Música

Crítica

Justin Timberlake - Man Of The Woods | Crítica

Álbum experimental revela um popstar dividido

Julia Sabbaga
02.02.2018
13h28
Atualizada em
29.06.2018
02h40
Atualizada em 29.06.2018 às 02h40

A capa do novo álbum de Justin Timberlake, Man Of The Woods, já diz muito sobre o seu conteúdo. Cortado ao meio, o popstar do milênio aparece vestido de terno e preto e branco na parte de cima, como estamos acostumados a vê-lo, e de calça jeans e camisa de flanela na parte de baixo. Metade no tradicional pop funk-soul, metade em um novo espírito aventureiro e folk, Man Of The Woods traz Justin segmentado e caminhando em experimentações, que arrisca e cria resultados contrastantes.

Quando anunciou o lançamento de seu quinto disco com um vídeo promocional, Timberlake confundiu os fãs. O vídeo trazia o cantor em um campo aberto, em fogueiras e plantações de milho, dizendo que o álbum seria um retorno às suas raízes – entendidas não como musicais (que seriam o 'N Sync, no caso) mas de nascença mesmo: Justin nasceu em Tennesse, um dos estados americanos críticos para o desenvolvimento do country e do blues.

E depois do vídeo que criou expectativas de uma sonoridade folk, Timberlake surpreendeu com o lançamento de “Filthy”, e em seguida “Supplies”. As faixas dançantes e fortemente desenvolvidas do pop-funk já familiar do compositor, foram bem aceitas, mas de modo geral pegaram o público desprevenido. Talvez sem a jogada anterior, os dois singles tivessem agradado mais. Mas Timberlake não estava exatamente enganando o público quando fez o vídeo sobre o álbum. O terceiro single, “Say Something”, foi um passo na direção apontada. Com participação de Chris Stapleton, a faixa já foi recebida com frescor, e fez muito sentido. Man Of The Woods soa como a mistura dos singles lançados previamente, e revelam Timberlake com vontade de se reinventar, mas ainda com o pé firme no passado – musical, no caso - de onde o conhecemos.

A experimentação de Timberlake com novos estilos musicais faz completo sentido. Já faziam cinco anos desde o seu último álbum solo, e neste meio tempo Bruno Mars explodiu no ouvido do público. O novo queridinho do pop mostrou que Michael Jackson deixou outros discípulos tão capazes quanto o ex-boy band, e agitou o cenário do eletro-funk e R&B. No novo contexto, a direção de Justin vai no sentido de se reafirmar, e é bem válida.

Apesar de errar a mão em alguns momentos do disco, o risco tomado é admirável, e rendeu bons resultados no tracklist. A experimentação acrescenta novos instrumentos, que caminha com mais guitarras, mais violões, e trazem até percussões mais cruas e gaitas. Coros também ajudam a criar o clima mais selvagem e menos produzido em algumas músicas. Um dos exemplos mais diferentes do álbum nesse sentido traz até Alicia Keys como convidada, em “Morning Light”, a balada mais distante do popstar, seguida também por “The Hard Stuff". Mas entre as folks, as novas faixas “Man Of The Woods” e “Higher Higher” são as mais carismáticas. “Flannel” pesa um pouco a mão e chega a ser brega, mas mesmo assim não perde o charme. E quem sente falta do velho Justin também não vai se decepcionar, com faixas como “Sauce”, que tem um refrão inegavelmente contagiante, e “Breeze Of The Pond”, uma das melhores que traz Pharrell Williams na composição, e cheira à Daft Punk.

Apesar de entregar algumas boas faixas, o resultado geral do álbum não é grande coisa, e traz problemas em canções que caem para o cafona ou para o repetitivo (como em “Wave”, “Young Man” ou no péssimo interlúdio “Hers”, com a esposa do cantor, Jessica Biel, na voz). Mas tem validade pela experimentação e faz sentido com o lugar que Justin Timberlake tem hoje na música. Caminhando com faixas mais retraídas e menos dançantes, vai ser curioso ver como ele vai apresentar um álbum tão misto no espetáculo do Superbowl, no domingo.

Ouça Man Of The Woods:

Nota do Crítico
Bom