Damien Rice em São Paulo | Crítica
Após seis anos longe dos palcos brasileiros, músico se mostra um artista maduro e ligado ao seu público
Se você nunca viu um show do Damien Rice, talvez pense que ele é um daqueles artistas prestes a cortar os pulsos a qualquer momento. No entanto, tudo isso fica para trás quando ele sobe ao palco para cantar algumas das canções dos álbuns O (2002); 9 (2006) e de seu trabalho mais recente, My Favorite Faded Fantasy (2014) - mesmo que todos estes discos tenham criações perfeitas para levar até os corações mais duros às lágrimas.
Com um carisma natural e histórias despretensiosas (sobre homens com muito e pouco esperma) de como compôs algumas de suas músicas, o artista de quase 42 anos, nascido na Irlanda, carrega a plateia nas mãos e isso fica evidente quando começa o show com uma de suas composições mais conhecidas, “Delicate”, seguida por “9 Crimes ” e “Wild & Free”, sempre acompanhado pelas vozes de um público tão presente que lembra o coro de uma igreja.
Outro detalhe que chama a atenção na apresentação de Rice é o fato de não criar uma playlist e, mesmo assim, realizar uma boa mistura entre suas músicas mais tristes e as mais rápidas, com uma pegada que pode surpreender alguns desavisados. Nessa apresentação em São Paulo, Rice mostrou que estava atento não só ao que tocava, mas também ao que acontecia fora do palco, já que após uma de suas músicas mais fortes, foi avisado que alguém da plateia não estava bem. Então, parou o show, por alguns minutos, para que a pessoa pudesse ser atendida e retornou ao palco sem perder a proximidade com o público e evidenciando ainda mais o clima intimista compartilhado com as mais de mil pessoas presentes.
Damien, depois de oito anos sem gravar e mais de cinco anos sem passar pelo Brasil, mostra-se um artista completo, abusando do conhecimento que possui de seu instrumento e da potência de suas músicas em conjunto com alguns aparatos tecnológicos que o ajudam no momento de reproduzir o clima de cada canção, mesmo sem nenhum músico auxiliar e sem perder o efeito hipnotizante e a força de sua performance de aproximados 120 minutos.
Todos esses ingredientes, à medida que o show se aproximava do fim, deixam ainda mais nítido como grande parte das pessoas presentes no Cine Joia estava realmente conectada à música de Rice, já que em diversos momentos, faziam as vozes auxiliares, sem que fosse pedido, ou até mesmo adiantavam as interações do músico, detalhes que transformaram a apresentação em um diálogo raro de ser visto. E claro, essa 'conversa' entre músico e plateia culminou com pedidos incessantes de sua criação mais famosa “The Blower's Daughter ”, escolhida para fechar a apresentação com lágrimas, arrepios e a vontade de que ele não demore tanto tempo para voltar ao Brasil.
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