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Crítica

O Rappa em São Paulo | Crítica

Banda carioca faz ótima apresentação e aumenta expectativa para o novo disco

Thiago Romariz
30.09.2012, às 02H26
ATUALIZADA EM 04.11.2016, ÀS 19H00
ATUALIZADA EM 04.11.2016, ÀS 19H00

Quase uma hora e meia depois do horário previsto, Bruce Buffer, o icônico apresentador do UFC, apareceu no telão do Credicard Hall, em São Paulo, nesta última sexta-feira (29), para apresentar O Rappa. Liderado pelo carisma e os longos dreadlocks de Falcão, o grupo entrou em um palco ilustrado por três grandes telões e uma cenografia que lembrava barracos de favelas brasileiras - decoração característica do último DVD da banda, Ao Vivo na Rocinha. Dos primeiros acordes até o agradecimento final, O Rappa provou porquê é reverenciado internacionalmente e mesmo depois de passar quase dois anos parado, ainda é símbolo do talento e diversidade do rock brasileiro.

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Fotos: AGNews

O início da apresentação veio com alguns versos de "Porradão de 5", de Rashid, que puxou o hit "Reza Vela", do quarto disco d'O Rappa, O Silêncio Q Precede o Esporro (2003). Com os braços para o alto e fazendo literalmente o chão do tremer, o público continuou a cantar alto em "Meu Mundo é o Barro" e "O Que Sobrou do Céu". Ainda em êxtase, a plateia viu a banda desfilar músicas com arranjos diferentes, como "Hóstia" e "Tumulto", sem que nenhuma delas perdesse a identidade. Com as introduções feitas pelo DJ Negralha, que sempre sampleava algum hip-hop, reggae ou rap, cada começo de canção ganhava um pouco mais de entusiasmo, fazendo com que o ritmo do show não caísse.

Após voltar para 1999 e cantar "Homem Amarelo", de Lado B Lado A, o grupo inexplicavelmente saiu do palco por alguns minutos. O público descansava dos pulos e gritos ao som de alguma música aleatória, quando o guitarrista Xandão voltou e trouxe consigo uma das surpresas da noite, repetindo o que foi feito no Lollapalooza Brasil. Apresentadas por Falcão como As Raparigas, seis mulheres munidas de violinos e violoncelos entraram no palco para dar mais diversidade ao som da banda. As cordas comandadas pelas moças deram um tom épico à "LadoB LadoA", "Hey Joe", "O Salto" e "Minha Alma" - esta antecipada por um belo solo do baixo de Lauro Farias.

Com as músicas trazendo um compasso mais lento ao concerto, era chegada a vez de Marcelo Lobato viajar nos seus sintetizadores e teclados, antecipando a bela "Súplica Cearense" - cântico nordestino escrito pelo sambista Gordurinha, que como "Vapor Barato", de Jards Macalé, foi repaginada pelo Rappa no início da década passada e ganhou um arranjo voltado para o reggae. Entre uma faixa e outra, Falcão deixava clara a reverência a nomes importantes da música brasileira, não importando região de origem ou a vertente escolhida. Mesmo que estivesse inspirado pelo calor da plateia, nenhuma das palavras soavam vãs; cada lembrança tinha seu reflexo exposto nas notas que a banda tocava.

O frenesi dos primeiros momentos da apresentação voltou com dois dos maiores sucessos de O Silêncio Q Precede, "Rodo Cotidiano" e "Mar de Gente". Com quase 20 músicas tocadas em duas horas de apresentação, O Rappa começou o terceiro e último ato do show com "Tribunal de Rua", seu rap urbano que, mais uma vez, foi cantado em alto e bom som pelos presentes. Em seguida, com a volta das Raparigas e o solo de bateria de Cleber Sena, "Pescador de Ilusões" parecia ser o encerramento perfeito. Mas, felizmente, a banda entregou quase três horas de show com a adição de sucessos como "Papo de Surdo e Mudo", "Me Deixa", "Cristo e Oxalá" e um bem-vindo e rearranjado repeteco de "Meu Mundo é o Barro", que deu fim à apresentação.

Com suas letras de cunho social e melodias que difundem a história da música brasileira, além da indispensável simpatia de um vocalista que não só canta, mas sente cada verso que pronuncia, O Rappa aumenta a ansiedade dos fãs para seu novo disco, previsto para sair ainda em 2012. Nos anos 90, eles, ao lado de músicos como Chico Science, começaram um resgate das raízes do som brasileiro, que trouxe consigo a revigoração do samba e da black music nacional. Quem sabe esta nova empreitada não traga um sopro de vida ao tão carente rock nacional.

Nota do Crítico
Bom

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