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Chimera Rock - O show do Linkin Park

Chimera Rock - O show do Linkin Park

Luciana Maria Sanches
13.09.2004
00h00
Atualizada em
21.09.2014
13h16
Atualizada em 21.09.2014 às 13h16

Charlie Brown Jr.

O Charlie Brown Jr. abriu a primeira edição do Chimera Music Festival com seu rock despretensioso e platéia ganha, apesar de muito mais animada com a apresentação que viria a seguir, dos californianos do Linkin Park.

A banda santista iniciou a apresentação com "Papo Reto" e desfiou todo o seu repertório, destacando seus maiores sucessos. "Zóio d´Lula", "Tudo que ela gosta de escutar" e "Proibida pra mim" foram algumas das músicas tocadas, além da já previsível demonstração dos dotes de skatista do vocalista Chorão, durante a apresentação.

Linkin Park

O show do Linkin Park (leia entrevista com eles aqui) no Estádio do Morumbi, no dia 11 de setembro, certamente vai fazer com que os caras lembrem da data não apenas pelos atentados ocorridos nos Estados Unidos há três anos. A presença da banda em São Paulo arrastou uma multidão de 75 mil pessoas, algo próximo à lotação do estádio, que teve suas estruturas abaladas.

Aliás, esse papo de "estruturas abaladas" e chão tremendo pode parecer propaganda de rádio, mas é a mais pura verdade. Entrincheirada entre a numerada e as arquibancadas, nem se eu quisesse conseguiria manter-me estática. A cada "yeah", a cada "hands up", a cada refrão, todo o Morumbi sentia a reverberação da histeria coletiva que tomou conta do lugar.

Lá do alto, o que se pôde ver foi um show competente, de uma banda em seu auge e em total sintonia com a platéia, que dirigia toda sua devoção ao palco de maneira enérgica e até emocionada.

E independente da maioria dos presentes ser composta por adolescentes, os poucos trintões (ou mais) - como eu - também ficaram de queixo caído. E olha que eu já vi muito show de rock na minha vida...

O show, último da turnê de divulgação de Meteora, e o único na América do Sul, iniciou-se às 22 horas com a introdução "Foreword" emendada a "Don´t Stay", seguindo a ordem do segundo álbum da banda.

Em seguida, tocaram "Lying From You", "Papercut", "Points of Authority", "With You" e "Runaway", as quatro últimas de Hybrid Theory, músicas que não chegaram a tocar nas rádios brasileiras, mas que foram cantadas em uníssono pela platéia, mostrando que o Linkin Park, apesar de ser uma banda comercial, não se mantém apoiada apenas em hits radiofônicos. Melhor: vendo que todos os presentes sabiam as letras de cada uma delas de cabo a rabo, é possível afirmar sem medo que a platéia fazia de todas as músicas verdadeiros hits.

"Nobody´s Listening" e um medley com "Step Up" e "It´s Going Down" deram seqüência à apresentação, que foi quase totalmente comandada por Mike Shinoda (vocal e samplers), muito mais expansivo que Chester Bennington (vocal). Porém, independente do artista, tudo o que os cantores pediam era prontamente atendido pela platéia.

O palco, bastante simples, trazia apenas um logotipo da banda como pano de fundo. E quem estava prestando atenção a isso? "Somewhere I Belong", "Figure.09" e "From the Inside" formaram a trinca de preparação para o momento mais calmo da noite. Sozinho no palco, Mike sentou-se ao piano e tocou uma versão de "Breaking the Habit". A calmaria durou pouco tempo. Para a alegria dos fãs, a banda logo estava totalmente reunida no palco para tocar a versão "porrada" da música. Ao final da canção, Chester, que não se cansou de agradecer a platéia durante todo o show, anunciou que eles estavam completamente exultante com o público brasileiro, responsável pela maior platéia de toda a turnê.

A euforia, que não era pouca, ficou ainda maior com "Numb", "Faint" e "In the End", essas sim amplamente tocadas nas rádios. Chegando ao final do show, "Place for My Head" e "Crawling", primeiro sucesso da banda a estourar no mundo todo, precederam uma cover de "Wish", do álbum Broken, do Nine Inch Nails, declaradamente uma das maiores influências do Linkin Park.

A bandeira do Brasil marcou presença mais uma vez em uma apresentação internacional por aqui, por pouco não entornando o caldo para os mais críticos, mas vista com deleite pela maioria dos adolescentes presentes.

"One Step Closer" fechou a apresentação de uma hora e quinze minutos, que foi eficiente e sob medida para os fãs, que saíram do Morumbi completamente extasiados.

Negar ao Linkin Park a importância no cenário musical da atualidade é mostrar-se cego a um verdadeiro fenômeno que acontece aqui e agora. Presenciá-lo foi, no mínimo, arrepiante.

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