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Disputa entre Marvel e criador do Motoqueiro Fantasma gera polêmica entre quadrinistas

E pode criar precedente contra autores que vendem desenhos de personagens Marvel

Érico Assis
17.02.2012, às 15H35
ATUALIZADA EM 29.06.2018, ÀS 02H42
ATUALIZADA EM 29.06.2018, ÀS 02H42

Em dezembro, uma decisão judicial aparentemente pôs fim ao processo que o escritor Gary Friedrich movia contra a Marvel Comics desde 2007. Friedrich alegava ter criado o Motoqueiro Fantasma antes de introduzi-lo como personagem nos quadrinhos Marvel, por isso teria direitos sobre tudo com o cabeça flamejante - inclusive os filmes.

Motoqueiro Fantasma

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Friedrich perdeu a ação. Mas nas últimas semanas descobriu-se um item polêmico resultante da decisão judicial: o autor terá que pagar US$ 17 mil (R$ 30 mil) à Marvel por vender camisetas e posters do personagem em convenções.

O item na verdade levantou duas polêmicas. A primeira: a Marvel precisaria mesmo cobrar mais grana de um autor que já venceu judicialmente e, ainda por cima, um autor atualmente falido? A segunda: quem quer que desenhe personagens Marvel - mesmo desenhistas que trabalhem para a editora - e venda-os como sketches, camisetas, cartazes ou o que for está sujeito a ser processado pela editora?

Quanto à primeira polêmica, vários autores já se manifestaram contra a Marvel, taxando de "injusto" ou "imoral" cobrar mais dinheiro de Friedrich, após ter seu direito moral de criador negado. O roteirista Steve Niles, por exemplo, montou um sistema de doações para fãs e quadrinistas contribuirem com dinheiro para Friedrich.

As manifestações fizeram até Joe QuesadaDan Buckley, respectivamente diretor criativo e publisher da Marvel, manifestarem-se em entrevista ao Comic Book Resources. Eles dizem que os US$ 17 mil que estão sendo cobrados de Friedrich fazem parte da decisão judicial e que foram acordados pelos advogados da editora e do autor. Além disso, a Marvel em nenhum momento nega a contribuição de Friedrich como criador do Motoqueiro Fantasma, embora ressalte que outros quadrinistas - Mike Ploog, Stan Lee, Roy Thomas - tenham tido participação. Fora que a Marvel já tinha um personagem chamado Ghost Rider (western) antes do Motoqueiro.

Já a segunda polêmica pegou fogo com uma publicação no Facebook do quadrinista Stephen Bissette citando o advogado (e também quadrinista) Jean-Marc Lofficier. Os dois sugerem que a cobrança a Friedrich é um aviso para todo e qualquer artista que faça desenhos encomendados, venda sketches ou qualquer outra coisa direto aos fãs, usando personagens da Marvel (ou até de outras editoras), de que estão sujeitos a um processo. Lofficier ressalta que a pena é de geralmente três vezes o valor que o artista ganha com o material não-autorizado.

Na entrevista do CBR, Buckley diz que isso não vai acontecer. "De forma alguma vamos mexer com autores em convenções que estejam criando experiências positivas com personagens Marvel para nossos fãs (...) Parte desta interação positiva é o fã poder sair com um souvenir ou um esboço personalizado de um artista." Quesada complementa que Gary Friedrich tem autorização, segundo a decisão judicial, para continuar autografando HQs ou o que for do Motoqueiro Fantasma - e inclusive cobrar pelo autógrafo.

O assunto ainda se desenrola. Friedrich, em mensagem aos fãs, agradece pelas doações, mas não pode manifestar-se sobre o caso devido a segredo judicial.

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