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Crítica

Maroon 5 - Red Pill Blues | Crítica

Em novo álbum, Adam Levine está confortável em fazer mais do mesmo

Julia Sabbaga
03.11.2017
12h04
Atualizada em
03.11.2017
19h04
Atualizada em 03.11.2017 às 19h04

Red Pill Blues, o sexto álbum do Maroon 5, já chegou polemizando. Infelizmente, não pelo som, que não acrescentou nada de novo ao estilo da banda. Na verdade, o novo disco da trupe de Adam Levine recebeu diversas críticas por trazer, em seu título, um termo utilizado por um grupo conservador que defende os "direitos dos homens". Em uma época de feminismo em alta, o grupo foi reprovado por todos os lados e, mal lançou o disco, já teve que se explicar. Segundo a banda, o título é apenas uma referência as pílulas do filme Matrix, e não tem nada a ver com o grupo anti-feminista.

A controvérsia é o fator mais intrigante que envolve Red Pill Blues. Fora isso, o novo trabalho do Maroon 5 traz o que a banda vem fazendo desde seu segundo álbum, It Won’t Be Soon Before Long, mas mais ainda desde o álbum de 2012, Overexposed. Cada vez mais eletrônico, o Maroon 5 entregou mais um álbum do pop mais dançante possível, com alguns destaques, mas pouca emoção.

Red Pill Blues traz uma coleção enorme de produtores e participações especiais. Talvez por isso, o novo trabalho pareça menos uma coleção de músicas coesa e mais uma compilação de diversos singles. As colaborações de grandes nomes do pop, como Kendrick Lamar ou SZA é um dos pontos positivos do álbum, por quebrar a monotonia em faixas como “Whiskey” (com participação A$AP Rocky) e “Cold” (com Future).

Mas apesar de não inovar em nenhum sentido, o álbum tem alguns destaques. O single pegajoso “What Lovers Do”, com SZA, é um ótimo pop cativante, que cumpre sua missão de não sair da cabeça. “Bet My Heart” dá um descanso as batidas grandiosas para trazer uma melodia mais simpática e mostrar Adam Levine mais vulnerável, e criar um clima mais diferente. Com seu vocal agudo impressionante que marca todas as faixas, Levine carrega bem “Help Me Out”, com ajuda da cantora Julia Michaels. A versão standard do álbum termina com “Closure”, uma faixa de mais de 11 minutos, onde o Maroon 5 pode demonstrar mais o seu poder de criar grooves mais R&B, potencial que carregou a sua carreira desde a estreia de 2002, Songs About Jane. Em “Closure”, não só Adam Levine canta com um balanço mais melodioso e menos dançante, como ainda termina com um jam de mais de oito minutos da banda, que mostra os instrumentistas em boa forma e um saxofone simpático fechando o trabalho. Na versão deluxe, a banda ainda traz a ótima “Denim Jacket”, onde o frontman encarna um Ed Sheeran e faz uma canção romântica com bons backing vocals.

Brilhando em algumas faixas, a banda de Levine está confortável em seguir a carreira fazendo mais do mesmo, hit atrás de hit. Ouça Red Pill Blues:

Maroon 5 também tocou no primeiro dia da edição 2017 do Rock in Rio - leia sobre o show.

Nota do Crítico
Regular