Música

Crítica

Foo Fighters - Concrete and Gold | Crítica

Banda lança álbum consistente, sem novidades, mas com belos destaques

Julia Sabbaga
18.09.2017
12h00
Atualizada em
29.06.2018
02h37
Atualizada em 29.06.2018 às 02h37

Dois anos depois de seu último lançamento, o EP Saint Cecilia (2015), o Foo Fighters lançou este mês Concrete and Gold, um disco com som pesado, cheio de guitarras e com maior profundidade sonora. A influência mais óbvia e, possivelmente, a maior qualidade do trabalho, é definitivamente a semelhança com os Beatles, trazendo até Paul McCartney como um dos convidados especiais. Mesmo assim, Concrete and Gold não se destaca na discografia do Foo Fighters, embora conte com alguns brilhos no tracklist.

Quando “Run”, o primeiro single, foi revelado, ficou claro que o novo álbum teria peso. A faixa conta com a guitarra e a voz de Dave Grohl em um tom agressivo, trazendo até berros estridentes do vocalista. A banda então lançou o segundo single, “The Sky Is a Neighborhood”, e tudo mudou. A música era completamente diferente, com um toque de balada e uma melodia bela que remete a “Because”, dos Beatles.  As características de cada um dos dois singles é uma descrição precisa do que a banda entregou em Concrete and Gold de modo geral: um bom som pesado equilibrado com toques de leveza. E acima de tudo, fortemente influenciado pelo quarteto de Liverpool.

Isso já fica bem claro na primeira faixa do álbum, “T-Shirt”. Abrindo o trabalho com um volume baixo e um vocal bem suave de Grohl por cima de um simples violão, o ouvinte espera por uma balada. Mas em um segundo, a faixa transborda vocais e guitarras e se transforma em puro Rock n’ Roll.

Para Concrete and Gold, o Foo Fighters pediu emprestado os talentos daquele que é, literalmente, produtor do ano. Vencedor de três Grammys por sua colaboração com Adele no último disco da cantora, 25, Greg Kurstin parece ter colaborado apenas em toques na produção, como as harmonias e arranjos vocais, que definitivamente se destacam no álbum. Na faixa “Make it Right”, isso fica bem claro, ainda mais com o discreto backing vocal de Justin Timberlake ao fundo. Mas a arrebatadora quarta faixa, o já citado single “The Sky Is a Neighborhood”, é onde a banda acertou em cheio nos vocais. Ao remeter a Beatles, Dave Grohl criou um pegajoso refrão que é, com certeza, uma das melhores coisas que o Foo Fighters já fez.

De resto, o som do disco não traz nenhuma surpresa à sonoridade tradicional da banda. Depois das quatro primeiras faixas, o miolo do álbum perde a força. La Dee Da”, “Arrows” e “Dirty Water” são faixas discretas e, apesar de bons refrões, poderiam passar batido. A última, que chegou a ser tocada ao vivo em algumas ocasiões antes do lançamento de Concrete And Gold, traz uma melodia tão característica do som da banda que poderia estar no trabalho de 1999, There Is Nothing Left to Lose.

A oitava faixa, Happy Ever After (Zero Hour)” é onde a referência aos Beatles fica mais clara. Caminhando na linha entre homenagem e cópia, Grohl faz uma faixa que tem a cara do álbum branco, como se sozinho compusesse uma parceria entre as melodias de Paul McCartney e letras de George Harrison. Apropriadamente colocada, a sequência é “Sunday Rain”, um pop rock simpático com McCartney na bateria, mas que também fez pouco proveito do convidado. O álbum termina com mais duas faixas características do Foo Fighters, “The Line” e a faixa-título, que traz como convidado o vocalista Shawn Stockman do Boyz II Men, fechando o álbum com beleza e melancolia.

O resultado de Concrete and Gold é sólido, sem grandes falhas, mas com altos e baixos e um potencial desperdiçado. Com três nomes de peso como participações especiais, o Foo Fighters não fez justiça a nenhum deles. O mesmo pode ser dito do produtor, que parece ter acrescentado pouco ao som. O álbum, porém, tem belos destaques para serem marcados na discografia do Foo Fighters, o que salva seu nono trabalho do esquecimento. 

Nota do Crítico
Bom