Os álbuns mais marcantes de 2019

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Os álbuns mais marcantes de 2019

Ano trouxe destaques de nomes veteranos do pop e retorno de grandes bandas do rock

Julia Sabbaga
18.12.2019
12h45

2019 foi um ano cheio de movimentos marcantes para a música. Não apenas recebemos alguns presentes de nomes totalmente veteranos - que passam por Madonna e Bruce Springsteen - como testemunhamos a explosão de estrelas novas, em Billie Eilish, Lizzo ou Lil Nas X.

Para relembrar o ano da música, listamos abaixo os álbuns que mais marcaram o ano, não necessariamente por sua qualidade, mas por diversos fatores que os tornaram definidores de 2019. Confira:

Ariana Grande - Thank U, Next

O poder de Ariana Grande teve um de seus maiores exemplos em 2019, quando a cantora se viu em um momento delicado de sua carreira. Acostumada com escrutínio de sua vida pessoal em público, Ariana retornou com Thank U, Next após o término de seu noivado com Pete Davidson e a morte de seu ex-noivo, Mac Miller. A fase engrenou a criatividade de Ariana, que retornou com um álbum que lida com suas dores, mas não tem vergonha de ser feliz. Todos os seus conflitos amorosos foram lidados de cara com a faixa-título, com uma letra madura, mas leve, e independente. Certamente um dos destaques do ano para o pop. 

Billie Eilish - When We All Fall Asleep, Where Do We Go?

Depois de um longo período de fama na internet, tendo surgido da explosão do hit “Ocean Eyes” no Soundcloud, Billie Eilish finalmente lançou seu primeiro álbum completo, When We All Fall Asleep, Where Do We Go?, disco que viria a se tornar o mais bem sucedido comercialmente em 2019. Produzido e composto em parceria pelo irmão da cantora, Finneas, o álbum gerou um consenso no mundo da música, de que Eilish estabeleceu uma nova era, que promete nova geração baseada no que ela criou em When We All Fall Asleep, Where Do We Go?. Intimista e ao mesmo tempo totalmente cativante, o álbum veio refrescar um gênero que precisava há tempos de uma nova voz. 

Black Alien - Abaixo de zero: Hello Hell

Quatro anos depois do Babylon By Gus – Vol. II, Gustavo de Almeida Ribeiro, o Black Alien, marcou novamente o cenário nacional com um trabalho solo absolutamente único. Abaixo de Zero: Hello Hell mostra um retorno eloquente com uma nova personalidade, desta vez sóbria, algo que temperou as rimas com autoconsciência, um pouco de otimismo, mas muito cinismo. Flutuando entre estilos e idiomas como sempre, Black Alien deixou seu marco em 2019 com um álbum de 26 minutos, sucinto e preciso.

Lizzo - Cuz I Love You

Lizzo é a estrela absoluta da música de 2019. O que a nova estrela do pop fez em Cuz I Love You relembra o poder de Amy Winehouse e tem o brilho de Janelle Monáe, resultando em algo que foi um dos maiores presentes que a música recebeu em 2019. A produção combina alguns dos melhores elementos da modernidade, o gosto de algo nostálgico e retrô que não poderia ter saído de outra época que não fosse hoje. Hit atrás de hit, Lizzo demonstra ser um dos nomes mais promissores da indústria. 

Vampire Weekend - Father Of The Bride

O Vampire Weekend marcou 2019 com um álbum inusitado para os tempos de caos que vivemos. Liderados por um Ezra Koenig mais maduro e vivido, e vindo de um contexto diferente, pela primeira vez sem o produtor e multi-instrumentista Rostam Batmanglij, a banda entregou um álbum duplo cheio de canções serenas que refletem sobre o estado do mundo e da mente, que rendeu uma indicação de Melhor Álbum do Ano no Grammy. 

Tyler, The Creator - Igor

Depois de Flower Boy, Tyler, The Creator tinha uma difícil tarefa de seguir o seu álbum mais aclamado, e ele conseguiu realizar isso de um jeito muito certeiro com Igor. Quase criando uma nova persona, ele investiu ainda mais no R&B e teceu um disco inteiro de um ponto de vista de abandono, ou coração partido, mas sem nunca deixar sua acidez e sua agressão para trás. Igor abre espaço para mais canto - e menos rap - mas é refrescante ver uma das figuras mais viscerais da música se mostrar mais vulnerável, ainda mais em cima de uma das melhores produções do ano.

