Música

Crítica

Panic! At The Disco - Pray For The Wicked

Panic! At The Disco mantém identidade, mas se aprofunda em pop em novo álbum

Julia Sabbaga
25.06.2018
17h45
Atualizada em
29.06.2018
14h30
Atualizada em 29.06.2018 às 14h30

Quando ele estourou em seu álbum de estreia, em 2005, o Panic! At The Disco conquistou os fãs do emo-punk e do pop ao mesmo tempo. A sonoridade do punk adolescente do hit marcante "I Write Sins Not Tragedies" se manteve em grande parte durante toda a discografia da banda liderada por Brendon Urie até hoje, e mesmo em seu sexto álbum, Pray For The Wicked, lançado este mês, é possível ver traços da adolescência do início dos anos 2000. Mas ao invés de continuar em um som envelhecido, o grupo amadureceu com estilo, e se aprofundou no pop, entregando um trabalho consistente e cativante.

Instagram/reprodução

Pray For The Wicked tem uma característica que salta aos ouvidos, um elemento que também sempre esteve lá, mas desta vez mais do que nunca; a teatralidade da banda, com o seu som de espetáculo, passa pelas 11 faixas distintamente. Isto pode ser rapidamente ligado ao fato de que Urie acabou de passar pela Broadway, marcando os palcos do musical Kinky Boots no papel do protagonista. A influência que ficou nas composições de Urie não ficaram apenas na musicalidade; referências à sua passagem pelo teatro estão também nas letras do disco.

Mas quando se fala em tema, o disco é envolto por algo maior; a conquista da fama, a grandeza do sucesso e a decadência de Hollywood. Isto, casado com a habilidade do músico de lidar com temas frequentemente espirituais – referências religiosas estão presentes por todo o álbum, desde o título, ao recente single “Say Amen (Saturday Night)” – cria um disco mais profundo do que ele parece. Por mais pop que ele seja, Urie cria um som com uma sagacidade real. Ainda mais, porque ele constrói letras que transparecem honestidade; “Roaring 20s”, por exemplo, fala explicitamente sobre o nervosismo do vocalista de ir à Broadway.

Pray For The Wicked é, do início ao fim, um álbum de excessos. Se aprofundando ainda nos temas da fama, Panic! At the Disco corre o risco o tempo inteiro de soar fantástico demais, mas é por diversas vezes puxado para baixo com uma dose de melancolia. E depois de 10 faixas absolutamente grandiosas, com coros, batidas eletrônicas e o vocal distintamente agudo de Urie, Pray For The Wicked finaliza surpreendentemente com uma de suas melhores faixas: “Dying In LA” descreve a destruição dos sonhos de um viajante que tenta a chance em Los Angeles. O tema é tratado tão diretamente e com tanta simplicidade, que resulta em uma bela canção devastadora sobre ilusões e fracassos.

Urie tem uma capacidade inegável de criar melodias reconhecíveis instantaneamente, e como sempre, isto é fácil de ver no novo álbum. Em quase toda faixa, ele entrega um gancho que faz pensar "como ninguém fez isso antes?", e esta habilidade combina mais com o pop do que qualquer coisa. Mesmo assim, o que acabou fazendo no falta para o Panic! At The Disco em 2018 foi o tempero afiado do rock. Por mais que tenha entregado um trabalho sólido e realmente cheio de grandes momentos -  os singles "Say Amen (Saturday Night)" e "High Hopes", além de "King Of The Clouds", e "Roaring 20s", com seu ótimo fim - o conjunto atingiu seu objetivo muito bem, mas ainda deixa a desejar por momentos menos eletrônicos e exagerados. 

Nota do Crítico
Bom