Yahya Abdul-Mateen II como Morpheus em Matrix Resurrections

Créditos da imagem: Matrix Resurrections/Warner Bros/Reprodução

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Laurence Fishburne pode não ser Morpheus, mas relaxe: ele está em boas mãos

Yahya Abdul-Mateen II é um dos principais nomes de Hollywood, e os últimos anos da sua carreira deixam bem claro o por quê

Mariana Canhisares
11.09.2021
10h00

Os óculos, os gestos, as falas. As sugestões de que Morpheus reapareceria em Matrix Resurrections, agora nas mãos de outro ator, estavam todas no primeiro trailer, divulgado pela Warner Bros. em uma (até então) tranquila e banal manhã de quinta-feira (9). Mas se tratando de Matrix, toda desconfiança parece justificada e, não à toa, muitos fãs ficaram em negação. Diante dos retornos de Keanu Reeves e Carrie-Anne Moss como Neo e Trinity, respectivamente, apenas não fazia sentido. Por que a situação seria diferente com a emblemática figura que apresentou o protagonista à sua missão, mas não com o casal?

Apenas no final do dia o ator Yahya Abdul-Mateen II pôs fim às interrogações. Em uma publicação no Instagram, sem qualquer brecha para dúvidas, ele anunciou para o mundo quem é seu personagem no aguardado quarto filme da franquia:

Por mais que a notícia possa vir com um quê de decepção para os fãs mais assíduos da trilogia original, que torciam para reencontrar o Morpheus de Laurence Fishburne, ninguém propriamente torceu o nariz diante do nome de Yahya Abdul-Mateen II. Neste ano, ele impressionou com sua performance em A Lenda de Candyman e, de fato, isso seria suficiente para atestar sua versatilidade e seu talento como ator e, portanto, tranquilizar os corações mais receosos. Contudo, a verdade é que ele tem atraído os olhos de cineastas em Hollywood há alguns anos com performances cheias de nuances. Lana Wachowski foi somente a mais recente delas.

Sua entrada em definitivo na chamada lista A, ao lado de nomes também muito disputados como Anya-Taylor Joy e Florence Pugh, se deu com sua performance como Cal Abar/Dr. Manhattan em Watchmen, que não à toa lhe rendeu um Emmy na sua primeira indicação. Mas, ainda que sua ascensão na indústria seja mais perceptível nos últimos anos, com projetos ao lado de figuras como Aaron Sorkin (Os 7 de Chicago), Jordan Peele (Nós e A Lenda de Candyman, este último no qual é produtor), James Wan (Aquaman) e Charlie Brooker ("Striking Vipers", de Black Mirror), o criador da minissérie da HBO Damon Lindelof entendeu que “precisava dele em Watchmen” assistindo à sua participação em The Handmaid’s Tale.

"Em primeiro lugar, se você está em cenas com Elisabeth Moss, é bom que você saiba se virar", relembrou Lindelof ao Hollywood Reporter sobre como foi vê-lo em cena. "[Tive] apenas aquela sensação no meu corpo de 'quem é esse cara?', que você senta por completo e [que acontece], em algumas ocasiões, [ao assistir] pessoas que não têm o papel principal".

Foi assim que o criador de Watchmen pediu para a diretora de elenco contatar Abdul-Mateen II, e o resto da história você já conhece. Contudo, se Lindelof tivesse assistido a The Get Down na época da sua estreia, em 2016, certamente já teria notado essa fagulha nesse que foi um dos seus primeiros trabalhos como ator -- e sob a direção de ninguém menos que Baz Luhrmann.

Yahya Abdul-Mateen II em The Get Down
The Get Down/Netflix/Reprodução

É curioso, portanto, descobrir que a atuação surgiu na vida de Abdul-Mateen II não como uma paixão latente, um chamado ou um sonho infantil, como se convenciona a pensar sobre todo artista que conquista algum nível de prestígio. Na realidade, sua “história de origem” é bem mais mundana e, por isso mesmo, divertida. Ele queria tirar uma nota boa na faculdade sem muito esforço -- e, mais engraçado ainda, a ideia sequer foi dele.

“Depois de ter feito alguns esquetes e piadas sobre nosso treinador, um colega do time de corrida me recomendou. Ele disse ‘mano, você deveria fazer uma aula de teatro. É praticamente um recesso’”, contou ao comediante e apresentador Stephen Colbert na época do lançamento de Os 7 de Chicago. Ainda assim, veja só, ele apenas considerou aplicar suas habilidades dramáticas e cômicas em uma carreira depois de perder seu emprego -- espante-se -- no setor de planejamento urbano. Sim, Yahya Abdul-Mateen II é arquiteto de formação.

Hoje, não resta dúvidas de que, para ele, ser ator não é tão leviano quanto chegou a acreditar na época da faculdade. Basta olhar as escolhas que fez nos últimos anos, e a seriedade com que leva seu trabalho se faz aparente. No entanto, se nem isso é capaz de apaziguar a desconfiança dos fãs de Matrix sobre a qualidade do seu Morpheus, talvez ajude saber que ele mesmo é um aficionado pela franquia das irmãs Wachowski.

"Lembro do Keanu e sua primeira fala. Olhei para cima e lá estava ele. Eu disse 'puta merda, eu realmente estou em Matrix'. Só vendo e ouvindo aquela voz do Keanu", narrou ao Hollywood Reporter sobre sua primeira cena ao lado do intérprete de Neo. Essa é uma reação possível apenas para alguém que sabe o peso do papel e do universo do qual faz parte. Então, ainda que não seja o Fishburne como talvez alguns sonharam -- e, como bem aponta o The Enemy, há uma justificativa bem plausível para terem lhes causado essa frustração --, o personagem está em boas mãos.

Por sorte, os fãs de Matrix não são os únicos felizardos a contarem com Yahya Abdul-Mateen II nos seus títulos preferidos. Além de reprisar o vilão Arraia Negra em Aquaman and The Lost Kingdom, ele marcará presença em Furiosa, o prequel de Mad Max: Estrada da Fúria com direção e roteiro de George Miller; na ação Emergency Contact, com Dwayne Johnson; e ainda no thriller Ambulance, do diretor Michael Bay, no qual contracenará com Jake Gyllenhaal. Quer dizer, você ainda quer mesmo duvidar da decisão de Lana Wachowski?

Matrix Resurrections tem estreia prevista para 16 de dezembro.

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