BBNO$ se abre sobre quase largar música: “Percebi mensagens de ódio aumentando”
Cantor canadense fala ao Omelete sobre afastamento, retorno e paixão pelo Brasil
Créditos da imagem: BBNO$ (Reprodução)
Quando o rapper BBNO$ anunciou sua aposentadoria da música, em dezembro do ano passado, muita gente tratou a declaração como um golpe de publicidade – e o retorno rápido do canadense aos holofotes, já no começo deste ano, pode ter alimentado ainda mais essa teoria. Mas ouvi-lo falar desse período é entender o espaço mental de um artista que foi recebido com pouca generosidade.
“Acho que projeto muita positividade online, e isso soa inautêntico para algumas pessoas. Eu tenho meus pensamentos e sentimentos negativos, é claro, mas qual o ponto de expressá-los online?”, questiona ele em conversa com o Omelete. “Acho que isso incomoda as pessoas, o fato de eu ser positivo demais. Muita gente na internet se regozija em sentimentos e emoções negativas”.
O rapper é dono de hits como “Lalala” e “it boy”, especialmente populares entre o público cronicamente on-line, o que ajuda a explicar o impacto extra dessa reação negativa nas redes sociais: “Percebi um aumento significativo nas mensagem de ódio, e decidi dar um tempo. Mas depois pensei: ‘Não, essa coisa da música é o que eu tenho que fazer’. Eu faço as pessoas felizes. Se eu puder ser um farol de esperança para as pessoas, por que não?”.
A seguir, o Omelete fala com BBNO$ sobre esse rápido período de afastamento, sobre o que os fãs podem esperar agora que ele está de volta, e sobre sua paixão pelos fãs brasileiros, consolidada com o lançamento da faixa “come to brazil” e um show em São Paulo (SP) no último mês de novembro. Confira o papo completo!
OMELETE: Olá! Muito prazer, sou o Caio.
BBNO$: Olá, Caio, e aí?
OMELETE: Bom, tenho algumas perguntas para você. Para começar, no último mês de novembro você esteve aqui em São Paulo para um show – quais foram suas impressões daquela performance e que tipo de impacto ela teve em você?
BBNO$: Eu nunca, nunca fiz um show com tanta energia quanto no Brasil. Obviamente, minha música é de alta energia, mas, caramba... fiquei impressionado. Lembro de me virar para o meu DJ — que não é mais meu DJ, mas agora trabalha na parte técnica —, o Dan, que é de Maceió, e fazer uma expressão de choque. E então ele me disse: “Bem-vindo ao Brasil, mano". Foi ali que eu pensei: "P*ta m*rda".
Depois do show, o meu técnico de som disse: "Cara, estávamos em 130 decibéis durante o a performance inteira". Ele explicou que isso é como o barulho de um motor de jato… o show todo! Isso realmente me marcou, pensei: "Tenho que ir ao Brasil todo ano, só para fazer um show lá". É mágico, não sei como explicar de outra forma. Obviamente, eu sabia que seria incrível, porque levei seis anos para chegar aí depois que estourei, então a expectativa estava bem alta. Mas, nossa… foi um momento absurdo.
OMELETE: Bem, você também aproveitou a oportunidade para gravar o clipe de "Come to Brazil". Pode nos falar primeiro sobre as influências dessa música? Você ouve muita música brasileira?
BBNO$: Eu não ouço muita música no geral, para ser sincero. Eu gosto bastante do silêncio, sou meio estranho nesse aspecto. [Risos] Mas estou ligado no funk há um bom tempo. Em 2019, lancei uma música chamada "Pouch", que foi muito inspirada por "Bololo Haha", do MC Bin Laden. Nós nos inspiramos diretamente nessa música, e eu sempre acompanhei a cena musical do Brasil porque é muito energética e apaixonada, algo que você não vê regularmente em artistas norte-americanos. Você consegue notar o nível de autenticidade. Eu amo os padrões de percussão que vocês usam, eles ainda não são comuns na América do Norte.
