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Música
Crítica

Incubus - If Not Now, When? | Crítica

Banda tenta retornar com som diferente, mas obtém mais sucesso no formato antigo

FS
19.07.2011, às 13H05.
Atualizada em 20.01.2017, ÀS 19H06

Completando 20 anos de carreira, o Incubus está lançando seu sétimo trabalho de estúdio, If Not Now, When?. Depois de cinco anos sem qualquer material inédito, muitos fãs começaram a questionar o porquê da demora, já que a banda nunca havia passado tanto tempo sem gravar. Os músicos justificaram o hiato criativo com a necessidade de repensar seu som, e somente compor quando tivessem algo realmente novo e diferente.

A faixa-título, que abre o disco, deixa claro que esse "novo" foi encontrado. Seu ritmo e melodia são tão suaves que é quase impossível reconhecê-los como um produto desta banda. Mesmo que os músicos já tivessem explorado o pop anteriormente, nunca se aprofundaram tanto no gênero como aqui. O mesmo pode se dizer das canções seguintes, "Promises, Promises" e "Friends and Lovers", levemente mais aceleradas, mas ainda morosas em comparação com a maior parte do catálogo do Incubus. É de uma forma muito lenta e incomum, quando consideramos os demais trabalhos da banda, que o disco começa.

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A primeira música a ter uma velocidade semelhante às antigas é "Thieves" - que também introduz a guitarra elétrica, bem ao fundo, mas notável. Conforme o disco fica mais rápido, faixa a faixa, a banda também começa a apresentar arranjos mais complexos. Inicialmente, a voz de Brandon Boyd prevalece na mixagem, mais alta que os instrumentos, carregando as canções quase que por conta própria. Aos poucos, os outros integrantes se destacam e acrescentam sustentação às músicas. Infelizmente, por mais versátil e impressionante que seja a voz de Boyd, ela não consegue esconder a instrumentação simplista usada em várias canções - em especial a guitarra, tocada de maneira extremamente econômica durante toda a primeira metade do disco. Por mais que essa contenção seja interessante, e ajude a criar uma atmosfera voltada ao pop, ela acaba se traduzindo apenas como uma tentativa de emplacar o som diferente que a banda buscava.

Em "The Original", na metade do tracklist, ocorre uma grande mudança no curso do álbum. A canção começa como aquelas que a precedem - básica, pop e um tanto melosa -, no entanto, faltando pouco mais de um minuto para acabar, entra uma guitarra distorcida, marcando, surpreendentemente, o primeiro momento pesado do disco. Ela chega como um grande alívio, quase como se o guitarrista Mike Einziger estivesse provocando seus ouvintes até então, com sua presença comedida nas faixas anteriores. Em uma primeira audição, é a partir daqui que If Not Now, When? começa a ficar realmente interessante.

Mesmo a acústica "Defiance", que vem em seguida, já tem uma estrutura mais roqueira. Com somente dois minutos, ela dá igual foco à voz de Boyd e ao violão, e representa uma mudança no tom do disco. Logo após, a épica "In The Company of Wolves" retoma as influências de rock progressivo da banda. Durante sete minutos, ela traz uma excelente evolução, tensa e atmosférica, fundindo duas ótimas músicas em uma.

O retorno ao Incubus familiar continua em "Switchblade", e se consolida de vez em "Adolescents". A primeira, de batida acelerada, lembra o funk que se definhou em seus trabalhos mais recentes, mas agora faz um retorno bemvindo. Já a segunda consegue resumir perfeitamente a mistura de pop e rock que o grupo faz tão bem, graças a uma base de guitarra dinâmica e um refrão pegajoso. É um óbvio ponto alto de If Not Now, When?.

A boa qualidade de "Adolescents" deixa o ouvinte a desejar por mais canções desse tipo, mas ao mesmo tempo explica porque a banda sentiu que era preciso mudar. No decorrer de sua carreira, conforme amadureceram, seu som ficou mais sofisticado, incorporando diversas influências musicais. Seu álbum anterior, Light Grenades, trazia uma ótima harmonia de todos esses elementos sonoros. O problema se dá pelo fato de que, após Light Grenades, não havia muito mais o que acrescentar. Ao tentar fazer outra gravação no mesmo estilo, acabariam se repetindo, criando um trabalho essencialmente redundante. Por isso, a necessidade da busca por uma sonoridade diferente e de um hiato criativo.

Após seis álbuns, é difícil culpar um artista por querer evitar a repetição, e o Incubus certamente merece crédito por tentar - mas as tentativas de mudança encontram-se principalmente na primeira metade do disco, justamente onde estão as canções mais fracas. Assim, os primeiros 25 minutos se tornam um exercício de paciência para o ouvinte, pois a segunda metade contém faixas que se enquadram facilmente entre as melhores criações do Incubus até hoje. Em If Not Now, When?, os músicos obtiveram sucesso justamente quando ficaram mais próximos de seus trabalhos anteriores, indicando que encontraram uma fórmula para conciliar o velho com o novo. É uma pena que ela não foi aplicada a todo o disco.

Assista ao clipe de "Adolescents"
Assista ao clipe de "Promises, Promises"

Nota do Crítico

Bom
Fernando Scoczynski Filho

Comentários (0)

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Sucesso

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