What If...? relaxa e curte a própria premissa em episódio com "Thor festeiro"

Créditos da imagem: Thor no novo episódio de What If...? (Reprodução)

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What If...? relaxa e curte a própria premissa em episódio com "Thor festeiro"

Sétimo capítulo da série da Marvel é o mais bem-humorado da temporada

Caio Coletti
22.09.2021
09h00
Atualizada em
22.09.2021
09h25
Atualizada em 22.09.2021 às 09h25

O MCU parece mesmo ter percebido, após algumas tentativas mal direcionadas, que o seu Thor (Chris Hemsworth) funciona muito melhor em clima de comédia. Diferente de outros heróis da franquia, que podem até soltar algumas piadas, mas cujo arco é essencialmente dramático, Thor (por sua pomposidade, seu privilégio, e pelo próprio timing do ator que o interpreta) se dá melhor como um personagem cômico em sua forma mais pura.

Daí o clima diferente deste sétimo episódio de What If...?A série animada do Disney+ já tentou apostar no humor antes, com as tiradas incessantes do episódio sobre zumbis, mas aqui a premissa combina muito mais com as piadas: Thor, que nunca aprendeu a ser um bom herói, pois nunca teve um Loki (Tom Hiddleston) ao seu lado e foi criado como filho único, vem para a Terra dar uma festa intergalática de arromba e arrisca destruir o planeta todo no processo.

A roteirista A.C. Bradley faz o seu melhor para simular a criatividade irrestrita de um Thor: Ragnarok, e sai dessa tentativa com vários momentos memoráveis - a montagem que mostra exatamente como a tal "rave do Thor" está acabando com o planeta é especialmente afiada, e tudo o que sai da boca de Darcy (Kat Dennings) é ouro. E ela também sabe como usar os personagens familiares do MCU para servir a essa história.

A aparição de Carol Danvers (Alexandra Daniels no lugar de Brie Larson) aqui, por exemplo, marca o melhor uso da Capitã Marvel até agora em What If...?. Sua interação com Thor não só rende batalhas épicas, como também demonstra que os dois, essencialmente opostos complementares em termos de caracterização, têm uma dinâmica cômica insuspeita quando colocados juntos.

A ação, aliás, é distribuída de maneira parcimoniosa pelo episódio. Thor e a Capitã têm dois grandes confrontos, renderizados com o dinamismo e o senso de estilo que aprendemos a esperar de What If...? durante as últimas semanas - um detalhe saboroso para se notar é que, quando vistos de cima, os continentes e países são pintados no episódio como no mapa múndi, com os seus nomes por cima dos pedaços de terra.

Bradley e seu diretor, Bryan Andrews, visivelmente se divertem ao imaginar o encontro de poderes entre uma literal divindade e a heroína ("humana") mais potente do MCU. Eles sabem que o embate entre os dois renderia, por si só, todo um episódio, mas se deixam levar pela empolgação só o bastante para que nos empolguemos também, sem esquecer que o capítulo em questão tem uma história para contar.

E é uma história redondinha, apesar de todos os desvios pelo caminho. Essencialmente, o que temos aqui é uma comédia romântica sobre amadurecimento, sobre como nossos relacionamentos com outras pessoas nos melhoram e nos mostram uma perspectiva que não poderíamos ter, se confinados em nosso egoísmo. Há um gancho no final para a continuação, é claro - como vem se tornando habitual na série -, mas este sétimo episódio mostra que What If...? sabe relaxar sem perder o fio da meada.

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