Então, quando estava prestes a ir para o Brasil, pensei: "Tenho que mostrar amor ao país". Amo minha base de fãs brasileira, e eles me amam, então gravar o clipe foi uma ótima experiência para mergulhar na cultura de vocês. Sou abençoado por ser um artista que pode viajar pelo mundo e gravar clipes onde eu quiser, e como eu tinha a música "Come to Brazil", parecia óbvio filmar por aí. Meus fãs brasileiros adoraram, então estou feliz.
OMELETE: Sobre o vídeo, como você escolheu os lugares e as pessoas que queria mostrar? Você mencionou que tem pessoas próximas que conhecem o Brasil, elas ajudaram nisso?
BBNO$: Curiosamente, nós apenas alugamos um carro, contratamos um segurança que falava português perfeitamente, e simplesmente saímos dirigindo. Foi só isso. Dirigimos por aí, vimos lugares bonitos e pensamos: "Isso parece animal". E foi isso, não tínhamos uma agenda. Tivemos cinco ou seis dias para fazer o clipe, então acordávamos às cinco da manhã, tomávamos café e saíamos dirigindo pelas áreas ao redor. Foi uma ótima maneira de vivenciar o mundo, a cultura e a tradição do Brasil, ou de São Paulo especificamente.
OMELETE: É revigorante ouvir você falar sobre sua jornada na música e as coisas positivas que conquistou, porque há alguns meses, em dezembro, você anunciou que estava se afastando da música por causa da negatividade em torno do seu trabalho. Pode explicar o que estava sentindo na época e o que te convenceu a voltar?
BBNO$: A negatividade que eu recebo é fascinante, para ser sincero. Acho que projeto muita positividade online, e isso soa inautêntico para algumas pessoas. Eu tenho meus pensamentos e sentimentos negativos, é claro, mas qual o ponto de expressá-los online? Acho que isso incomoda as pessoas, o fato de eu ser positivo demais. Muita gente na internet se regozija em sentimentos e emoções negativas.
Mas olha, nem todo dia é incrível, certo? Se você acorda se sentindo um lixo, diz a um colega de trabalho: "Cara, me sinto um lixo hoje". Isso é mais fácil de aceitar do que alguém dizer "estou ótimo", porque geralmente não é verdade. Eu me expressava online apenas através da positividade, e acho que as pessoas começaram a me atacar por causa disso. Percebi um aumento significativo nas mensagem de ódio, e decidi dar um tempo. Mas depois pensei: "Não, essa coisa da música é o que eu tenho que fazer". Eu faço as pessoas felizes. Se eu puder ser um farol de esperança para as pessoas, por que não?
OMELETE: Quando você voltou, mencionou que queria fazer músicas mais íntimas e pessoais. Isso tem a ver com o que você disse sobre projetar positividade na sua arte? Como isso vai ser daqui para frente?
BBNO$: Lancei algumas músicas assim, mais íntimas e lentas, só para testar. Historicamente, sempre me aventurei em músicas estilo "cantautor", mais melancólicas, e é divertido testar todos os gêneros. Mas não tenho um plano definido nesse sentido.
Terei um acampamento de composição nas próximas duas semanas, e vou ver o que sai dali. Gosto de fazer as músicas melancólicas, mas não sei se o mundo gosta delas... É diferente comercializar esse tipo de música, porque você precisa parecer sério online. Isso não é o meu ponto forte, meu ponto forte é ser engraçado e bobo.
Mas, se eu gostar da música, vou lançar. Vou continuar sendo eu mesmo. Não sei para onde a música vai nas próximas semanas, se sairá um dubstep pesado ou o disco mais triste e lindo da história da humanidade, mas vou lançar do mesmo jeito.
OMELETE: Ansioso por isso! Bem, muito obrigado, como fã foi um prazer conversar, e espero te ver novamente no Brasil em breve.
BBNO$: Com certeza. Não sei quando volto, mas quero voltar o mais rápido possível. Muito amor para vocês, pessoal!
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