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Crítica

Miley Cyrus - Younger Now | Crítica

Sem pretensões de grandiosidade, vocalista faz o melhor álbum de sua carreira

Julia Sabbaga
29.09.2017
12h09
Atualizada em
29.09.2017
13h02
Atualizada em 29.09.2017 às 13h02

As grandes figuras do pop sempre foram mestres em se reinventar, e parece que estamos em uma era frutífera para isso. Atualmente, temos novas imagens das maiores popstars da nossa geração: Beyoncé ativou seu lado politizado, Lady Gaga tirou as fantasias, Taylor Swift virou durona, Katy Perry revolucionou sua imagem e até Lana Del Rey, a rainha da depressão, ficou feliz. Isso não seria exceção para Miley Cyrus, que já transformou sua personalidade diversas vezes. 

Os motivos das mudanças das vocalistas vêm de diferentes fontes, mas parece que existe pelo menos uma razão em comum entre todas: em um novo Estados Unidos, as líderes da indústria pop sentiram a responsabilidade de usar sua relevância para inspirar o otimismo e fazer discursos por algo maior.
 
Cyrus faz isso em seu novo trabalho, Younger Now. A sonoridade do álbum, por si só, já surpreende. Desprendendo-se de seus últimos lançamentos, desta vez a cantora se inspira fortemente nas raízes da sua família, formada por ícones da música country americana. A transição deu muito certo; assim como seu pai Billy Ray Cyrus e sua madrinha, Dolly Parton, Cyrus tem uma voz perfeita para o estilo, e parece ter encontrado um som em que realmente se sente confortável, sem parecer forçado.
 
Que fique claro: Younger Now não é um álbum country, mas a pegada geral está permeada o tempo inteiro pelo gênero, até em faixas mais pop, como "Thinkin'" e "Love Someone". Talvez por isso, a mistura, essas sejam as canções mais fracas do disco. No trabalho, quando ela se baseia mais no estilo sulista, a música fica mais poderosa: os destaques são a faixa-título, "Rainbowland", "Week Without You" e a que fecha o disco, "Inspired". 
 
Já na primeira faixa, a vocalista deixa claro o que estaria por vir. A música que dá nome ao disco explica a revolução de Cyrus logo no começo: "Mudança é algo garantido". Em entrevista à NPR, a cantora explicou que "Younger Now" traz o significado de se sentir jovem finalmente, importante para uma garota que, em 2013, aos 21 anos, polemizou e surpreendeu o mundo sexualizando sua imagem que, até então, era famosa como a pura Hannah Montana. 
 
"Rainbowland" merece mais atenção, não só por trazer o ótimo vocal de Dolly Parton, mas por ser uma música de aceitação da diversidade e um pedido de um mundo melhor: "Eu estaria mentindo se dissesse que está tudo bem, com todo o ódio e a dor acontecendo aqui. Somos arco-íris eu e você, todas as cores, todos os tons, vamos deixar isso claro". A tentativa simples da cantora de fazer um hino da diversidade foi certeira. Sem pretensões de grandiosidade, a faixa é um belo pedido de mudança. 
 
O álbum tem uma profundidade maior que os trabalhos passados de Cyrus, traz novos instrumentos para acompanhar a voz, momentos acústicos, e arranjos de cordas. Tudo isso resultou em um disco bonito e otimista. Ela amadureceu se rejuvenecendo: foi ao permitir que agisse de acordo com sua idade que a vocalista de 24 anos fez o melhor álbum de sua carreira.
 
O momento do pop atual é bonito de ver, com tantos modelos para as novas gerações buscando se tornar inspirações otimistas e esperançosas. Cyrus fez isso com maestria e, mais importante, sem forçação de barra. 
 
Ouça Younger Now:
 

Nota do Crítico
Ótimo