Música

Crítica

Noel Gallagher’s High Flying Birds – Who Built The Moon? | Crítica

Na batalha entre quem faz o melhor álbum pós-Oasis, Noel deixa Liam no chinelo

Julia Sabbaga
24.11.2017
12h02
Atualizada em
29.06.2018
02h43
Atualizada em 29.06.2018 às 02h43

Afastar-se da sonoridade do Oasis; esta foi a ideia que Noel Gallagher colocou em prática em Who Built The Moon?, terceiro álbum de sua banda “solo”, High Flying Birds. Lançado poucas semanas após o álbum de seu inegável rival Liam Gallagher, o novo álbum do irmão mais velho é um trabalho à parte de tudo que os dois fizeram desde o fim da banda que acabou em 2009.

Em entrevista à Rolling Stone, o compositor disse que o mérito do disco está, em grande parte, em seu produtor. David Holmes, nome pouco conhecido no mundo da produção, acompanhou o processo de composição desde o começo. Segundo Gallagher, toda vez que o músico tocava algo que parecia Oasis, Holmes mandava recomeçar: “Você já fez isso. Você é o melhor do mundo nisso. Por que não tenta fazer outra coisa?”.

E foi isso que Noel fez. Logo na primeira faixa do álbum ele deixa claro que o disco será singular. Abrindo com o single "Fort Knox", Noel Gallagher solta algo completamente inesperado: delays, distorções, efeitos sonoros e instrumentos flutuam em uma atmosfera completamente recheada, e o pouco vocal que a música tem acrescenta para a brisa que o compositor estabelece. São 13 faixas que inovam em todos os sentidos. Com exceção da voz, que é inconfundivelmente Gallagher e por isso remete a Oasis, o disco lembra muito mais Radiohead, Flaming Lips e Beck.

A animada “Holy Mountain”, segunda faixa do disco e primeiro single lançado, é como um rockabilly moderno. Com estilo de Chuck Berry, Noel Gallagher canta um refrão cativante que parece anos 50 mas está envolvido pela modernidade. Os backing vocals, um dos pontos fortes do disco, preenchem o fundo muito bem. O disco segue com “Keep On Reaching”, com uma batida marcada e sopros grandiosos ao fundo, e depois “It’s A Beautiful World”, uma faixa absorvente, mais lenta e sedutora.

As influências de Radiohead ficam mais óbvias nas instrumentais “Wednesday” parte um e dois, e antes da faixa bônus ao vivo o disco fecha com a faixa-título, uma viagem mais pesada e intensa marcada por sons graves.

O disco funciona muito bem, do começo ao fim. Arriscar é difícil, principalmente para um compositor que dominou o mundo do Rock por anos com o Oasis. Não é à toa que os álbuns lançados pelos irmãos Gallagher desde o fim da banda sempre remeteram ao passado. Mas Noel Gallagher acertou em cheio em deixar a sonoridade do grupo para trás e criar um novo som: sua inovação resultou em um álbum que é certamente um dos melhores do ano. 

Nota do Crítico
Excelente!