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Crítica

Dream Valley Festival 2013 | Crítica

Entre altos e baixos, evento se mantém como referência da música eletrônica brasileira

DM
19.11.2013, às 16H23.
Atualizada em 15.11.2016, ÀS 00H02

Realizado no Beto Carrero World pelo segundo ano consecutivo, o Dream Valley Festival reuniu, nos dias 15 e 16 de novembro deste ano, quase 40 mil pessoas para as apresentações de 27 DJs. Mais uma vez, o holandês Hardwell fechou o evento em grande estilo até as sete horas da manhã. A baixa ficou por conta das australianas do Nervo, que perderam o voo e não compareceram.

Outro nome que se destacou foi Steve Angello. O sueco mostrou um set empolgante, com lançamentos de seu selo e novidades que os fãs terão que esperar para adquirir. O alemão Thomas Gold também teve apresentação elogiada pelo público com mashups entoadas pelo público. O festival ainda contou com rostos conhecidos da música eletrônica como Afrojack, Bob Sinclair, Kaskade, Zedd e W&W.

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Mais um castelo em Santa Catarina

O Dream Valley foi sediado em Penha, Santa Catarina, casa do maior parque temático da américa latina, o Beto Carrero World. A cidade fica a 113km da capital do estado, Florianópolis. Sem percalços, a viagem dura um pouco mais de uma hora. Como esperado, a população praticamente triplicou e sofreu pela pouca estrutura oferecida. Um dos piores problemas enfrentados foi a falta de internet para aqueles que não tinham acesso ao wifi - em alguns lugares, era difícil até ter sinal no celular.

Por outro lado, o povo recebia os convidados nos estabelecimentos de forma simpática e acolhedora. Apesar dos poucos engarrafamentos, a estadia em Penha era tranquila. Diferente de Florianopólis, o pequeno município tem um custo de vida mais barato.

Na entrada da cidade dava pra avistar a imensa estrutura do festival. Mais pra frente era possível perceber uma fila grande de pessoas para a retirada dos ingressos. Apesar disso, tudo ocorreu sem problemas e de forma rápida. Ao contrário do ano passado, a estrutura dos funcionários que faziam a entrega era bem melhor. No lugar de mesas de plásticos repletos de ingressos nominados, os tickets eram impressos com nome no ato da retirada. Sorte da organização que não choveu, pois em 2012 a retirada foi dentro do castelo.

Durante a noite, ao redor do parque, a polícia militar fazia um grande esquema de trânsito e segurança. Os moradores aproveitaram para arrecadar um dinheiro extra no fim do mês e montaram estacionamentos em casas ou improvisados com fitas e pedaços de pau para delimitar áreas. Os preços variavam de 20 a 50 reais. O estacionamento oficial do evento custava 50 reais e ficava aberto até meia-noite, com terreno de brita ou grama e segurança reforçada.

Uma das maiores reclamações dos "dreamers", como é chamado o público do festival, foi a grande caminhada que precisavam fazer. Quem não colocava o carro no estacionamento do evento, precisava entrar pelo castelo do parque. Dependendo de onde parava os veículos, a caminhada poderia durar até 20 minutos.

A organização ficou atenta em alguns problemas da primeira edição. As pedras da brita eram menores neste ano, o que ocasionou uma melhora para andar e pular ao som dos DJs. A pista VIP era na parte asfaltada e o camarote foi afastado, motivo de reclamação para alguns e elogios de outros presentes. Os banheiros tiveram filas menores em relação ao ano passado.

Com um tema diferente e seis mil m³, o palco principal recebeu decoração de um grande relógio. Com um fundo azul claro e nuvens, representando um sonho, ainda tinha engrenagens que rodavam durante todo o evento. Em termos de beleza e pirotecnias, o Dream Stage deixou muito a desejar. Por outro lado, o Mistyc Stage recebeu tratamento diferente, coberto e com um clima mais adaptado às vertentes que lá tocavam.

A hora dos shows

No primeiro dia do Dream Valley, a festa contou com mais de 16 mil pessoas. Dono da música tema do festival, o brasileiro Marcelo CIC abriu os trabalhos, seguido pelo compatriota Mario Fischetti. Isto aconteceu graças às reclamações dos clientes, que insistiram pela troca no line-up, pois estava previsto para a dupla do W&W entrar antes de Fischetti. Com o ajuste feito, o duo fez a alegria dos presentes com um set vibrante e com músicas com elementos do Electro House e Trance.

