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Crítica

Beyoncé - Lemonade | Crítica

Audacioso e marcante, álbum visual toca em temas importantes e necessários

Beatriz Santos
13.05.2016
17h01
Atualizada em
29.06.2018
02h33
Atualizada em 29.06.2018 às 02h33

Em Lemonade, seu segundo projeto secreto depois do disco homônimo de 2013, Beyoncé prova novamente a sua força como superestrela. Antes mesmo de lançar o álbum de sopetão, a cantora já se mostrava disposta a tocar em temas importantes, como o uso da força policial contra jovens negros e a força da mulher negra. Pontos de vista que podem parecer estranhos a alguns, mas sempre estiveram presentes nos versos cantados por ela.

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Dessa forma, o sexto registro de estúdio de Beyoncé é também seu álbum mais audacioso e marcante, a começar pelo título, uma referência a fé dos negros, que, na época da escravidão, acreditavam que ao beber suco de limão conseguiriam clarear sua pele.

Para abordar estes temas, Beyoncé apostou em uma maravilhosa sequência de clipes de uma hora, transmitidos pela HBO. A estrela texana costurou tudo de forma visceral, expondo traição, racismo e outros pontos mais pesados em seus vídeos.

A sonoridade das músicas acompanha toda essa transformação, passando por country, R&B, rock, blues e até um sample de Led Zeppelin. Tanta mistura poderia até parecer o trabalho soar confuso, mas é perceptível como a ordem de toda a tracklist faz sentido.

Beyoncé chama para si a responsabilidade de cada verso ao passar toda sua vulnerabilidade, revolta, questionamento e, principalmente, força e superação que as letras pedem. É assim que ela sustenta todas as faixas do álbum.

A ótima “Pray You Catch Me” inicia a história, com excelente arranjo, seguida pela poderosa “Don’t Hurt Yourself”, com participação de Jack White. Na sequência vem “Sorry”, música que sugere uma possível infidelidade de Jay-Z e que por isso tem repercutido bastante na mídia.

Seguindo com as parcerias, a faixa “6 Inch” tem participação de The Weeknd e abre caminho para “Daddy Lessons”, que apresenta forte influência do country e mostra novamente a vontade de arriscar de Beyoncé.

“Forward”, com participação de James Blake, faz um interlúdio impecável para a fantástica “Freedom”, que apresenta som de tambores e um refrão de arrepiar. A escolha da parceria com Kendrick Lamar não poderia ser mais perfeita para o tema.

A faixa “All Night”, recheada de grooves de guitarra e solos de contrabaixo, segura o clima até o final. Influenciada pelo ritmo do reggae, a canção é a preparação para o último ato, quando Beyoncé finaliza com o verso "como senti sua falta, meu amor".

“Formation”, primeiro single do disco, é a música que fecha o álbum. Não por acaso foi escolhida para a apresentação no intervalo do Super Bowl, na qual a artista deu a primeira mostra do que estava por vir. A música sofreu críticas por parte da polícia americana, que julgava a letra ofensiva, e chegou a ser um dos assuntos mais comentados no mundo.

Assim, no auge de sua forma, no encontro dos ritmos e na exposição de suas dores, Beyoncé eleva o nível de sua música, atinge novos públicos e provoca sem medo. “Quando sua arte incomoda, você está no caminho certo”.

Nota do Crítico
Ótimo