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Melhores HQs | Novembro/2011

Omelete recomenda lançamentos recentes nas bancas e livrarias

Érico Assis
05.12.2011
01h00
Atualizada em
29.06.2018
02h42
Atualizada em 29.06.2018 às 02h42

Na coluna mensal MELHORES HQs, o Omelete seleciona o que há de mais interessante entre os lançamentos nas histórias em quadrinhos nas bancas e livrarias nacionais (e, eventualmente, internacionais).

Passagens Sombrias

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Hellblazer: Passagens Sombrias

Black Mirror

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Batman: Black Mirror

Love Hurts

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Love Hurts

Achados e Perdidos

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Achados e Perdidos

Best American Comics

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Best American Comics 2011

Castelo de Areia

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Castelo de Areia

1000-1

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1000-1

Quando eu Cresci

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Quando eu Cresci

JOHN CONSTANTINE, HELLBLAZER: PASSAGENS SOMBRIAS

Ian Rankin / Werther Dell'Edra
(tradução: Guilherme Braga)
220 páginas, 13,5 x 20,5cm, preto e branco
Panini Comics
R$ 17,90
[preview]

Não se assuste com o formatinho. Não são as editoras brasileiras querendo voltar no tempo, mas sim o formato que a linha Vertigo Crime adotou nos EUA, que lembra um pouco o formato Bonelli - embora lá saia em capa dura (e cara) para parecer livro. Assim como o formato, é italiano também o desenhista Werther Dell'Edra, que parecia não saber que a edição seria em preto e branco, o que deixa algumas cenas perto do incompreensível. Já o roteiro, do romancista policial escocês Ian Rankin, tenta conformar-se ao gênero Constantine de sobrenatural: o mago de sobretudo entra em um reality show à la Big Brother no qual forças demoníacas também estão envolvidas. É uma típica história de Constantine (em formato Dylan Dog), que vale para quem gosta do personagem. Mas podia ter desenhos bem melhores.

CASTELO DE AREIA

Pierre-Oscar Lévy / Frederik Peeters
(tradução: Diogo Rodrigues de Barros)
104 páginas, 22 x 29 cm, preto e branco
Tordesilhas
R$ 34,90

Você pode chegar ao fim de Castelo de Areia e pensar "que diabo foi isso?", como em um filme de David Lynch. Mas assim como nos filmes do cineasta, mesmo quando a trama lhe escapa, fica a sensação de que você testemunhou ou entendeu algo que não poderia ser dito de outra forma - e essa sensação acompanha você por dias. No álbum de Lévy e Peeters, um grupo de banhistas encontra um corpo boiando numa praia afastada. De repente, as crianças começam a crescer, os adultos a envelhecer e o mistério do cadáver - e por que eles não conseguirem sair do local - se aprofunda. O roteiro delicado deixa amplo espaço para os desenhos simples, mas belos, de Peeters ganharem destaque. E o álbum acaba de ganhar um prêmio no festival francês de ficção científica Les Utopiales. É para ter na estante e reler de ano em ano.

1000-1

Rafael Coutinho, DW Ribatski, Daniel Gisé, Tiago Elcerdo, Gabriel Góes, Diego Gerlach
128 páginas, 21 x 28 cm, preto sobre papeis de diferentes cores
LeYa/Barba Negra
R$ 44,90

O projeto 1000, capitaneado pelo quadrinista Rafael Coutinho (Cachalote) ao lado da editora Barba Negra, lançou (e continuará lançando) revistas que destacam os nomes contemporâneos do quadrinho brasileiro. Esta coletânea reúne as primeiras seis, sempre "mudas" (sem texto). O resultado, por enquanto, serve apenas para confirmar que Coutinho é o quadrinista mais criativo (em trama, em traço, em narrativa) desta geração - sua história "Drink" abre o volume - e que o experimentalismo que marca todos estes novos nomes às vezes tende para o hermético. Entende-se as narrativas carregadas de símbolos - como "La Naturalesa", de DW, ou "Desvio", de Gisé -, mas quando elas chegam ao nível de coleção de desenhos lisérgicos - como "Sim", de Gabriel Góes -, você começa a questionar se os significados são totalmente abertos ou se não ficou faltando algum elemento para comunicar ao leitor o que se queria.

ACHADOS E PERDIDOS

Eduardo Damasceno, Luis Felipe Garrocho, Bruno Ito
212 páginas, colorido
Publicação independente
R$ 30,00 (compre aqui)

Seguindo o modelo de crowdfunding que conquista autores (e leitores) por todo o mundo, o trio que fez Achados e Perdidos disponibilizou o primeiro capítulo de sua graphic novel na internet e convidou quem gostasse a contribuir para a edição acontecer. Quinhentos e cinquenta investidores depois, o álbum sai com alto apuro gráfico e CD com trilha sonora original. Além de uma história que deixa pouco a desejar diante de outras narrativas - do cinema, da literatura - para o público infanto-juvenil, justamente o que tem menos opções no mercado de quadrinhos brasileiro (o que você lê entre Mônica e Asterios Polyp? Só super-heróis?). A história começa quando o protagonista Dev acorda com um buraco negro na barriga - talvez reflexo de sua depressão, talvez simplesmente um buraco negro como os que existem no espaço. Para descobrir, seu amigo Pip vai entrar. Lá eles vão descobrir o que está faltando nas suas vidas - e que não são os únicos que sentem essa lacuna que consome tudo ao redor.