Em seguida foi a vez de Yves V assumir a cabine do palco principal. O belga bem que tentou puxar o público, mas a galera não parecia estar muito empolgada com seu repertório, talvez por todos estarem a espera de um dos nomes mais aguardados, Afrojack. O ex-namorado de Paris Hilton entrou no Dream Stage e foi buscar a energia do público com um set repleto de faixas de própria autoria e de seu selo.

Se não fosse por Steve Angello, Afrojack poderia ter sido o nome da primeira noite, mas o sueco simplesmente arrebatou o público. Com sucessos do extinto grupo Swedish House Mafia, o qual fazia parte, e também os de seu selo e de própria autoria, Angello fez uma apresentação memorável. Em entrevista ao Omelete, o DJ afirmou que seu novo álbum deve sair no primeiro trimestre do ano que vem. Para fechar a noite em grande estilo, Kaskade seguiu a boa linha dos dois anteriores e segurou o público até as 07 da manhã.

No Mystic Stage os destaques ficaram por conta de Loco Dice e Sven Vath. Ambos presentearam os fãs da cena underground com sets dançantes e intimistas. Quem não deixou a peteca cair e fez os gringos ficarem de boca aberta foi o projeto brasileiro Digitaria. O palco alternativo contou com apresentações ainda de Robert Dietz, Tini e Victor Ruiz e Any Mello. A segunda noite era a mais esperada, fato que ficou visível pela maior presença do público, com 22 mil pessoas lotando o estacionamento do kartódromo do Beto Carrero.

Assim como no dia anterior, dois brasileiros fizeram as honras do Dream Stage. Ale Rauen e Rodrigo Vieira deram as boas-vindas para o alemão Tocadisco, que surpreendeu o público e saiu bastante elogiado. Seu compatriota, Thomas Gold, assumiu as pick ups logo depois e fez uma das melhores apresentações do dia. Com mashups que carregavam vocais de faixas conhecidas tanto da música eletrônica como da pop, Gold fez o público cantar junto. Ele deu espaço, então, para o francês Bob Sinclair. O ponto alto do show ficou por conta da famosa "Hold On", mas a apresentação no todo ficou a desejar.

E aí veio a surpresa negativa. As meninas do Nervo não puderam comparecer ao evento. Segundo a organização, elas perderam o voo para Santa Catarina. Para substituir, foi chamado de última hora o brasileiro Repow. O garoto contou em detalhes ao Omelete que cancelou as datas que tinha para o fim de semana, pois queria curtir o festival e ver de perto seu ídolo Hardwell. Foi chamado 30 minutos antes de subir ao palco e não decepcionou. Ele abriu o show do ídolo, pois logo em seguida, quem subia para assumir a cabine era o novo número um do mundo, o holandês Hardwell.

Trajado com a camisa da seleção brasileira, com o número 1 nas costas, o jovem DJ/produtor de 25 anos mostrou o porque de ser escolhido o mais popular dos fãs da Electronic Dance Music. Carismático, Hardwell levou, mais uma vez, o público ao êxtase. Foram 1h30 de pura explosão de batidas e melodias que o público cantarolava fielmente. Praticamente ninguém arredou o pé até que o DJ fosse embora. Com gritos histéricos, o público pediu bis e mais uma vez ele retribuiu o carinho e tocou mais uma antes de ir embora. Subiu na mesa, chamou o público e saiu aplaudido. Hardwell mais uma vez foi eleito o melhor show do festival e o encerrou de forma épica.

No palco alternativo os brasileiros do Elekfantz e Gui Boratto entragaram boas apresentações. Os destaques foram Betoko e Tale Of Us. Completaram as atrações do Mystic Stage do dia 16, Funk D`Void e Audiofly.

Até a próxima...

Ao somar defeitos e qualidades, a segunda edição do Dream Valley Festival foi superior à primeira. Antes do evento começar, muitos reclamavam com um line menor e a falta de alguns nomes de peso, mas os DJs que compareceram não decepcionaram. Muitos quesitos melhoraram, outros ainda carecem de atualizações. Um deles é o palco principal, que regrediu em relação ao último ano. A organização e as autoridades podem também ajudar a cidade a ter melhorias na estrutura para receber uma grande demanda de turistas. Além dos estacionamentos, é possível dar upgrades em relação ao acesso à internet e ao parque.

Em números, o DVF contou com mais de 1500 pessoas de diversas áreas da produção, operação e segurança, mais de 300 banheiros, 14 bares e 4 mil vagas disponibilizadas. A organização confirmou a edição de 2014. O Dream Valley Festival, assim, se perpetua no cenário brasileiro como um dos maiores festivais do gênero e permanece na busca para ser um dos principais do mundo.

Nota do Crítico

Bom
Danilo Monteiro

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