Música

Entrevista

Binaryh - Duo brasileiro amplia fronteiras do techno com sonoridade livre e marcante

Dupla estreia seu live set “Fragments” neste sábado em SP

Jacídio Junior
23.11.2017
16h08
Atualizada em
24.11.2017
19h06
Atualizada em 24.11.2017 às 19h06

Não é de hoje que a cena eletrônica nacional tem entregado bons nomes para os diversos segmentos de um estilo em plena expansão. Como parte desse cenário, o Binaryh surge como uma estrela em rápida ascensão, entregando umas sonoridade original e cheia de texturas. Composto pelo casal Camila Giamelaro e Rene Castanho, há pouco mais de um ano, o duo já conta com músicas presentes em sets de nomes como Eli Iwasa, BLANCAh, D-Nox, Felix Da Housecat, Maceo Plex, Joris Voorn entre outros grandes representantes do Techno mundial.

A dupla, em entrevista exclusiva ao Omelete, contou um pouquinho sobre carreira, os próximos passos - que já incluem estreia em Berlim (em 2018) - e a primeira apresentação Live que acontece no próximo sábado (25).

Algo que chama a atenção em relação ao som do Binaryh desde a primeira audição são as característica de uma construção sonora que conduz o ouvinte dentro de nuances concebidas de forma única pela dupla. Possivelmente, essa peculiaridade está ligada ao fato de como a música está presente na vida das duas peças que compõem o duo eletrônico. Camila comenta que sua família tem muitos músicos e desde a faculdade trabalha com empresas do segmento musical e ressalta que chegar à conexão com a música eletrônica não foi algo difícil. “Eu gosto de tudo que é diferente [...] frequentei raves por mais de 10 anos, tive um blog sobre música eletrônica e fiz cursos de DJ”. No entanto, destaca que o Binaryh foi o responsável por colocá-la, em definitivo, no mercado como artista. A outra face, Rene, está ligado ao fazer musical desde os 12 anos de idade: “Não sei como é a vida sem música eletrônica”. O produtor confessa que por ter crescido na Zona Leste de São Paulo, nicho da e-music nos anos 90, acabou conhecendo vários DJs, algo que o levou a abandonar o videogame e transformar os toca discos e o mixer em seus brinquedos. Sua história com as raves começou no final da década de 90, o conduziu para a cadeira de professor de produção musical, detalhe “[...] que ajuda muito, pois acabo ficando em contato com a música 24h por dia”, enfatiza.

Essa união entre o trabalho e a vivência musical, possivelmente, é o fator que melhor evidencia a qualidade e alguns dos elementos sonoros que fazem das produções da dupla algo tão impactante. No entanto, além de entregar boa música, o duo também conta com um pouco de sorte, já que a produtora catarinense BLANCAh “colaborou muito para que o Binaryh já pudesse dar o primeiro passo com o pé direito”. Ela foi a responsável por apresentar as criações da dupla para Soul Button, label owner do Steyoyoke Black, e daí pra frente o projeto iniciou seus voos mais altos, ajudando a encurtar caminhos no mercado tão disputado, algo que eles genuinamente não esperavam.

“Achávamos que iríamos passar pelo mesmo processo que (quase) todos os artistas passam quando começam um novo projeto. No final das contas o trabalho do Binaryh reúne muitos pontos a nosso favor, como a grande experiência do Rene para a produção, as influências diversas da Camila e os contatos de ambos - por vivermos bastante tempo nesse meio (da música eletrônica) -”.

Para ficar um pouco mais nítido como funciona o  trabalho do Steyoyoke, vale destacar que o label alemão é conhecido por buscar artistas e sonoridades que levem o segmento eletrônico para frente, algo que fica claro na definição da Resident Advisor, o Steyoyoke é “dedicado e comprometido com a descoberta - exclusivamente -dos músicos pensamento/trabalho mais avançados. Isso permite que o label permaneça firme na cena underground, onde ele tem o ambiente perfeito para continuar ultrapassando qualquer fronteira da indústria”. E ao ouvir o som do Binaryh uma única vez fica claro esse direcionamento em busca de algo novo, impactante e sem fronteiras.

