Dream Theater - Distance Over Time

Música

Crítica

Dream Theater - Distance Over Time

Álbum marca a volta triunfal do Dream Theater que os fãs esperavam

Felipe Cotta
22.02.2019
11h34

Se o controverso The Astonishing acabou dividindo a opinião dos fãs de Dream Theater três anos atrás, chegou a hora de fazer as pazes com quem tinha torcido o nariz. Distance Over Time, o décimo-quarto álbum da carreira da banda, é o disco da reconciliação, da união, da volta triunfal que todo mundo estava esperando.

O novo trabalho de Petrucci, LaBrie, Rudess, Myung e Mangini traz de volta diversos elementos chave da banda: as melodias complexas e quase eruditas, o Peso (o “p” maiúsculo foi de propósito) das guitarras, do baixo e da bateria e toda a virtuose que vem junto com ele, os refrões apocalípticos e dramáticos que fazem nossa alma arrepiar e nossos pulmões explodirem de tanto berrar junto, a inspiração focada que fez de Images And Words, Awake e Scenes From a Memory álbuns tão marcantes. Claro, em The Astonishing também existem todas essas qualidades clássicas do Dream Theater, mas suas mais de 2 horas de duração tornavam a viagem um tanto quanto cansativa e mais dispersa.

Em Distance Over Time o tempo é mais "curto" - note as aspas -  e eles voltaram a fazer um álbum que já parece um clássico. Aqui o som é menos prog e mais metal, as músicas são menos longas (mas lembre-se que estamos falando de Dream Theater) e eles soam rejuvenescidos. Até o método de composição do disco voltou aos velhos tempos: eles se mudaram para o estúdio em Monticello e ficaram trancados lá, criando e se divertindo juntos. E dá para sentir isso nas músicas.

"Untethered Angel", single lançado ainda no ano passado, parece uma grande vitrine dos talentos individuais de cada um. Desde o início, o dedilhado criando um clima de suspense que já antecipa a chegada de uma virada explosiva. Em seguida uma tonelada sonora invade seus ouvidos e mostra que LaBrie ainda está em plena forma vocal mesmo com 55 anos de idade.

"Fall Into The Light" traz solos magistrais de Petrucci - que também produziu o disco - e "Pale Blue Dot" é um dos momentos mais impressionantes do novo álbum: uma verdadeira bomba épica, sinfônica e cheia de peso e um refrão dark cativante. Petrucci e Jordan Rudess brilham em plena harmonia, dividindo solos assombrosamente estupendos. "Out Of Reach" ainda traz a grandiosidade desmedida de The Astonishing mas sem destoar do resto do novo trabalho.

Como era de se esperar, a musicalidade continua impecável como sempre, com a banda ostentando performances dificílimas e absurdamente bem pensadas, os ingredientes perfeitos para fã nenhum botar defeito e se deleitar a cada nota. Distance Over Time é um presente que a banda parecia estar ansiosa para entregar.

Nota do Crítico
Ótimo