Música

Crítica

Nicki Minaj - Queen

Nicki Minaj estabelece reinado afiado comprovando sua independência em Queen

Julia Sabbaga
13.08.2018
15h44

Nicki Minaj é uma das maiores artistas desta geração. Até para quem não gosta do estilo, a constatação é irrefutável; em 2017, a rapper ultrapassou Aretha Franklin e se tornou a cantora mulher com o maior número de hits na Billboard Hot 100, um total de 76 músicas na lista em sua carreira, que tem pouco mais de dez anos. Por isso, quando a rapper anunciou que o título de seu próximo álbum seria Queen, ninguém estranhou.

Nicki Minaj

Nicki Minaj
Nicki Minaj/Young Money/Divulgação

O disco, no entanto, não veio fácil. Depois de diversos anúncios mal calculados e deslizes que levaram a atrasos, Queen pareceu um trabalho difícil de sair. Mas Minaj fez jus ao seu título com um toque de mestre: quando todos já haviam se acostumado com os atrasos anunciados, ela simplesmente lançou o disco uma semana antes da última data confirmada. A estratégia foi quase que a constatação de que a rainha continuará imprevisível, não importa o que a mídia ou os fãs achem disso.

Talvez por isso, ou pelo seu título, Queen foi lançado, e soa, como se a rapper tivesse algo a provar, e com suas 19 faixas, o trabalho atinge o objetivo. O quarto álbum de Minaj não apenas deve marcar como o seu melhor até agora, como evidencia dois fatos importantes para uma rapper: ela sabe segurar a barra sozinha, mas também consegue desfrutar muito bem de suas colaborações.

Queen começa com a força de poucos álbuns. "Ganja Burns", "Majesty" e "Barbie Dreams" compilam uma trinca exemplar que eleva o disco a um outro patamar logo em seu início. A faixa de abertura, além de melodiosa, traz Minaj confiante como nunca, declarando sua autenticidade e proclamando seu talento do jeito mais afiado possível e desafiando imitadores. A sequência, que traz a rapper em parceria com Eminem e Labrinth, é provavelmente a melhor colaboração do álbum; enquanto o cantor inglês faz a performance de um dos refrões mais grudentos (e totalmente pop) de Queen, o rapper também não deixa por pouco e faz um verso quase tão rápido quanto da aclamada "Rap God". A trinca de início fecha com chave de ouro com "Barbie Dreams", uma referência direta à faixa "Just Playing (Dreams)", de The Notorious B.I.G.. Nela, Nicki Minaj lista rappers e cantores e justifica seus desejos sexuais com cada um deles. Sem deixar barato, ela cita DJ Khaled, 50 Cent, Young Thug, Quavo, Eminem e muitos outros, tecendo uma letra como poucas artistas da atualidade fariam.

Infelizmente, a partir daí, o disco perde a força, afinal, é difícil manter o fôlego com 19 faixas (e aproximadamente 1 hora de 10 minutos de duração). Minaj ainda brilha na parceria com Ariana Grande, “Bed”, e com Future em “Sir”, mas foca seus talentos nas faixas em que está sozinha, como "LLC", "Good Form". Provando que não é apenas nos versos rápidos que ela explicita sua habilidade, a cantora também entrega a melhor balada do disco quando está sozinha: "Come See About Me", supera a colaboração com The Weeknd, "Thought I Knew You" em arranjo, letra e batida.

Minaj fechou Queen perfeitamente chamando Foxy Brown para a agressiva "Coco Chanel". A parceria das duas rappers de Trindade e Tobago são a última confirmação do talento feminino do gênero no disco. Apesar da longa duração, Queen é uma vitória de Nicki Minaj, que estabelece seu reinado demonstrando seus poderes de composição e sua independência, apesar das turbulências. 

Ouça Queen

Nota do Crítico
Ótimo