Música

Crítica

Greta Van Fleet - Anthem of the Peaceful Army

Ao misturar o velho e o novo, banda cria um terceiro caminho musical interessante

Camila Sousa
30.10.2018
17h33

Deve ser difícil ser considerada a “salvação do Rock N’ Roll”. Essa é a pressão com a qual lida o Greta Van Fleet, banda de Michigan que começou a fazer sucesso nos últimos anos e tem sua sonoridade comparada com ninguém menos do que o Led Zeppelin. Antes de mais nada é bom deixar claro que sim, o Greta tem vários elementos que remetem à banda de Jimmy Page e Robert Plant e isso é tanto bom, quanto ruim.

Republic Records/Divulgação

Com pouco mais de seis minutos minutos, “Age of Man” abre Anthem of the Peaceful Army, o aguardado álbum de estreia do grupo. E quando o vocal de Josh Kiszka começa, o sentimento é uma nostalgia confortável, misturada com a descoberta de algo novo. A voz de Kiszka lembra Plant em vários momentos, mas ela também traz muito da nova geração do rock, uma renovação representada até na letra: “Marche para o hino do coração/para um novo dia/um novo começo”.

A escolha dessa canção para a abertura do álbum diz muito sobre o próprio Greta Van Fleet. Após falarem em algumas entrevistas que não se consideram os salvadores do rock, que vieram para somar ao que já existe, “Age of Man” soa como uma libertação. Eles mostram claramente todas as suas semelhanças com o Led Zeppelin e a partir de então desenvolvem o álbum de forma mais leve, sem esse peso. É assim que o Greta Van Fleet transforma comparações carregadas de uma grande responsabilidade em algo positivo. Eles poderiam lançar Anthem of the Peaceful Army para “provar” que não são parecidos com o Zeppelin, mas o caminho é praticamente o contrário. Eles assumem as semelhanças e usam essa abertura para mostrar suas próprias criações.

Esse sentimento fica claro na segunda faixa, “The Cold Wind”, que tem os músicos mais à vontade, experimentando paradinhas, solos e gritos animados, elementos positivos que estabelecem abertura para o começo de “When The Curtain Falls”. Com uma batida levemente descompassada, a música mostra que a banda teve tempo para brincar em estúdio e amadurecer um disco que era aguardado há muito tempo e poderia facilmente ter saído antes da hora.

Entre 11 músicas, o Greta Van Fleet também se aventurou em músicas mais lentas, como em “Watching Over”, uma “semi-balada” que começa triste, tem um solo de guitarra melancólico de Jake Kiszka, mas cresce em um grito forte do vocalista e deixa de ser uma balada simples, para se tornar um lamento poderoso: “Me pergunto quando vamos perceber/Isso é o que nos resta/e é o nosso fim”. E em “You’re The One”, uma música com sonoridade mais tradicional que é uma declaração de amor para uma linda garota (quem nunca?).

No fim das contas, o maior mérito do Greta Van Fleet é ser capaz de misturar uma musicalidade antiga com elementos novos e criar uma terceira coisa, um caminho musical diferente, que tem o melhor desses dois momentos. Claro, sempre existirão os fãs que consideram as semelhanças com o Led Zeppelin como uma “heresia”, mas para quem está disposto a ver outras camadas e ir além da primeira impressão, há uma boa surpresa.

 

Nota do Crítico
Ótimo