What If...? realiza potencial de Ultron, mas repete estrutura de Guerra Infinita

Créditos da imagem: Cena do 8º episódio de What If...? (Reprodução)

Séries e TV

Artigo

What If...? realiza potencial de Ultron, mas repete estrutura de Guerra Infinita

Narrativas de capítulos anteriores começam a se unificar na reta final da temporada

Caio Coletti
29.09.2021
09h02
Atualizada em
29.09.2021
09h27
Atualizada em 29.09.2021 às 09h27

Um dos grandes problemas da construção de vilões da Marvel, elemento tão criticado no MCU, é que muitos deles só ganham espaço por um filme, quando o seu potencial para se tornar uma pedra no sapato dos heróis a longo prazo é obviamente muito maior - especialmente para o público que os conhece dos quadrinhos.

Ultron é definitivamente um desse vilões. Apesar do tamanho da encrenca que ele criou em Vingadores: Era de Ultron, o antagonista robótico criado inadvertidamente por Tony Stark em sua ânsia por conseguir "paz em nosso tempo" é uma figura megalomaníaca muito mais proeminente e assustadora nas HQs. O oitavo episódio de What If...? chega para mostrar o porquê.

Ainda que sem a performance vocal devoradora de cenários de James Spader (substituído por Ross Marquand, que faz um trabalho apto, mas insosso), o vilão ressurge como um literal exterminador de mundos nesse capítulo. A trama imagina o que teria acontecido se ele tivesse conseguido cooptar o corpo que em outras realidades foi do herói Visão para si próprio, eventualmente roubando as Joias do Infinito de Thanos, destruindo a Terra e os outros planetas e civilizações que já conhecemos do MCU.

É quando, no silêncio sepulcral do universo quase sem vida que criou, e investido do poder inimaginável das Joias, ele toma consciência da existência do Vigia (Jeffrey Wright), finalmente puxando o nosso narrador/observador para a ação da série e dando o pontapé inicial na narrativa épica de cruzamento de realidades que deve compor o finale desta primeira temporada de What If...?.

Usar Ultron como o grande vilão desta narrativa multiversal é uma escolha que agrada, ainda que apenas pelo potencial não realizado de sua aparição anterior no MCU. A possibilidade mais fascinante da premissa da animação do Disney+, no fim das contas, era a de explorar o que os filmes e séries live-action não tiveram e provavelmente nunca terão tempo, orçamento ou espaço narrativo para explorar, confinados na continuidade inclemente do universo compartilhado como estão.

O que incomoda um pouco, por outro lado, é que What If...? tenha encarado essa possibilidade e saído dela com uma história tão similar a da Saga do Infinito, nome dado à narrativa do MCU que culminou em Vingadores: Ultimato. Este oitavo episódio é como o Guerra Infinita de What If...?, no sentido em que se concentra em construir o antagonista como uma figura quase mítica e termina com uma derrota amarga dos heróis.

Como aconteceu em Guerra Infinita, no entanto, sabemos que a segunda parte vem por aí, e temos aquela certeza, no fundo da mente, de que o "lado do bem" vai encontrar uma forma de reverter a situação. Narrativas como essa se repetem sempre na cultura pop, é claro - Joseph Campbell e sua jornada do herói que o diga! -, mas é difícil reclamar de quem diz que as produções do MCU saem de uma "linha de produção" quando até a série que deveria fugir do molde acaba se conformando tão prontamente a ele.

Ao continuar navegando, declaro que estou ciente e concordo com a Política de Privacidade bem como manifesto o consentimento quanto ao fornecimento e tratamento dos dados para as finalidades ali constantes.