Rammstein - Rammstein

Um dos melhores presentes que o rock recebeu em 2019 veio do retorno do Rammstein, que já não lançava um álbum de inéditas desde Liebe ist für alle da, de 2009. Depois de 10 anos, a banda alemã entregou um álbum sem nome, carinhosamente apelidado de Rammstein, trazendo de volta todo o poder de seu heavy metal dançante característico. Sem divulgar nenhuma informação sobre o álbum, e nem mesmo dando um nome ao trabalho, o Rammstein apresentou o novo disco ao mundo com o single "Deutschland", uma das músicas mais destruidoras do ano. 

Dead Fish - Ponto Cego

O rock nacional também teve um novo impulso em 2019, e um dos maiores responsáveis foi o Dead Fish, que depois de quatro anos sem novo álbum lançou o poderoso Ponto Cego. Inspirados totalmente pela novo cenário político brasileiro, o grupo de hardcore retornou sem o baixista Alyand (que deixou a banda em 2018 devido a problemas de saúde) mas com um fôlego renovado e muito o que dizer.

Madonna - Madame X

2019 foi um grande ano para o pop, recebendo trabalhos dos maiores novos nomes até da Rainha veterana do gênero, Madonna. Marcando o ano como um de seus trabalhos mais experimentais, Madame X trouxe uma Madonna absolutamente confortável com o seu status na música e sem precisar provar nada para ninguém, permitindo uma exploração de novas camadas e produções ousadas. O disco contou com parcerias com Maluma, Swae Lee, Quavo e Anitta, comprovando a habilidade de Madonna de alcançar a tudo e todos, e se manter atual nas manchetes do pop. 

Bruce Springsteen - Western Stars

No mesmo dia em que Madonna divulgou seu 14º álbum, Bruce Springsteen lançou seu 19º, Western Stars, provando o poder de estrelas veteranas ainda presente em 2019. O mais novo disco do Chefe marcou o ano como um trabalho absolutamente surpreendente, não por sua qualidade, mas por seu lado mais terreno. Ao invés de caminhar pelas melodias grandiosas que fazem parte de seu traço característico, Springsteen apostou em canções simples, singelas, cheias de ambientação, que resultam em um trabalho cinematográfico que passeia pelo oeste americano. 

The Raconteurs - Help Us Stranger

O The Raconteurs também fez seu retorno em 2019, aliviando a espera de 11 anos de uma legião de fãs. Help Us Stranger pode não ter agradado a todos, mas trouxe Jack White novamente em território familiar, e gerou a maior estreia da banda nas paradas, chegando ao 1º lugar dos álbuns mais vendidos, além de ter finalmente ter trazido a banda ao Brasil. 

Lil Nas X - 7

O EP de Lil Nas X certamente não foi um dos melhores do ano, mas definitivamente foi um dos trabalhos que marcou e ajudou a definir 2019. 7 saiu de uma necessidade, já que a estrela precoce foi responsável pelo maior hit do ano, “Old Town Road”, e talvez por isso o álbum reflita toda a pressa de um músico que ainda tem muito para desenvolver. A essência de “Old Town Road”, uma música tão cativante que é insuportável, é um dos símbolos do ano, um hit que reflete uma despreocupação irritante com qualidade, e por isso, tão inevitável. 

Fresno - Sua Alegria Foi Cancelada

Depois de duas décadas de carreira, era natural que o Fresno retornasse mais maduro, mas poucos estavam prontos para a evolução que se mostrou em Sua Alegria Foi Cancelada, o oitavo álbum de sua carreira. O disco traz mais uma das sonoridades que definiu 2019, com o retorno da sofrência única do grupo, mas que desta vez se apresentou mais versátil e até flutuou para outros gêneros, mais claramente o post-rock.

