez com que o som de um atrapalhasse o outro. Havia uma boa variedade de bebidas e comida, mas os caixas eram escassos e com um atendimento lento, podia-se perder uma hora dependendo do lugar escolhido.

A qualidade musical do Planeta Terra, no entanto, não deixou a desejar. Mesmo sem esgotar os ingressos, a seleção do festival foi de primeira qualidade - talvez faltasse um nome mais forte ou um preço menor para os ingressos. Quem foi pelo Blur, The Roots, Travis ou Beck não se arrependeu; até mesmo os fãs de Lana não devem ter se decepcionado. À parte alguns problemas de organização, o êxito do Planeta Terra 2013 foi trazer ótimos e raros shows ao Brasil.

Nota do Crítico
Bom