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Entrevista

Universidade Monstros | Omelete entrevista Billy Crystal e John Goodman

Atores falam sobre o prelúdio de Monstros S.A. e relembram seus tempos de faculdade

Christina Radish
20.06.2013
16h37
Atualizada em
29.06.2018
02h42
Atualizada em 29.06.2018 às 02h42

Representados pelos nossos parceiros do Collider, participamos das entrevistas de Universidade Monstros, o prélúdio de Monstros S.A. que a Pixar lança mundialmente nesta sexta. Na conversa, Billy Crystal e John Goodman contam como foi dar voz às versões jovens, respectivamente, de Mike Wazowski e James P. Sullivan, falam sobre seus tempos na universidade (incluindo aulas com o professor Martin Scorsese) e comentam a evolução da Disney/Pixar.

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Depois de criar os personagens no primeiro filme, como foi voltar e recriá-los nas suas versões mais jovens? Foi um desafio?

Billy Crystal: No primeiro dia em que trabalhamos juntos, nos mostraram as versões mais jovens de Mike e Sulley. Nós começamos a rir, pois eles nos fizeram parecer mais jovens. Sulley é mais saudável e magro. Mike tem seu aparelho e há mais juventude nos seus olhos. Eles simplesmente se portam de forma diferente. É sutil, mas está lá.
John Goodman: Depois de algumas tomadas, apenas acontece, organicamente. Você pega outras energias e simplesmente acontece. É uma diferença sutil, mas esta lá.

Qual seria o marco na amizade entre Mike e Sulley?

Goodman: Acho que a razão pela qual eles funcionam juntos é que, de certa forma, eles se completam. Acho que Sulley precisa muito, muito do Mike Wazowski. Ele o torna completo e permite que Sulley respire um pouco. Especialmente neste filme, em que eles não são monstros completamente formados ainda, eles aprendem um com o outro. Eles aprendem a se adaptar e abandonar as suas noções preconcebidas de si mesmos e do mundo. Eles são bons um para o outro.
Crystal: Para mim, Mike é destemido. Ele é realmente meu personagem favorito, de tudo que já fiz. Eu realmente senti falta de interpretá-lo. (...) Eu amo interpretar esse cara e interpretá-lo com John é fenomenal pois nós trabalhamos juntos no estúdio e podemos atuar juntos. Não estamos apenas lendo as falas. Estamos interpretando os personagens e nós os sentimos. Acho que é por isso que a relação deles na tela é tão legal. É algo real.

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Quando estavam na universidade, vocês sentiam que se encaixavam no mundo ao seu redor ou se sentiam um pouco desajustados?

Crystal: Preciso admitir que me sentia um pouco desajustado. Eu estava cursando direção de cinema na Universidade de Nova York. Ainda não sei o porquê de ter me formado em direção, quando eu era, na verdade, um ator e um comediante, mas existia algo que me levou para isso. Fiz alguns filmes e amei. Então, me sentia um pouco desajustado, pois lá estavam Oliver Stone, Christopher Guest e Mike McKean. Era uma classe de pessoas do cinema. Nosso professor era Martin Scorsese. Marty, ou Sr. Scorsese, que é como eu precisava chamá-lo (e ainda chamo, pois ele me deu um C), era um estudante de pós-graduação. Era 1968 e ele era um cara intenso, com cabelo comprido, uma barba e óculos de vovozinha. Ele era tão fluente em cinema e tão passional e eu ainda sentia que queria estar na frente das pessoas, então estava meio fora disso.
Goodman: Não estudei com pessoas famosas como Billy. Fui um vagabundo por um tempo. Eu estava simplesmente desesperado por me enturmar com um grupo. Realmente, eu estava nadando. Estava perdido, boiando, tentando achar meu caminho. Eu queria jogar futebol [americano]. Não deu certo. Não sabia o que eu queria até que achei a atuação no departamento de teatro e então tudo parecia no lugar e eu tinha paixão em relação a alguma coisa. Foi então que comecei a viver a minha vida.
Crystal: Sim, foi assim para mim também. Uma vez que encontrei um grupo de teatro, eu virei um rato de teatro e essa era a minha república. Aquilo se tornou uma extensão da minha família. Ainda vejo muitas daquelas pessoas, até hoje, pois elas me devem dinheiro. Não. Realmente se torna a "sua coisa". Neste filme, eles descobrem quem eles são. Para mim, é o elemento mais importante do filme. Mike tem um sonho e esse sonho pode não dar certo, então ele precisa se reajustar e recalibrar. (...) E ele começa a acreditar em si mesmo. Para mim, isso realmente aconteceu.

