What If...? tem finale previsível, levado por carisma dos personagens

Créditos da imagem: Os Guardiões do Multiverso em What If...? (Reprodução/Twitter)

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What If...? tem finale previsível, levado por carisma dos personagens

Vigia reúne os seus "Guardiões do Multiverso" em capítulo com poucos momentos inspirados

Caio Coletti
06.10.2021
09h08

Na semana passada, falando sobre o penúltimo episódio da temporada de What If...?, notamos o quanto a estrutura da narrativa se assemelhava a Vingadores: Guerra Infinita, com Thanos trocado por Ultron - não como cópia, mas como conformação ao molde, ao modelo de narrativa heróica que a Marvel não criou, mas vem seguindo à risca por anos.

Nada surpreendente, portanto, que o finale da temporada se conforme ao que vimos em Vingadores: Ultimato. Após a derrota nas mãos de Ultron (Ross Marquand), o Vigia (Jeffrey Wright) e o Doutor Estranho Supremo (Benedict Cumberbatch) viajam pelo multiverso "coletando" os heróis dos episódios anteriores, reunidos no novo grupo que o ser místico batiza de "Guardiões do Multiverso".

Tudo culmina no confronto entre esses heróis e Ultron, travado principalmente no cenário desolado, cheio de escombros, do primeiro mundo que a inteligência artificial destruiu. Enquanto os heróis tomam turnos desferindo golpes inevitavelmente fúteis contra um vilão empoderado pelas Joias do Infinito, esperando pela chegada de um ato salvador de algum deles, é impossível não pensar na batalha de Thanos com os heróis de Ultimato.

O tal ato salvador chega, é claro, e pouco depois descobrimos que a junção desses heróis (e vilões) fazia parte de um plano muito específico do Vigia, desenhado para assegurar a derrota - ao menos, temporária - de Ultron. É a ideia mais interessante que What If...? teve neste formato de aventura continuada que assumiu no fim da temporada, acenando aos quadrinhos e seus finais raramente "redondos", que abrem espaço para que o problema da vez retorne para um segundo round.

Para além disso, o episódio é carregado pelo carisma dos personagens que a série construiu anteriormente. É bacana, por exemplo, que o foco esteja firmemente em Capitã Carter (Hayley Atwell) e Viúva Negra (Lake Bell), forjando entre elas uma relação de amizade que sem dúvida vai deixar os fãs de ambas extasiados. A roteirista A.C. Bradley criou uma história de supertime na qual os arcos mais importantes pertencem às personagens femininas, e isso não é pouco dentro do sistema do MCU - de fato, parece até uma correção histórica.

O retorno de T'Challa (Chadwick Boseman) em sua versão Senhor das Estrelas também é bem-vindo, emprestando brio e um bom humor de tom acertado, nunca excessivo, à história. Dos protagonistas, só faltou espaço mesmo para entender a história da Gamora (Cynthia Kaye McWilliams) poderosa que conhecemos neste episódio - mas quem sabe na segunda temporada.

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