Josh Brolin em Vingadores Ultimato/Marvel Studios

Créditos da imagem: Marvel Studios/Divulgação

Filmes

Notícia

Thanos, tirania e a resiliência dos Vingadores

Por que e como o plano do Titã Louco falhou ao tentar trazer “equilíbrio” ao universo

Nicolaos Garófalo
10.11.2019
22h54

A história não é exatamente nova. Um líder idealista, carismático e com um discurso chamativo atrai seguidores fanáticos, chega ao poder e passa a eliminar, um por um, aqueles que possam interferir em seus objetivos. Podia ser Alemanha, Brasil, União Soviética, Itália, Venezuela, mas é a Marvel.

Não existem argumentos para defender Thanos (Josh Brolin) ou suas ações em Vingadores: Guerra Infinita. Independente do ponto de vista que o espectador tome ao assistir o longa de 2018, até então o maior evento do MCU, o Titã Louco é um ditador, um vilão embriagado de poder e dominado por um complexo messiânico que, inevitavelmente, o levaram a uma vitória regada a sangue, de inimigos e aliados. Embora os eventos do terceiro filme dos Maiores Heróis da Terra criem, até certo nível uma empatia com Thanos, é possível ver os efeitos sombrios de sua vitória nos primeiros minutos de sua sequência, Ultimato.

Vitorioso em seu plano de eliminar metade do universo, o antagonista máximo do MCU, em um último estalo de loucura, destrói as Joias do Infinito, impedindo que qualquer outro tenha em mãos o poder que ele já experimentou. Ao fazer isso, o Titã deixou para trás um número incontável de pessoas que lembram do que existiu antes, de quem perderam, do que sofreram e da sensação de injustiça ao ter sua felicidade tirada a força. A memória dos que ficam – e a história que contam para os que vieram – é a derrota de Thanos.

Em um confronto final com o Capitão América (Chris Evans), o Titã atesta seu próprio erro e afirma que repetirá o genocídio de anos atrás, mas que não permitirá que metade do universo sobreviva: a nova ideia de Thanos é criar uma nova realidade, onde novos seres, seguidores de uma demagogia cega, serão agradecidos. No maior blockbuster da história, o vilão repete a máxima que domina o sistema educacional e histórico alemão desde a queda do regime nazista: lembrar é resistir. É preciso sempre recordar os erros do passado para que eles não se repitam no futuro. Alguém que não lembra ou que perdoa seus agressores, como Nebulosa (Karen Gillan) fez diversas vezes ao longo de sua vida, tende a agradecer pequenas recompensas ou demonstrações de piedade e carinho, não importa o quão cruel o vilão já tenha sido. 

A pouca importância dada por Thanos a seus servos é evidente mesmo pelo design de seu exército, uma massa sem rosto ou nome que apenas repete seus discursos e obedece suas ordens de forma irracional, enquanto os que lutam contra ele são unidos, únicos e agem em sintonia, como o grupo de heróis que são os Vingadores. Apesar de nem sempre conseguirem resistir à queda, eles sempre se levantam.

Thanos não foi derrotado pelo Homem de Ferro (Robert Downey Jr.), Capitão América ou Thor (Chris Hemsworth). Ele foi derrotado por um grupo que se lembrava de um mundo em que ele venceu e disse “de novo, não”. Sempre cercado de multidões que o enalteciam e replicavam seu discurso, Thanos morreu sozinho, dando as costas ao seu “filho” mais querido e principal porta-voz, o Fauce de Ébano (Tom Vaughan Lawlor). Já aqueles que lutaram contra a volta de sua ideologia genocida, tiveram seu fim cercados por amigos.

Apesar de seu descanso no Jardim, Thanos não venceu em Guerra Infinita. E enquanto existirem aqueles dispostos a enfrentar o que quer que venha pela frente para que sua destruição desregrada não se repita, nenhum outro vilão deveria ousar ameaçar aqueles que ainda são capazes de se lembrar.