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5 vezes em que o Capitão América esteve a frente de seu tempo

Herói que comemora 80 anos em 2021 mudou os rumos das HQs algumas vezes

A cozinha
07.03.2021
14h00

Poucos heróis dos quadrinhos carregam um legado tão celebrado quanto o Capitão América. Criado em meio ao triste período da Segunda Guerra Mundial, o super soldado Steve Rogers se manteve relevante mesmo após o conflito no mundo real, trilhando uma bela jornada que completa 80 anos oficialmente em março de 2021. Quer dizer, a revista foi publicada em dezembro de 1940, mas aqui a gente vai considerar o que tá na capa do gibi e comemorar essas oito décadas com essa omelista de 5 vezes em que o Capitão América esteve a frente de seu tempo.

Surgiu antes de a própria Marvel existir

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Não é segredo pra ninguém que o Capitão América foi criado na época da Segunda Guerra Mundial, especialmente porque a capa de sua primeira HQ mostra o herói socando a cara daquele carinha de bigode que eu não vou falar o nome. O que passa despercebido por alguns é que a Marvel só surgiu no começo da década de 1960, ou seja: o Capitão América veio antes mesmo do Universo Marvel. Calma que eu explico: aquela história clássica do jovem Steve Rogers que entra no exército, ganha poderes com o soro de super-soldado e vai para a guerra, foi escrita e desenhada por Joe Simon e Jack Kirby e lançada pela Timely, editora que umas duas décadas depois seria rebatizada como Marvel Comics.

Não que o Capitão seja o primeiro herói do que hoje a gente conhece como Universo Marvel, já que o Tocha Humana e o Namor vieram antes. Mas considerando que ele se tornou uma peça central desse mundo fantástico tanto nos quadrinhos, quanto fora deles, vale ser lembrado aqui.

Reinvenção e entrada no Universo Marvel

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Não é difícil imaginar que as HQs de guerra se tornaram extremamente populares durante a 2ª guerra mundial, tema que invadiu até mesmo os gibis de super-heróis - que entraram em baixa justamente por parecerem cada vez mais “bobas” diante dos horrores do mundo real. Com o fim da guerra e a ascensão de outros gêneros como terror e romance nas HQs, houve um esforço para emplacar os heróis novamente entre os leitores. Então em 1964, quando o Universo Marvel já se mostrava um sucesso graças a títulos como Quarteto Fantástico e X-Men, a dupla Stan Lee e Jack Kirby decidiu reviver o Capitão América nas páginas do número 4 da revista dos Vingadores.

Na história, o corpo congelado do soldado Steve Rogers é venerado por uma tribo de inuit. Sem saber de que se trata de seu antigo colega de batalha, Namor joga o corpo no mar, o que acaba por descongelar o soldado. Pouco tempo depois, Steve é resgatado pelos Vingadores, equipe então formada por Homem de Ferro, Thor, Homem-Formiga e Vespa. Após relembrar de sua história, derrotar os demais heróis em combate e até mesmo lutar contra Namor e seu exército, Steve se junta aos Vingadores e dá início à uma parceria que se mantém até os dias de hoje. Essa reintrodução foi importante por resgatar o personagem, tão importante na Era de Ouro, para uma nova fase dos quadrinhos de super-heróis que segue em evolução.

Refletindo eventos do mundo real

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Sendo um super-herói criado como uma resposta direta à 2a Guerra Mundial, não é surpresa dizer que o Capitão América é um personagem que reflete eventos do mundo real. Mas nosso querido Steve Rogers não se deu por contente e seguiu protagonizando histórias que respondiam a eventos de fora das HQs. Um exemplo emblemático é a HQ Império Secreto, de 1974. Essa é a famosa história em que Steve Rogers abandona o manto de Capitão América após se desiludir com sua pátria. O quadrinho foi a resposta da Marvel para o caso de Watergate, um escândalo de corrupção que acabou com a renúncia do então presidente Richard Nixon. Na trama, o herói abandona sua bandeira após descobrir uma grande conspiração que, ao que a HQ deixa implícito, era comandada pelo próprio presidente dos Estados Unidos.

