Mark Ronson - Late Night Feelings

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Música

Crítica

Mark Ronson - Late Night Feelings

Produtor lança álbum recheado de talento, mas assombrado pela qualidade de seu primeiro single

Julia Sabbaga
26.06.2019
16h01

Mark Ronson é um daqueles nomes na música atual cujo talento é difícil de questionar. O homem por trás de álbuns como Back to Black, da Amy Winehouse e Joanne, da Lady Gaga, e de sucessos como “Uptown Funk” (Bruno Mars) e “Valerie” (Winehouse) já comprovou sua capacidade de emplacar hits inúmeras vezes. No seu quinto álbum, Late Night Feelings, o músico retornou para se aprofundar em um estilo único: a melancolia dançante.

Late Night Feelings começou a ser divulgado no ano passado, com o single em parceria com Miley Cyrus, “Nothing Breaks Like a Heart”, um triunfo em todos os sentidos. A melodia e os toques country em um arranjo eletrônico com a voz característica de Miley e uma letra tanto cortante como estilosa animaram apostas de que Late Night Feelings seria uma pedrada do melhor pop possível. E enquanto diversas faixas do novo álbum chamem atenção de diferentes maneiras, o primeiro single do álbum acabou mais por frustrar quem esperava um novo hit do mesmo nível. Não entenda mal: Late Night Feelings é ótimo. Ele só não é excelente como a parceria com Miley Cyrus.

Para o seu novo álbum, Ronson escolheu trabalhar apenas com vozes femininas, o que colaborou perfeitamente para a ambientação buscada pelo produtor. Há um sentimento persistente de ânsia ardente que combina com as vozes escolhidas para as faixas, que passam por nomes como Lykke Li, King Princess, Yebba e Camila Cabello. Apesar de vozes totalmente diferentes e interpretações que flutuam, Late Night Feelings é absolutamente coeso tanto em tema quanto em clima. Ronson criou uma trilha de 13 faixas que soam como pós-balada, desilusão e ressaca, energias que combinam perfeitamente com o pop. Esta talvez seja a melhor qualidade do álbum; ele se aproveitou de uma temática interessante e soube concretizá-la como poucos fazem.   

O disco tem seus altos e baixos, mas isso acontece de modo natural, porque quando ele acerta, ele brilha. Além de “Nothing Breaks Like a Heart”, seus destaques são a faixa-titulo, com Lykke Li, que abre o álbum com uma batida que remete aos anos 80 combinada à uma sombriedade moderna; “Find U Again”, em que Cabello e Ronson mostram para o mundo o poder do mais puro pop; e “True Blue”, um synth-pop com Angel Olsen que soa como um sonho. Late Night Feelings também acerta muito bem quando brinca com outros gêneros, como acontece em “Truth”, que mistura sonoridades com R&B.

Late Night Feelings fecha como mais um trabalho exemplar de Mark Ronson, que se aproveitou de dores de um término de relacionamento para criar uma confissão melancólica cheia de energia. Mas o álbum foi prejudicado pelo padrão estabelecido pelo seu primeiro single, e mesmo com um tracklist exemplar, passa a sensação de uma expectativa nunca realizada. Felizmente, o sentimento faz total sentido com o clima de Late Night Feelings.

Nota do Crítico
Ótimo