What If...? | Volta de Hayley Atwell como Carter faz valer uma estreia morna

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What If...? | Volta de Hayley Atwell como Carter faz valer uma estreia morna

Com boas cenas de ação, 1º capítulo da série animada briga com futilidade da premissa

Caio Coletti
11.08.2021
07h56
Atualizada em
12.08.2021
18h44
Atualizada em 12.08.2021 às 18h44

Peggy Carter sempre foi uma das personagens mais interessantes do MCU, tanto mais por conta do talento e carisma inegáveis de Hayley Atwell, que injeta nela determinação de ferro sem perder de vista sua humanidade. Atwell é, como costuma ser em quase todos os projetos nos quais se envolve, a grande virtude do primeiro episódio de What If...?, série de animação da Marvel, que chegou hoje (11) ao Disney+.

No primeiro capítulo, o Vigia (voz de Jeffrey Wright) nos introduz à premissa da produção: imaginar o que teria acontecido se os eventos do MCU fossem alterados por uma única escolha ou um único evento se desenrolando de forma diferente. Aqui, acompanhamos enquanto um acidente impede que Steve Rogers (Josh Keaton no lugar de Chris Evans) tome o soro do super soldado, e leva Carter a tomar o seu lugar, se transformando na heroína que, durante o episódio, é chamada de Capitã Carter.

O que se segue é uma recapitulação da estrutura narrativa básica de Capitão América: O Primeiro Vingador, com algumas modificações aqui e ali. De fato, quando não está entregando cenas de ação, o capítulo pode se mostrar terrivelmente entediante - não porque cenas de ação são tudo o que importa em uma produção do MCU, mas porque tudo o que não está nas cenas de ação, aqui, nós já vimos, ou já entendemos de alguma forma em produções anteriores da franquia.

Curiosamente, o que mais funciona é o que se mantém igual. A roteirista A.C. Bradley acerta em cheio, por exemplo, ao não modificar a dinâmica do relacionamento de Peggy e Steve, dando aos fãs alguns minutos preciosos para saborear a familiaridade dessas interações. Além disso, a empolgação, inteligência e idealismo particulares de Carter são traduzidos perfeitamente por Atwell na dublagem - ouvi-la, para quem ama a personagem, é deliciosamente confortável e recompensador.

Enquanto isso, o diretor Bryan Andrews, que tem no currículo roteiros para Samurai Jack e trabalhos de storyboard para várias produções da Marvel, como Vingadores: UltimatoDoutor Estranho, agarra a oportunidade de comandar um espetáculo só seu. O primeiro episódio de What If...? é, inegavelmente, um belo pedaço de animação, dinâmico em sua técnica e impactante na fluidez de suas cenas de ação, construídas com a liberdade criativa que só o desenho animado é capaz de dar a um diretor.

Para alguns fãs, isso pode ser o bastante. A sensação que fica após os 30 e poucos minutos do primeiro episódio de What If...?, no entanto, é que uma história que já ouvimos foi recontada com menos espaço para se desenvolver, e menos novidade para nos impressionar. E que pena: a Capitã Carter de Atwell merecia mais do que ser relegada à "série B" do MCU.

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