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Crítica

Arctic Monkeys - Suck It And See | Crítica

Banda produz seu álbum mais lento, porém não menos interessante

Fernando Scoczynski Filho
13.06.2011, às 18H37
ATUALIZADA EM 07.11.2016, ÀS 12H08
ATUALIZADA EM 07.11.2016, ÀS 12H08

Em 2009, ao lançar seu terceiro disco, Humbug, o Arctic Monkeys recebeu grande atenção midiática, especialmente por ter Josh Homme comandando a produção. A influência do líder do Queens of the Stone Age era clara, e o grupo se afastava das músicas rápidas e concisas de seus dois primeiros discos, passando para um som mais relaxado e disperso. Assim, era de se esperar que o recém-lançado quarto álbum, Suck It And See, concretizasse esta transição. No entanto, o grupo surpreendeu novamente, criando um álbum que consegue soar ainda mais diferente de seus trabalhos anteriores.

Suck It And See foi produzido por James Ford, que também trabalhou em Favourite Worst Nightmare, o que já justifica algumas escolhas do álbum. Aqui, assim como no segundo disco da banda, a sonoridade tem um impacto mais imediato, sem grandes devaneios instrumentais, e dá mais ênfase aos vocais de Alex Turner do que à guitarra. Porém, ao contrário de Favourite Worst Nightmare, há muito pouco do rock frenético e veloz que acabou se tornando marca registrada da banda, dando preferência a músicas relativamente leves e de levada mais pop.

O início do álbum é marcado por duas belas, porém básicas, canções pop-rock. Esta escolha é inédita no trabalho do Arctic Monkeys, que sempre optou por abrir com as faixas mais pesadas de cada disco. A partir da terceira música, "Brick By Brick", o disco começa a demonstrar suas qualidades. Com inspiração no rock da década de 60, "Brick By Brick" tem letra e instrumentação repetitivas, e um refrão extremamente pegajoso. Esta seria uma mudança de rumo arriscada, mas a banda executa a proposta com cuidado e atenção suficientes para que o resultado saia divertido.

A atmosfera pop de Suck It And See, no entanto, não significa que não há músicas pesadas no disco. "Don't Sit Down 'Cause I've Moved Your Chair" é provavelmente a música mais pesada produzida pelo Arctic Monkeys até aqui. Com seu baixo e guitarras absurdamente poderosos, é um óbvio destaque do álbum, e finalmente prova a influência de Black Sabbath, que a banda citava nas gravações de Humbug. A canção também mostra a herança que Josh Homme deixou para a banda, especialmente pela maneira de usar guitarras distorcidas e solos com mais frequência.

"Don't Sit Down 'Cause I've Moved Your Chair" é seguida de "Library Pictures" e "All My Own Stunts", concentrando em uma sequência as faixas mais pesadas do disco. Ambas são ótimos exemplos daquilo que já é esperado da banda, porém encaixadas na sonoridade particular de Suck It And See. No entanto, a posição de "Library Pictures" e "All My Own Stunts" poderia ser diferente, uma vez que estão no meio do tracklist, e acabam centralizando quase todo o peso do álbum. A transição entre as faixas que vêm antes destas três pesadas é suave, mas o mesmo não pode ser dito para as que vêm depois.

Após outra canção pop, "Reckless Serenade", o problema da lista de faixas é acentuado: as três músicas seguintes, "Piledriver Waltz", "Love Is A Laserquest" e "Suck It And See", são, essencialmente, canções românticas. Em seus discos anteriores, o Arctic Monkeys costumava ter apenas duas músicas lentas, geralmente distantes umas das outras. Aqui, havendo três músicas deste tipo em sucessão, em um disco que já é escasso em faixas rápidas, ocorre uma diminuição de ritmo no fim do álbum. Por mais que a última faixa,"That's Where You're Wrong", seja acelerada, a sequência de três faixas lentas que a precede resulta em uma super-exposição do lado romântico da banda.

Comparando Suck It And See com os três discos anteriores do grupo, é possível perceber o crescimento deles como compositores. Fica claro que, a cada novo trabalho, os quatro músicos selecionam os melhores elementos de cada álbum, para levá-los adiante e incorporá-los em um novo som. Considerando que o seu primeiro disco, Whatever People Say I Am, That's What I'm Not, saiu há cinco anos, o contraste entre aquelas músicas e as de seu novo disco é incrível, e serve como explicação para a rotatividade de fãs que a banda tem a cada novo lançamento.

Assim como Humbug, é possível que este último disco aliene alguns fãs na primeira audição, mas recompensará aqueles que ficarem para descobrir a riqueza de cada faixa. Mesmo que a energia dos álbuns anteriores esteja apenas parcialmente presente em Suck It And See, a maioria das canções chega a igualar (e em alguns casos superar) a qualidade que a banda já havia conquistado. A cada novo disco, fica clara a motivação do grupo para inovar, expandindo-se para áreas diferentes do rock e recusando-se a repetir o sucesso do passado.

Assista ao clipe de “Don’t Sit Down ‘Cause I’ve Moved Your Chair”
Assista ao clipe de "Brick by Brick"

Nota do Crítico
Bom

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