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Camila Cabello - Camila | Crítica

Camila Cabello surpreende com álbum simples, autêntico e desprendido de rancores

Julia Sabbaga
12.01.2018
12h55
Atualizada em
12.01.2018
17h00
Atualizada em 12.01.2018 às 17h00

Quando Camila Cabello deixou o Fifth Harmony no fim de 2016, o mundo do pop foi presenteado com uma das coisas que mais adora; uma boa e velha rixa. Ainda mais com circunstâncias mal explicadas e cutucadas na mídia, fãs curtiram o ano de 2017 observando o grupo e sua ex-integrante tentando mostrar que um estava melhor que o outro.

Facebook/reprodução

Por isso, quando Camila Cabello anunciou que gravaria um álbum solo, que seria intitulado The Hurting. The Healing. The Loving, os fãs aguardaram algo que poderia sair da cabeça de Taylor Swift; um álbum de alfinetadas, letras ácidas e revelações. Mas antes do álbum ser finalizado, em setembro, Cabello lançou o hit “Havana”. E foi possivelmente aí que tudo mudou.

Com uma série de singles em parceria lançados durante 2017, Cabello passou um tempo batalhando por um hit que nunca explodiu de verdade. E quando lançou “Havana”, em parceria com Young Thug, o mundo do pop balançou. O hit superou qualquer expectativa e disparou ao número 1 das paradas, aonde permanece até hoje, chegando nos recordes de Taylor Swift e Katy Perry e marcando o maior tempo no topo desde "Someone Like You", da Adele.

A partir daí, Camila começou uma nova sessão de gravações, adiou o álbum e avisou que o título mudaria. Com a concretização de um hit que é pessoal e baseado em suas raízes, ficou claro que a cubana poderia apostar em ser ela mesma, e isso não poderia ser representado melhor do que pela mudança de título; ao invés de apostar nos rancores, a cantora se assumiu sozinha e deu o melhor título possível: em Camila, a nova sensação do pop acertou em cheio em não rechear o álbum de polêmicas. O disco é bom porque é simples, despretensioso e deliciosamente cativante. Apesar de não arriscar e se apoiar na propícia onda do Reggaeton e a era do "Despacito", a cantora entregou um disco com traços autênticos, que prova que “Havana” não será seu último hit.

De cara, o álbum surpreende pela falta de convidados especiais. Apesar da tradicional enxurrada de produtores e compositores em cada música, a única faixa em parceria é “Havana”. O resto das músicas é Camila (que está nos créditos de composição de todas as músicas) sozinha. E as pitadas latinas que temperam o álbum o tempo inteiro combinam com seu estilo vocal, fazendo com que o disco, do começo ao fim, soe realmente franco. A única música que abre exceção em termos de cutucadas é “Real Friends”, um (ótimo) hit a là Ed Sheeran que claramente trata as polêmicas com Fifth Harmony, mas mesmo assim, sem acidez.

Os destaques óbvios são os pegajosos singles “Havana”, “Never Be The Same”, “Real Friends”, a balada “Consequences” e “Into It”. Mas o álbum na íntegra, que não chega a ter 40 minutos, vale a ouvida. Camila é um álbum de pop tradicional banhado na onda de 2017, que ainda deve dominar as rádios por um bom tempo, e prova que, com menos de 21 anos, a cubana tem tudo para continuar a empreitada e trilhar uma carreira sólida sozinha. 

Nota do Crítico
Ótimo