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Crítica

Paramore - After Laughter | Crítica

Grupo enfrenta novo começo com mistura de wave/eletrônica e letras ásperas

Felipe Cotta
12.05.2017
10h43
Atualizada em
12.05.2017
11h05
Atualizada em 12.05.2017 às 11h05

Após um hiato de praticamente 4 anos e (mais) uma fase turbulenta nos bastidores, o Paramore ressurge ainda mais forte e prova que consegue sobreviver novamente às idas e vindas da sua formação. Agora, a banda é, oficialmente, Hayley Williams, Taylor Yok e Zac Farro.

Paramore novo disco - After Laughter

Assim como aconteceu logo após o sucesso de Riot, a banda passou por maus bocados agora porque o ex-baixista Jeremy Davis resolveu processar os colegas de grupo. Aparentemente as coisas ficaram ruins pra ele quando a banda virou um trio para fazer o autointitulado disco de 2013.

Dessa desavença veio ainda mais força e inspiração para o novo álbum, After Laughter. O título é curioso e transmite uma certa noção de alívio, ou de busca por esse alívio. Depois de toda a turbulência chegou a hora de desanuviar, de rir um pouco, de relaxar, de curtir um merecido tempo de boas energias.

E foi exatamente o que fizeram, musicalmente falando pelo menos. After Laughter chega para mergulhar  mais fundo na transição do som punk-pop para uma pegada bem mais dançante, eletrônica e new wave, cheia de cores e empolgação. A capa do disco também mostra que os tempos são outros: uma mistura despreocupada de tons e até uma ilusão de ótica entrou na brincadeira. Será o novo Paramore uma ilusão? Estamos vendo/ouvindo direito? Ainda é a mesma banda? Temos que olhar fixamente para descobrir.

A resposta é: sim. Ainda é o Paramore de sempre, com o direito adquirido de soltar-se e fazer o que bem entender. O resultado é esplêndido, e faixas como a deliciosa "Told You So" mostram isso. O recado é áspero e ácido, mas a sonoridade é leve, pulsante, como uma vingança bem planejada. E vai fazer você bater o pé no ritmo e assoviar a melodia.

"Grudges", "Fake Happy", "Forgiveness" e "Hard Times" estão entre as melhores do álbum e deixam claro que apesar de toda a suposta “alegria” e tons coloridos, a banda amadureceu ainda mais (como se já não tivessem amadurecido depois de tantos obstáculos no meio do caminho) e faz um som adulto, antes de qualquer coisa. Não existe rótulo. Existe uma sensação de cansaço logo abaixo da camada de felicidade que transborda nas músicas. E é compreensível.

O mais interessante é perceber que isso não aparece em nenhum momento como ponto positivo ou negativo. É simplesmente como as coisas são e a vida deve seguir em frente. Há um desabafo claro em “Tell Me How”, onde Williams confessa estar cansada de novos começos. Mas, apesar do cansaço dela, os novos começos estão cada vez melhores no Paramore - ouça o disco na íntegra.

Nota do Crítico
Ótimo