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Vocês fizeram Monstros S.A. há 10 anos. A experiência de trabalhar com a Pixar mudou ou continua a mesma?

Goodman: Antes eles estavam boquiabertos por conseguir animar pêlo e cabelo. Era um avanço importante na época. Apenas parece que eles aperfeiçoaram ainda mais a técnica. É incrível. E a emoção de voltar a trabalhar com eles é por conta deles serem ótimos contadores de história e ótimos roteiristas. Tudo é realmente fundamentado, então você pode acreditar, o que torna tudo mais divertido.
Crystal: A diferença é que talvez seja mais rápido do que antes. E a imaginação pode ir ainda mais longe pois eles podem fazer muito mais. Eu vi o filme pela primeira vez há duas semanas e você esquece o que fez, pois começou há dois anos, mas o imaginário é fenomenal nesse filme. A direção de arte do primeiro filme era surpreendente, com a sequência das portas e a sequência de perseguição. Esse tem momentos nos Jogos de Susto. Você quase não dá bola, mas levou anos para eles pensarem nessas coisas. A pista de obstáculos é um segmento fenomenal. E aquela cena dramática no Lago, em que Mike conhece o mundo real no acampamento, nós a atuamos juntos [na cabine de gravação]. Para que um filme tenha espaço para esses dois segmentos é meio que épico.

No filme, Sulley não é exatamente o estudante mais preparado no primeiro dia de aula. Enquanto estudantes, quais foram as melhores desculpas que vocês ouviram ou usaram para não ir a escola?

Goodman: Eu era muito complexo. Eu ia até a enfermaria e enchia um copo com água e era muito bom para fingir vômitos. Eu ia ao banheiro da enfermeira e jogava a água no vaso. Era uma passagem imediata para casa. Marlon Brando costumava esfregar um termômetro na sua perna e depois colocá-lo de volta na boca.
Crystal: Eu só fingia uma dor de garganta.

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Quais são seus personagens novos favoritos?

Crystal: Eles são todos ótimos. Acho que são todos fantásticos. O personagem de Charlie Day, o cara roxo, é muito divertido. Sean Hayes é hilário como o cara de duas cabeças. Helen [Mirren] é fantástica. Já havia trabalhado com ela antes e ela é a senhora mais divertida, descolada, ótima e realista, mas neste filme ela é realmente assustadora. É um ótimo elenco.

O que você acha que Helen Mirren acrescentou ao filme?

Crystal: Bem, ela é uma aristocrata. Ela é a Dama Helen. Gostaria de ter estado lá quando ela estava trabalhando [na dublagem]. Ela é simplesmente fantástica. Ela entende. Ela é uma ótima atriz, então é fácil. Mesmo como uma mulher estranha animada, ou o que quer que ela seja, há um ar de realeza e sua voz é perfeita. Foi uma ótima escolha de elenco.

O que costumava assustá-los debaixo da cama ou no armário?

Crystal: Minha tinha Sheila era assustadora! Ela colocava um guardanapo na boca e dizia "Você tem algo no rosto, querido. Deixe-me coçá-lo para você. Me deixe massagear a sua bochecha". Eu ainda não gosto do escuro, apesar de que aprendi a sorrir nele. O desconhecido sempre foi um pouco assustador, quando você pensa a respeito dessas coisas, especialmente conforme vai envelhecendo. Nossa, isso ficou pesado.
Goodman: Eu tinha medo do Frankenstein fugindo do moinho. Ele me assustava muito.
Crystal: Oh, e então Psicose foi lançado. O senhor Hitchcock sabia o que estava fazendo. Até hoje, ainda é assustador. É a música, a iluminação e a forma como foi filmado. É tudo isso. É simplesmente genial.
Goodman: Em amo esses filmes [de monstros] da Universal, especialmente quando eles trocam e Bela Lugosi fazia Frankestein, pois não dava certo. Simplesmente não funcionava.

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