Slipknot - We Are Not Your Kind

O Slipknot foi outro responsável pelo belo ano que o rock teve em 2019, lançando o seu primeiro álbum em cinco anos, We Are Not Your Kind. Em um ano conturbado, em que o grupo liderado por Corey Taylor demitiu o percussionista Chris Fehn por conflitos financeiros, a banda lançou um álbum arrebatador, surpreendendo expectativas e superando os elogios recebidos por álbuns recentes. We Are Not Your Kind mostrou o conjunto escapando da área de conforto e experimentando mais, mas sem perder seu som característico. 

Taylor Swift - Lover

Taylor Swift retornou em 2019 com um álbum totalmente distante de seu último trabalho, Reputation. Fugindo da faceta pesada e sombria do álbum de 2017, a cantora retornou ao seu lado mais romântico e doce, e brilhou mais ao falar de assuntos mais corriqueiros e finalmente discutindo questões mais políticas, algo pelo qual sempre foi criticada por não abordar. Faixas como “The Man”, “You Need To Calm Down” e “Miss Americana and the Heartbreak Prince” inauguraram uma nova era para Swift, que entra para a próxima década mais responsável e mais relacionável. 

Tool - Fear Inoculum

Logo na semana seguinte em que Taylor Swift lançou o seu antecipado álbum, um grupo veio atrás com um álbum mais antecipado ainda para o mundo da música, e causou um dos movimentos mais importantes para o rock em 2019. Quando Fear Inoculum, o primeiro álbum do Tool em 13 anos, destronou Taylor Swift do topo das paradas dos EUA em sua primeira semana, o mundo do rock respirou aliviado e mais vivo do que nunca. Fear Inoculum não agradou a todos, mas foi certamente um dos lançamentos mais poderosos do ano: não é todo dia que você vê o metal progressivo passando por cima do pop. 

Lana Del Rey - Norman Fucking Rockwell!

O que Lana Del Rey fez em 2019 parece, simplesmente, o resultado de tudo que ela estava preparando desde que sua persona nasceu, com Born To Die, em 2011. Norman Fucking Rockwell! soa como um livro de poesias sobre amor, desilusão, decadência política e ambiental e o apocalipse. Potencializando cada um dos aspectos que a cantora já havia demonstrado até hoje, NFR! tem instrumentações memoráveis e algumas das melhores letras do ano. 

Elza Soares - Planeta Fome

Elza Soares tem sido presença carimbada em listas de melhores álbuns desde o estrondoso A Mulher do Fim do Mundo, de 2015, mas o seu disco de 2019, Planeta Fome, foi um marco por trazer um aspecto mais otimista às suas canções. Com arranjos diferentes e com o auxílio do BaianaSystem - mostrando uma parceira absolutamente certeira - Soares retornou em 2019 ainda indagando sobre os problemas do país, mas falando de uma perspectiva mais esperançosa. 

Kanye West - Jesus Is King

Jesus e religião sempre estiveram presentes nas letras de Kanye West, mas 2019 marcou o ano em que o músico se aprofundou totalmente no tema e lançou o seu primeiro álbum que pode ser classificado como religioso, Jesus Is King. O movimento por si só bastaria para incluir o trabalho entre os álbuns mais marcantes do ano, mas o álbum também foi considerado um dos mais consistentes materiais do músico em seu histórico recente. 

Emicida - Amarelo

Assim como Elza Soares, Emicida surpreendeu em 2019 entregando todo seu talento para uma faceta também otimista em Amarelo. Um dos maiores nomes da música brasileira entregou um dos seus álbuns mais calorosos, com uma série de convidados diversa (que vão de Fernanda Montenegro a Zeca Pagodinho e Pabllo Vittar) para, claro, refletir sobre a sociedade de forma crítica, mas caindo como mais um brilho de esperança e otimismo. Não é à toa que a faixa-título de Amarelo é certamente uma das melhores músicas do ano. 

FKA Twigs - Magdalene

A inglesa FKA Twigs foi um dos nomes mais aclamados do ano por um trabalho estrondoso. Magdalene tem poucos elementos que alcançam o mainstream, mas é um consenso claro como uma das melhores coisas que a música recebeu em 2019. Em seu segundo álbum de estúdio, FKA Twigs se inspirou na figura de Maria Madalena para escrever poesias sobre o feminino  como um todo, e compor músicas absolutamente cortantes a partir de um coração partido. Isso resultou em um trabalho que remete ao religioso para falar sobre o terreno, algo que a compositora fez maravilhosamente bem.