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Baterista diz que reunião do Police não vai acontecer

Baterista diz que reunião do Police não vai acontecer

Atualizada em 21.09.2014, ÀS 13H10

Em uma entrevista bastante franca à revista Uncut, Stewart Copeland, baterista do Police, reforçou o que disse recentemente Andy Summers, guitarrista da banda: uma reunião do Police dependia apenas do baixista e vocalista Sting.

Copeland foi mais fundo que Summers e deu pistas sobre a intricada teia de egos que compõe uma banda, ajudando a esclarecer questões aparentemente simples, mas que, na verdade, podem significar perda de imagem, dinheiro e retrocesso na carreira.

Surgido em meio à onda punk que atravessou o Reino Unido na década de 70, o Police sempre se manteve na tangente, nem lá, nem cá, e Copeland confessou que um retorno da banda nada tem a ver com ética: Nós éramos totalmente mercenários. Copeland disse que voltaria com o Police pela diversão pura e simples, que a banda nunca foi afeita a nenhum movimento particular, mas que para o vocalista Sting a coisa toda se configura de maneira bastante diferente.

Com o fim do Police, Sting construiu uma engajada, bem-sucedida e respeitável carreira solo - ainda que sua postura seja considerada muito mais chata do que nos tempos do Police. Segundo Copeland, uma reunião da antiga banda talvez fosse um passo para trás na trajetória do cantor.

Eu adoraria voltar, porque não representa grandes mudanças na minha carreira. Sou um compositor de trilhas sonoras e preciso ter cuidado, mas ser um baterista de uma banda de rock é diversão pura e eu posso fazer isso tranqüilamente. Uma volta do Police não seria compromisso nenhum pra mim, mas para Sting seria um retrocesso. Ele tem uma outra marca agora, que é Sting, e se preocupa com a credibilidade dessa marca. Acredito que Andy Summers fica entre os dois pontos. Eu toquei com os Doors há cinco anos, foi um passo errado na minha carreira, mas eu gostei. Ser integrante de uma banda não é coisa para o Sting... Ele é um tenista, não um jogador de futebol. O U2 por exemplo, é formado por uma equipe e todos parecem felizes com a idéia de fazer parte daquela equipe para o resto da vida.

O baterista defendeu que um retorno do Police não seria algo totalmente sem sentido: Se a música é realmente boa e se há público para isso, não vejo problema. Não penso em termos estratégicos. No caso de uma volta do Police, acho que faríamos um concerto beneficente, por exemplo. Pela demanda do público, não porque precisamos. Depois que Sting lançou o álbum que ganhou cinco Grammys e vendeu 11 milhões de cópias, eu cheguei pra ele e falei Ok, Stingo, vamos fazer uma turnê. Ele virou pra mim e disse nunca diga nunca e tal, mas isso já faz dez anos. Daí eu sugeri que fizéssemos algo quando houve o tsunami, mas ele não quis porque estava no meio da gravação de um álbum....

Copeland admitiu ainda que uma volta com outro vocalista seria muito esquisito, que simplesmente não seria o Police, e deixou bem claro que ele e os ex-colegas de banda mantêm ótimas relações: Andy é meu vizinho, então sempre saímos pra jantar. Sting mora nos cinco continentes, mas sempre que está em Malibu a gente conversa e dá uma saída.

O baterista acabou de lançar o DVD Everyone Stares: The Police Inside Out sobre os seus dias no Police e disse que ao editá-lo não se sentiu nostálgico, mas que encontrou grandes surpresas. O que me comoveu foi o clima... Em todas as cenas das 50 horas de gravação que eu tinha aparecíamos rindo e brincando. A amizade da banda simplesmente transcendia a tela. O processo todo de edição e seleção das cenas me ajudou a fechar um ciclo que agora está completo. Todo membro de todo grupo acredita que vai chegar ao topo e o mundo estará aos seus pés. Para alguns, isso se torna realidade, para outros, é um sonho que evapora. Fui um dos sortudos... Todo álbum era melhor do que o anterior, todo single ficava no primeiro lugar da parada por mais tempo que o anterior, todo show era maior do que o último. E então terminamos. Se houvesse uma reunião para um show, não tenho dúvidas que os três seríamos exatamente o que precisamos ser. Mas não, nós não vamos nos reunir.

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