LOVE HURTS

Murilo Martins
48 páginas, preto e branco
Publicação independente
R$ 10 (compre aqui)

Lendo Love Hurts, dá vontade de saber quantos quadrinhos Murilo Martins fez antes de chegar ao nível destes, e quando é que a gente vai ter mais. É forte a influência de Chris Ware - nos ícones, nos esquemas que fazem explicações sem texto, no tratar o livro como objeto -, mas há também outros estilos de ilustração, como em "Discografia", a história da paixão pela R.E.M. que vai até a notícia do fim da banda. Acompanhando as histórias, Murilo desenha nos cantos de página ele e a namorada-editora Alessandra discutindo o conteúdo, o que só deixa o volume como um todo mais simpático. A publicação fez sucesso na Rio Comicon, no FIQ e em outros eventos por onde está passando. Como a namorada-editora já adiantou, estamos esperando mais.

BEST AMERICAN COMICS 2011

Alison Bechdel, Jessica Abel, Matt Madden (editores)
352 páginas, 18 x 23 cm, colorido
Houghton-Mifflin
US$ 25

No sexto volume, o almanaque Best American Comics começa a mostar que suas falhas são problemáticas e seus tiques são clichês. A falha está em que, por um lado, o volume sai sempre com um ano de atraso - os "melhores quadrinhos de 2011" saíram entre setembro de 2009 e agosto de 2010 (várias das revistas que o almanaque recomenda já estão esgotadas). Por outro lado, se o propósito é mostrar o que se produziu de perene durante o período, parece ser pouco o distanciamento temporal para avaliar essa perenidade. Quanto aos tiques-clichês, há insistência no quadrinho experimental independente alternativo de tiragem ridícula. É louvável fazê-los chegar a novos públicos, mas deixa passar muita coisa boa que se faz no mainstream (embora tenha-se que dizer que Marvel e DC, um dos lados do mainstream, não participem por puro descaso). Vale rever "Lint", de Chris Ware, a última Love & Rockets, Gabrielle Bell, Notas Sobre Gaza etc. Mas se você já anda acompanhando os quadrinhos, não precisa do Best American Comics para dizer que devia lê-las.

BATMAN: THE BLACK MIRROR

Scott Snyder, Jock, Francesco Francavilla
304 páginas, 18 x 26 cm, colorido
DC Comics
US$ 29,99

Scott Snyder, vindo de Vampiro Americano, está fazendo sucesso entre os Bat-fãs. Com o reboot da DC este ano, ele assumiu a série principal do personagem. Antes disso, a passagem por Detective Comics foi o que conquistou os leitores. Nela, Batman ainda é Dick Grayson, que começa resolvendo o caso de um leiloeiro que vende armas e apetrechos dos Bat-vilões - numa história que assume tons bem dark tanto no texto quanto na arte do britânico Jock (Os Perdedores). Mas o destaque mesmo está na história paralela - que aos poucos vira principal - envolvendo o Comissário Gordon e seu filho James Jr., que Snyder recupera lá de Batman: Ano Um. A história baseia-se na dúvida de Gordon quanto à sociopatia do filho, que assassinava seus bullies quando criança, e se ele realmente se recuperou. A conclusão faz ligações com outra grande Bat-história, A Piada Mortal. Ou seja, Snyder se cercou de bons augúrios. O resultado só podia ser legal. A história acaba de sair em coletânea nos EUA, mas começa a ser publicada no Brasil em breve.

QUANDO EU CRESCI

Pierre Paquet / Tony Sandoval
(tradução: Carol Bensimon)
96 páginas, 23 x 31,5 cm, colorido
Ática/Agaquê
R$ 35,90

Tim Burton, tá pra você. Quando eu Cresci, estreia do editor suíço Pierre Paquet no roteiro de quadrinhos, está bem no universo de Burton: a criança que atravessa um mundo mágico para ter uma grande lição de vida, onde nem tudo que é dark é de todo mal e nem tudo que é bonitinho é de todo bem, e com visuais - do mexicano Tony Sandoval - que dariam anos de serviço às melhores produtoras de CGI. O menino travesso Pepe entra neste mundo ao atravessar a parede de casa, passando por metáforas que lembram O Pequeno Príncipe e que ganham novo significado na segunda leitura - ou de acordo com a sua idade quando reler. A lição que ele tem que aprender é das mais duras que acontecem a uma vida infantil. Enquanto a ideia não chega ao cinema, a HQ mais do que cumpre o serviço com seu tamanho avantajado, cores fantásticas e o uso criativo da linguagem dos quadrinhos.