O Capitão voltou a responder tragédias do mundo real em 2002, meses após os Estados Unidos serem chacoalhados pelos atentados de 11 de Setembro de 2001. Em uma fase que começa com Steve Rogers procurando por sobreviventes nos destroços do World Trade Center, as histórias imaginaram como um herói que leva a bandeira do país no peito reagiria a atentados terroristas em seu quintal. Essa veia segue até os dias de hoje, tanto na fase em que Sam Wilson enfrentou violência policial e racismo sistêmico enquanto agia como Capitão América, quanto quando o próprio Steve assistiu ao levante de um grupo supremacista envenenado por fake news e discursos de ódio.

Primeiro herói da Marvel a ganhar live-action

Todo mundo está bastante ansioso pra assistir Falcão e o Soldado Invernal, a próxima série do MCU no Disney+. Mas e se eu te disser que o próprio Capitão América já teve sua própria série? E mais! Você sabia que essa foi a primeira produção live-action de um herói da Marvel? Pois é, a produção foi exibida nos cinemas em 1944, antes de a Timely virar Marvel Comics. Com um orçamento de mais de 200 mil dólares, essa foi a produção mais cara da produtora Republic Pictures. Apesar do visual ser bem fiel, a história é quase totalmente diferente da dos quadrinhos.

A série acompanha Grant Gardner, um advogado que é secretamente o herói Capitão América. Pois é, além de apagar qualquer traço do Steve Rogers que a gente conhece, a série mostra o herói indo atrás do vilão Escaravelho, que estava atrás de artefatos que poderiam ser utilizados como uma super-arma. Bizarro né? Mas foi um marco por trazer um dos personagens das HQs pro live-action. Pior que o Capitão não teve muita sorte depois disso, já que ganhou dois filmes pra TV terríveis em 1979 e depois um outro em 1990 que foi uma coprodução americana e iugoslava. É, amigos… Ainda bem que o MCU chegou aí pra arrumar essa zona que foi o Capitão América nos cinemas.

Criou um legado maior do que a pessoa por trás da máscara

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Um dos grandes méritos do Capitão América está em como o personagem se mostra universal, mesmo sendo a personificação do símbolo dos Estados Unidos. Com anos de histórias em que a moral é a busca pela verdade e pela justiça, Steve Rogers se tornou um símbolo tão grande que no mundo real é possível torcer e se emocionar com o personagem até mesmo aqui no Brasil, longe da América que o personagem defende. O mesmo pode ser dito dentro dos quadrinhos, já que o Capitão América vai além de Steve Rogers, já que havia alguém para vestir a máscara nas vezes em que ele não pôde levantar o escudo.

Um dos mais lembrados é Bucky Barnes. Antigo aliado de Steve na segunda guerra, ele passou anos sumido e voltou como o Soldado Invernal, perigoso inimigo que se tornou um novo aliado. Bucky precisou vestir a máscara após os eventos de Guerra Civil, que termina com a morte de Steve Rogers. Como sempre nas HQs, um tempo depois o Steve voltou e retomou o manto, mas a vida é uma caixinha de surpresa, não? Após ter perdido o soro de super soldado, um envelhecido Steve escolhe Sam Wilson para seu novo substituto. Essas diferentes encarnações mostram a importância da figura do Capitão América, já que apesar de serem homens diferentes lutando contra diferentes oponentes, o legado do escudo se tornou maior do que pessoas de carne e osso.

Ah e vale citar que o Capitão infelizmente também influenciou pro mal, já que vilões como o Agente Americano e o Bazuca também foram inspirados de uma forma ou de outra.

Bônus: o ponto de partida de Stan Lee

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A Omelista costuma ter cinco itens, mas esse bônus é importante. Você sabia que primeiro trabalho de Stan Lee nos quadrinhos foi um conto do Capitão América? O então jovem Stanley Lieber sonhava em ser romancista e trabalhava na Timely como forma de aprender o ofício. Seu primeiro trabalho publicado foi a criação de um conto do Capitão, já que se os gibis tivessem material escrito, teriam um desconto em seu envio pelos correios. Assim Stan escreveu uma história que apresentou pela primeira vez o fato de que o escudo poderia retornar para sua mão após ser arremessado.  Aos poucos o jovem seguiu escrevendo contos, roteirizando HQs, e bem… O resto é história.

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