P!nk - Hurts 2B Human

Créditos da imagem: Divulgação/P!nk

Música

Crítica

P!nk - Hurts 2B Human

Cantora fala sobre seus medos e paranoias em álbum profundo

Felipe Cotta
26.04.2019
18h10
Atualizada em
26.04.2019
18h09
Atualizada em 26.04.2019 às 18h09

P!nk chega em seu oitavo álbum e assume de uma vez por todas sua crise dos (quase) 40 anos. Mas calma: apesar do nome, Hurts 2B Human não é um disco depressivo. Há, sim, momentos de melancolia sustentados por baladas grandiosas - como na ultra confessional "Circle Game" onde ela sofre com a passagem do tempo ao ver sua filha e se lembrar de seu pai - mas, em sua maior parte, o álbum acelera o ritmo e explora uma grande variedade de estilos.

Na verdade, P!nk quer mostrar que sabe passar bem por qualquer território musical em que se aventure e, com vinte anos de carreira, ela conquistou há tempos o direito de experimentar o que bem quiser. Por isso, Hurts 2B Human é um grande caldeirão de tendências pop, super pensado para estourar no rádio e no seu serviço de streaming preferido, com uma produção meticulosamente impecável e adulta.

Parte da responsabilidade deste resultado é a lista de parceiros com a qual P!nk se juntou para botar de pé seu novo repertório. O elenco vai de ninguém mais ninguém menos do que Beck - em "We Could Have it All" - até Chris Stapleton, passando por Khalid, Wrabel e até Nathaniel Ruess. Ou seja, muitas mentes incríveis que pensam diferente produzindo uma mistura no mínimo inusitada.

A faixa "Hustle", com sua pegada funkeada e melodia inteligente é um dos pontos altos do álbum. Junto com "(Hey Why) Miss You Sometime" estão entre as mais competentes músicas que P!nk fez desde "Beautiful Trauma". "Can We Pretend", "90 Days" e "Walk Me Home" são bons exemplos da mistureba (no bom sentido) que é Hurts 2B Human. Em "Courage", escrita em parceria com “apenas” a Sia, ela brilha em vocais magníficos e mostra que, sob a colcha de retalhos sonora que costurou em seu novo trabalho, se esconde uma mulher totalmente vulnerável mas sem medo de questionar suas angústias.

E aí o nome do disco faz sentido. Hurts 2B Human é muito mais profundo do que o que aparece na superfície cheia de estilos musicais. Por baixo dela, P!nk confessa que já odiou seu corpo, que não precisa ser perfeita, que talvez esteja muito assustada para ser feliz.

Nesse sentido, o álbum é quase conceitual. Se as músicas são ecléticas sonoramente, as letras são uma grande conversa com o espelho, onde P!nk fala sobre seus medos e paranoias. E isso traz graça ao álbum: ela soube misturar convidados de diversas praias e explorar vários territórios, mas sempre com seus desabafos pessoais ligando os pontos. Nem sempre a montanha-russa musical funciona - altos e baixos demais podem deixar o disco meio sem identidade, mas no geral o resultado é ótimo.

Hurts 2B Human pode não ter o mesmo impacto dos primeiros álbuns, mas é o retrato fiel de uma estrela pop que ainda sabe brilhar em seu lugar atual, transformando seus mais profundos demônios em música boa, competente e divertida.

Nota do Crítico
Ótimo