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AmarElo, do Emicida, é muito mais que um show

Concerto do rapper entrega muito mais que música

Pedro Henrique Ribeiro
16.07.2021
09h26
Atualizada em
17.07.2021
14h10
Atualizada em 17.07.2021 às 14h10

A Netflix lançou nesta quinta-feira (15) o show de Emicida no Theatro Municial de São Paulo. AmarElo: Ao Vivo, sem dúvidas, é um concerto sensacional, mas vai muito além disso.

Quem assistiu ao documentário AmarElo - É Tudo Pra Ontem viu toda a preocupação do artista em levar consigo importantes mensagens. Emicida não subiu naquele palco para cantar, subiu para fazer história - e fez.

Talvez algumas pessoas não consigam compreender isso com facilidade, mas para a maioria daquele público - inclusive a avó de 80 anos do cantor - aquela pode ter sido a única oportunidade de visitar o Theatro Municipal na vida. A questão toda vai muito além de valores de ingresso ou distância do centro para a periferia, é uma questão de educação cultural que não se restringe a São Paulo.

Até mesmo entre os artistas, muitos nunca tinham pisado naquele espaço antes. E quando o assunto é os convidados do rapper, as cantoras Majur e Pabllo Vittar também se apresentaram naquela noite, tornando o espaço ainda mais diverso.

Ver todos aqueles rostos ali já é uma revolução, e Emicida nos proporcionou isso. O público não estava apenas dentro do Municipal. Do lado de fora, a produção montou uma tela que transmitiu o concerto de Emicida ao vivo para os fãs que não conseguiram uma cadeira dentro do teatro. “Esse é um prédio muito bonito e eu acho que esse é o dia mais bonito da história dele”, disse ele durante o show.

Além do público pagante, alguns convidados também estavam ali sendo tocados pelo concerto AmarElo. Os integrantes do MNU (Movimento Negro Unificado) foram homenageados pelo cantor durante a apresentação. O motivo? Desafiaram a ditadura militar brasileira para lutar por equidade racial.

AmarElo/Divulgação

Para que a gente esteja nesse lugar que foi negado aos nossos ancestrais, muitas pessoas suaram e sangraram no caminho. Se hoje a gente sorri dentro do Theatro Municipal, é porque algumas pessoas no auge da ditadura militar tiveram a coragem de se levantar contra o estado brasileiro e seu racismo assassino e dizer que o país precisava reconhecer o protagonismo das pessoas de pele escura na sociedade brasileira. A nossa vitória não vale de nada se ela não anistiar o espírito de todas as pessoas que foram assassinadas durane cinco séculos de escravidão”, disse Emicida antes de anunciar os convidados e cantar a música “Pantera Negra”.

Assim como a história da Marvel, o rap de Emicida mescla ficção com uma mensagem da luta antirracista. 

Uma coisa que fica muito evidente assistindo a esse show, que aconteceu em novembro de 2019, foi todo o aprendizado que Emicida adquiriu na carreira. Desde as batalhas de rima que participava antes de ser famoso, a influência dos sambas de roda e outros ritmos estrangeiros. Tudo isso misturado a letras reflexivas e com verdades profundas para os fãs da periferia que estavam por lá.

"Tem um velho ditado iorubá que diz: Exú matou uma pássaro ontem com um pedra que só jogou hoje".

Esse ensinamento de Emicida no documentário É Tudo Pra Ontem quer dizer que nossas atitudes de agora podem acertar as contas de erros do passado, e o show no Municipal acertou muitas delas.

AmarElo: É Tudo Pra Ontem e AmarElo: Ao Vivo estão disponíveis no catálogo da Netflix. Recomendamos assistir ao documentário antes do show.

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