Luis Fonsi | Vida

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Luis Fonsi | Vida

Mais pop e na trilha de “Despacito”, Fonsi acerta com álbum criado para audiências globais

Jacídio Junior
11.02.2019
15h52

“Despacito” continua sendo um divisor de águas na carreira de Luis Fonsi, artista porto-riquenho que entrega em 2019 seu primeiro álbum de inéditas em quatro anos, Vida.

O cantor, famoso no mercado latino e que anteriormente apresentava um trabalho focado no romantismo, após seu sucesso mundial, parece ter entendido como usar a fórmula do pop incorporando de maneira inteligente grande parte dos elementos mais marcantes e impactantes que a música latina pode apresentar.

Com isso em destaque, o novo projeto, mesmo trazendo faixas que o cantor tem trabalhado há um bom tempo (“Despacito” e “Échame La Culpa”, com Demi Lovato), é uma excelente surpresa ao entregar músicas dançantes misturadas às nuances da voz expressiva de Fonsi.

Logo na abertura, Fonsi faz uma aposta interessante, com a romântica “Sola”, que surpreende não só pela atmosfera, mas por ir além do que o porto-riquenho costumava mostrar em seus trabalhos anteriores.

Após esse momento, as portas se abrem para as 14 faixas restantes (três bônus) e a aposta na experiência de playlist - com quase uma hora de duração - funciona surpreendentemente bem para Vida, graças a unidade sonora que cria um bom trajeto para o disco, com mais altos que baixos.

Falando nisso, o álbum de Fonsi seria ainda melhor se não se perdesse nos momentos em que tenta trazer de volta elementos que marcaram sua carreira menos global e mais romântica, com faixas como  “Le Pido Al Cielo”, “Dime Que No Te Iras” e “Ahí Estas Tú”. Trinca que, sem dúvida, poderia ter ficado de fora do projeto.

Mas, ainda que essas faixas pareçam distantes do que o público que conhece Fonsi como um criador pop pode esperar, sequências como a dupla de abertura e a compreensão dos elementos que fazem do reggaeton um ritmo global, fazem do projeto algo especial dentro do universo musical contemporâneo.

Outro ponto que merece destaque como parte de Vida são as parcerias que, além de “Échame La Culpa”, com Demi Lovato e “Despacito”, com Daddy Yankee, ainda conta com “Imposible”, com Ozuna, e “Calypso” com Stefflon Don, criações que colocam em evidência como Fonsi tem talento para escolher seus parceiros e dividir o holofote, brilhando na medida certa com cada um dos convidados.

Por fim, com toda essa amálgama de sons e possibilidades, um disco que parece misturar tantas sensações e objetivos, acaba se mostrando como um dos mais interessantes como parte do pop latino radiofônico recente. Talvez não por sua originalidade, mas por não fugir da necessidade de manter um som dançante, com propostas acessíveis e tudo sem entregar uma sonoridade pasteurizada/hermética, algo que poucos artistas são capazes de fazer.

Com esse resultado em perspectiva, vale destacar que Vida é o 9º álbum de Fonsi e marca os mais de 20 anos de carreira do cantor que sempre esteve em destaque no mercado latino, produzindo e entregando suas músicas a partir dos Estados Unidos, país para o qual se mudou ainda adolescente.

Nota do Crítico
Ótimo