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Crítica

Jack White – Boarding House Reach | Crítica

Novo álbum do guitarrista soa como uma viagem sincera pela sua mente

Julia Sabbaga
27.03.2018
16h52
Atualizada em
29.06.2018
02h40
Atualizada em 29.06.2018 às 02h40

Logo no anúncio do lançamento de seu terceiro álbum solo, o guitarrista Jack Whitedeixou claro o que estava por vir: “é um álbum bizarro”. O músico já avisou, também, que a composição foi feita de modo absolutamente diferente do passado, tentando traduzir as músicas no modo que são criadas na sua cabeça, como se tentasse trazer à vida o mais realisticamente possível o processo criativo de sua mente, uma das mais valorizadas na crítica do rock 'n roll atual. Convidando músicos de outras bandas, principalmente do universo do hip-hop, White gravou o seu novo álbum em Nashville e lançou na semana passada, revelando exatamente o que havia descrito antes. Definitivamente, Boarding House Reach é um álbum bizarro.

facebook/reprodução

O disco é, em primeiro lugar, distinto de tudo que o músico já lançou até hoje. Caminhando por viagens sonoras e experimentações, o novo álbum soa como o seu trabalho mais sincero, e talvez por isso mesmo, seja tão confuso. Até “Connected By Love”, faixa que abre o disco e de longe a mais terrena no álbum, tem o seu estranhamento; ela não tem absolutamente nenhuma conexão com o resto do álbum, e poderia estar tanto em seu trabalho anterior, Lazaretto, como seu primeiro disco solo, Blunderbuss.

A partir da segunda música, “Why Walk a Dog?”, White inicia uma jornada complicada de instrumentações e jams, recheadas de sintetizadores, percussões inesperadas e arranjos que chegam a criar um incômodo, como é o exemplo de “Corporation”. Mas cada música traz um novo ingrediente ao projeto como um todo, um estilo distinto, ou, como é o caso de algumas faixas do álbum, são poemas musicados, como a ótima "Abulia and Akrasia" ou "Ezmerelda Steals the Show".

Eventualmente, Boarding House Reach soa como uma egotrip, e realmente ele não está distante disto, algo perfeitamente representado por "Get in the Mind Shaft", na qual White explica o início de sua jornada musical. De qualquer modo, fãs das melodias cativantes que White sabe criar ficarão felizes em receber faixas como “Over and Over and Over”, “What’s Done is Done” e até em “Ice Station Zebra”, apesar das eventuais brisas. “Humoresque” também é uma bela e fácil canção, mas já não é 100% White: a música é de Dvořák e letra de Howard Johnson.  

Como obra geral, Boarding House Reach acaba encaixando suas partes e formando uma bagunça egocêntrica, mas com propósito, onde o valor está principalmente em sua sinceridade. Com a capacidade e liberdade criativa de criar o que quiser, Jack White aproveitou uma oportunidade de convidar o ouvinte às ondas sonoras de sua cabeça. E enquanto o álbum possa parecer difícil de engolir, poucas pessoas sabem brincar com sonoridades com tanta autoridade quanto Jack White. 

Ouça Boarding House Reach:

Nota do Crítico
Bom