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A música em The End of The F***ing World

Trilha sonora americana cria o clima doce da série inglesa

Julia Sabbaga
10.01.2018
15h14

Se você ainda não viu a nova série da Channel 4 que chegou na Netflix na semana passada, The End of The F***ing World, aqui vai uma série de motivos para assistir: a trama, o elenco, a estética, o humor, a sensibilidade e acidez. Como se isso não fosse motivo suficiente para se apaixonar, a série traz uma ótima trilha sonora, repleta de músicas que passam pelo rock, country, pop e blues.

Facebook/reprodução

A trilha sonora original de The End Of The F***ing World é composta pelo co-fundador do Blur, Graham Coxon. Uma das composições que chamam atenção no meio da trilha à moda antiga é a sua balada acústica “Walking All Day”, que ainda não foi lançada e não está nas plataformas digitais, mas o áudio foi retirado da série e pode ser encontrado no YouTube:

Mas muito do que chama mais atenção na série é a escolha das músicas. Para uma série do Reino Unido, ela chama atenção principalmente por uma trilha sonora quase inteiramente americana, e isso combina muito com o seriado, que não nega a influência clara. A melhor ilustração disso sai da boca de Alissa, quando ela diz que a vida não é um filme: “Se fosse, nós seríamos americanos”. Na trilha sonora, as referências vêm de diversas vozes tradicionais americanas, de Ricky Nelson, Julie London, Hank Williams ou Brenda Lee.

Uma das cenas mais legais da série chega no terceiro episódio, pouco antes dos eventos catastróficos que determinam o rumo de James e Alissa. Dançando ao som de "Settin' the Woods on Fire", de Hank Williams, o casal constrói uma das primeiras cenas de intimidade real. A música, lançada em 1952, tem uma letra doce sobre um casal que sai para curtir a noite, mas, claro, na linguagem inocente de anos 50.

Apesar da trilha sonora ser marcada por clássicos americanos, uma música chama atenção no meio: “Keep On Running”, com o The Spencer Davis Group. Quando os dois roubam um carro que só toca uma música de um único CD, a faixa toca repetidamente. O clássico da banda de Birmingham, é na verdade um cover do compositor jamaicano Jackie Edwards, mas virou um hit enorme com a banda de Spencer Davis e Steve Winwood. Além de ser perfeita para uma viagem de fuga, faz muito sentido que a canção mais inglesa do seriado é a que está inserida na trama, tocando no rádio.

E ainda, no fim da série, a música que fecha a jornada dos personagens não poderia ser melhor. Na voz de Julie London, ouvimos “The End Of The World”. A melancólica e romântica balada é uma visão catastrófica do fim do amor, propícia para o encerramento da série.

The End Of The F***ing World é uma daquelas séries que soube escolher suas músicas com muito estilo. A capacidade de encaixar clássicos dos anos 50 e 60, com sua sonoridade doce à moda antiga, para embalar um casal que desenvolve em meio de problemas nada juvenis (que passam por psicopatia, assassinato e abuso sexual) faz parte da acidez da série, e ajuda a ilustrar o amadurecimento de adolescentes que, apesar de circunstâncias absurdas, trazem fatores terrenos e atemporais. 

A primeira temporada de The End of the F***ing World está disponível na Netflix - leia nossa crítica.

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