No entanto, apesar desse casamento perfeito, o primeiro contato entre os produtores e o label alemão aconteceu graças ao trabalho desenvolvido por BLANCAh que gerou a curiosidade para buscar conhecer melhor como era a Steyoyoke. “Encontramos o Steyoyoke Black, que é o braço techno do label, no qual são lançadas as músicas mais introspectivas, com mais pegada e nos identificamos imediatamente”, comentam. Em consonância com essa união de ideias, a estrutura e a forma sem barreiras usada pelo label para coordenar seus artistas, também é algo que permite ao duo brasileiro “criar mais e melhor”. “Como não há regras, podemos criar da maneira que acharmos melhor então temos músicas mais introspectivas, umas dançantes e outras bem energéticas. É incrível trabalhar dessa maneira porque podemos mostrar várias facetas do Binaryh”, ponderam. Essas possibilidades colocam em destaque o elemento que Camila e Rene consideram primordiais para que suas criações agarrem seus ouvintes nas primeiras notas.

“Acreditamos que cada música tem que contar uma história. Por mais que nosso processo seja rápido, ficamos muito tempo pensando em criar algo. E sempre temos em mente a necessidade de expressar algum tipo de sentimento e tentar levar as pessoas para o lugar que imaginamos quando estamos criando. Algo do tipo: ‘Vem comigo que eu vou te mostrar algo!’”.

A estreia da apresentação Live “Fragments”

Com todas essas ideias em destaque, o duo também apresenta - pela primeira vez - neste sábado (25) a performance Live “Fragments”, na qual irão recriar seus sons ao vivo. De entrada, vale destacar que comparado ao que eles fazem em seus DJs set, tudo muda. “O ponto mais importante, talvez, é que tudo saiu da nossa cabeça. Nós não vamos ter aquele hit que é Top 10 do Beatport e sabemos que faz a pista vir abaixo. Serão nossas músicas montadas na hora de uma forma diferente”. Camila e Rene ainda aproveitam para comentar sobre a experiência que será compartilhada com a audiência: “As pessoas vão poder ver algo que é muito íntimo: O produtor dentro do estúdio sentindo o que está criando, só que ao invés de um espaço fechado, isso vai acontecer em um palco, na frente de várias pessoas. Pode parecer um pouco assustador, mas é exatamente o que queremos mostrar. Tipo: ‘Ei veja o que eu criei, sente isso comigo’”.

Para chegar ao resultado que será visto durante a apresentação, foi necessário um trabalho quase diário que durou sete meses. Processo de tentativa e erro, desenvolvido para desvendar as complexidades desse formato. “A complexidade [de uma apresentação live] é relativa. Quanto mais coisas ao vivo, mais complexo. No nosso caso as harmonias serão moduladas na hora, e a bateria também será feita na hora, ou seja: é complexo! Mas faz parte, música é complexa”.

Mas será que a estreia da performance live é um adeus ao DJ set? A dupla paulistana afirma que não, mas deixa claro que a nova proposta deve ser incorporada de forma permanente ao que é o Binaryh. “Gostamos bastante de discotecar, mas não tem como negar que o foco hoje é o Live. Mas pensamos em ter vários formatos, assim podemos nos apresentar em mais lugares e ter experiências diferentes”.

O futuro e os próximos trabalhos

O duo, em pouco menos de um ano, já parece estar traçando um caminho sólido em direção a viver de suas produções, mas faz questão de manter a cautela sobre essas possibilidades: “Não pensamos muito nisso, só temos em mente que temos que continuar trabalhando”. O duo segue comentando, “A música, pra nós hoje, é como um combustível e temos tantos planos que não vemos o tempo passar. [...] Estamos de peito aberto pro que vier”.

O Binaryh já tem algumas apresentações importantes marcadas para o ano que vem, como a estreia em Berlim, em março, e a vontade de levar suas performances sonoras para outros lugares do Brasil e do mundo. Mas além disso, o que podemos esperar de uma dupla que que já colocou tantas ideias interessantes nas pistas? Bem, eles querem ir ainda mais longe e mostrar um pouco mais do processo criativo e compartilhar ideias. “Temos uns planos meio loucos, também. Estamos preparando nosso estúdio para transmissões ao vivo. Vamos ligar as máquinas e ver o que sai. E claro, durante isso tudo queremos conversar com quem estará assistindo, trocar informação, conectar pessoas”, uma ideia ambiciosa para uma dupla que abriu as asas voando alto. Mais informações sobre o duo estão disponíveis no site oficial. Conheça um pouco mais do som do Binaryh:

Binaryh faz a estreia de seu live set “Fragments” na Ressonância que acontece neste sábado (25) em São Paulo.

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