Imagine Dragons - Origins

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Música

Crítica

Imagine Dragons - Origins

Imagine Dragons encontra profundidade ao fugir de sua fórmula

Julia Sabbaga
09.11.2018
16h59
Atualizada em
12.11.2018
08h29
Atualizada em 12.11.2018 às 08h29

A carreira do Imagine Dragons é algo quase inacreditável. Uma das bandas mais bem sucedidas comercialmente atualmente, o grupo liderado por Dan Reynolds estourou absurdamente logo em seu segundo single, “Radioactive”, faixa de abertura do seu álbum de estreia, que não apenas escalou nas paradas como também levou o Grammy de melhor performance rock. Em seus trabalhos seguintes, o grupo rapidamente se provou mestre em fazer pop de arena como poucos, e entregou hit atrás de hit, brincando com os limites do eletrônico, o pop e o pop rock.

A escalada da banda esteve sempre inegavelmente direcionada ao sucesso comercial, e nisso ela sempre foi feliz. Por outro lado, também sempre se esforçou em soar como algo mais profundo do que o mais puro pop, e cria letras que pretendem entregar visões sobre depressão, isolamento e problemas da modernidade, mas nunca realmente conseguiu atingir o nível de profundidade intencionada. O novo álbum, Origins, segue neste sentido, mas em alguns momentos, Reynolds consegue encontrar o equilíbrio certo entre a vulnerabilidade e a fórmula encontrada há tempos pelo grupo.

Origins serve como sequência de Evolve, disco do ano passado, e em muitos sentidos se assemelha ao seu antecessor. Só que desta vez, o grupo faz muito bem em arriscar, e trilhar caminhos sonoros mais diversos, que em alguns momentos vacilam, mas em outros provam que o risco vale a pena: por mais que o Imagine Dragons tenha encontrado a chave do sucesso, e saiba criar os sons prontos para rádio e perfeitos para os shows, já no quarto disco de carreira, o grupo precisa mostrar versatilidade, e em Origins faz isso muito bem com o eletrônico e modestamente com o rock. 

Enquanto a primeira faixa, "Natural", poderia entrar facilmente em Evolve, a partir de então o grupo flutua no desenvolvimento do disco. "Machine" é uma tentativa de se aprofundar no rock e chega à remeter a um Foo Fighters pasteurizado, principalmente pelo vocal mais rasgado de Reynolds. Em "Cool Out", a banda cria um pop despretencioso muito simpático, e em "West Coast", ela experimenta com uma sonoridade mais simples para chegar a um clima da costa oeste, acertando em uma melodia doce. Quando ela volta ao seu som tradicional, ela se aprofunda ainda mais no eletrônico, como em "Only", que lembra The Chainsmokers, ou a poderosa "Bullet In A Gun".

O maior acerto do álbum, no entanto, é quando o Imagine Dragons inverte completamente sua tática de versos e assume uma versão diferenciada do pop dos anos 80, em "Zero". Não somente a música é diferente de qualquer coisa que o Imagine Dragons já lançou, como ela funciona onde Dan Reynolds sempre quis acertar, na humanidade da letra. Ao descrever sua experiência adolescente, Reynolds acertou perfeitamente em uma vulnerabilidade familiar, e fez isso de um jeito moderno e estiloso. 

Origins fica na carreira do Imagine Dragons como um álbum muito justo, onde a banda se permitiu sair de sua fórmula garantida do mainstream e experimentar com novas direções. Ele não sai de jeito nenhum dos moldes do som do grupo, mas permite testar caminhos e tem um significado maior por isso; agora, o futuro do Imagine Dragons parece mais instigante, sabendo que o grupo sabe variar e pode surpreender em sua discografia. 

Nota do Crítico
Bom